Alejandro Garcia/Efe
Alejandro Garcia/Efe

Acusado de corrupção, Rosell ganha liberdade na Justiça após ficar 21 meses preso

Ex-presidente do Barcelona estava preso há mais de 21 meses após acusação de lavagem de dinheiro na venda de jogos da seleção brasileira

Redação, Estadão Conteúdo

27 de fevereiro de 2019 | 09h34

Ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell foi autorizado pela Justiça a responder em liberdade até o seu julgamento as acusações de lavagem de dinheiro no processo de venda de direitos televisivos de jogos envolvendo a seleção brasileira. Representantes do tribunal espanhol no qual o ex-dirigente do clube catalão começou a prestar depoimento na terça-feira, em Madri, confirmaram que ele ganhou o direito de deixar a prisão após a nova audiência em que compareceu nesta quarta.

Rosell estava preso há mais de 21 meses depois de ter sido acusado de apropriação indébita de fundos provenientes da venda de direitos televisivos envolvendo amistosos da seleção, bem como de um contrato de patrocínio entre a empresa de material esportivo Nike e a CBF. Ele também é acusado de fazer parte de uma organização criminosa.

Ex-executivo da Nike no Brasil e presidente do Barcelona entre 2010 e 2014, Rosell negou ter praticado qualquer irregularidade quando prestou depoimento a um juiz na última terça-feira. E, para conseguir a liberdade do ex-cartola, os seus advogados de defesa fizeram vários pedidos pela sua soltura, alegando que era injusto tê-lo sob custódia por tanto tempo sem ter sido condenado por qualquer crime.

As solicitações anteriores dos representantes legais de Rosell para a sua saída da prisão foram negados porque os juízes consideraram que a sua liberdade representava um risco às investigações por causa das conexões que o ex-presidente do Barça têm no exterior.

Promotores espanhóis pedem pela aplicação de uma sentença de 11 anos de prisão, além de uma multa de quase 60 milhões de euros (cerca de R$ 255 milhões) para ele. A promotoria afirma que Rosell ajudou a lavar cerca de 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 85 milhões) relacionados a comissões para os jogos do Brasil durante o período em que Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, estava no comando da entidade. Ele é acusado de ter ficado com pelo menos 6,5 milhões de euros (algo em torno de R$ 27,7 milhões) desse valor.

Na última terça-feira, o dirigente alegou ser inocente e disse que "não houve comissões, nem ilegais nem legais", assim como afirmou ser "absolutamente falso" que ele ajudou a lavar dinheiro para Ricardo Teixeira.

Rosell, entretanto, admitiu ter feito alguns investimentos em negócios com o ex-presidente da CBF, que não teriam, na sua versão, qualquer relação com os contratos para as partidas do Brasil. Mas admitiu que Teixeira lhe emprestou dinheiro para ajudá-lo a comprar um apartamento, algo que declarou ter pagado com juros três anos depois. Os promotores dizem que o empréstimo fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro supostamente montado pelos dois ex-dirigentes.

RELEMBRE O CASO

Teixeira, que renunciou à presidência da CBF em 2012 e fez parte do Comitê Executivo da Fifa, foi indiciado pelas autoridades norte-americanas em 2015, como parte do escândalo da corrupção no futebol, e não tem viajado para fora do Brasil. Ele também é investigado no País.

Rosell disse que a empresa para a qual ele trabalhava, o conglomerado ISE, da Arábia Saudita, fechou um acordo com a CBF para pagar US$ 1,15 milhão (cerca de R$ 4,3 milhões) por cada uma das 24 partidas do Brasil que iria organizar e deter os direitos de TV. Pelo acordo, o ex-presidente do Barça afirmou que a sua própria empresa ganharia US$ 250 mil (aproximadamente R$ 940 mil) depois que cada jogo fosse realizado.

Ele disse que seu contrato com o ISE terminou após 14 partidas porque decidiu concorrer à presidência do Barcelona, o que significa que ele renunciou a US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 9,4 milhões), algo que teria direito pelo restante do acordo. "Era um ou outro. Eu não teria tempo para fazer as duas coisas", afirmou.

Rosell também está envolvido em outra investigação, relacionada à transferência de Neymar do Santos para o Barcelona em 2013. As acusações surgiram após o grupo de investimento DIS afirmar que recebeu um valor menor do que o correto pela transferência, porque parte da quantia paga não foi informada.

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