Rubens Chiri/São Paulo FC
Rubens Chiri/São Paulo FC

Adaptado, Pereira quer títulos para marcar história no São Paulo

Uruguaio afirma sonho de continuar no clube após o término do seu empréstimo, em junho de 2015

22 de fevereiro de 2014 | 05h00

SÃO PAULO - Bastaram poucos jogos para que Alvaro Pereira conquistasse os torcedores do São Paulo e virasse símbolo de garra e técnica. Ainda em processo de adaptação, de uma coisa ele não tem dúvidas: quer ficar no clube após seu empréstimo, que vai até junho de 2015.

Nesta entrevista exclusiva ao Estado, o jogador também falou sobre a politização do povo uruguaio, a esperança em fazer uma boa Copa do Mundo no Brasil e revela que já convidou Lugano, um dos maiores ídolos recentes do clube, a jogar ao seu lado no Morumbi.

Esperava que sua adaptação ao time fosse tão rápida?

É bom porque cheguei e ganhamos alguns jogos em sequência mesmo ainda não tendo vencido fora. É meu trabalho e tento sempre fazer meu melhor dentro e fora de campo porque preciso mostrar isso para o São Paulo, não posso me conformar só em ganhar a torcida; preciso de mais coisas para o treinador e o clube, eles se esforçaram para que eu viesse jogar aqui e também quero conquistar coisas, é para isso que estou aqui também. Não há como conquistar a torcida sem essas coisas, quero fazer algo para não ser esquecido.

O que faz nas horas vagas? 

Sou muito caseiro, mas quando saio tento aproveitar minha família 100% e felizmente o São Paulo me ajudou a arrumar uma casa rapidamente, o que facilitou muito minha adaptação. Quando você sabe que sua família está em boas mãos, pode jogar e treinar muito melhor. Meu portunhol é bastante bom, dá para me virar.

Como vê o futebol brasileiro em relação ao europeu?

Eu gosto muito do futebol brasileiro. Sempre se falou que o futebol brasileiro era mais indisciplinado, mas acredito que se jogue com liberdade e disciplina. Está mais tático e não deixa a desejar em nada à Europa porque são jogadores de muita qualidade.

O jogador uruguaio é sempre associado à raça, não será hora de reconhecer a técnica também?

Muitas vezes se vê a raça, mas esquecem da tática, e nós somos jogadores. Essa questão da raça já vem dentro do uruguaio, mas temos jogadores muito técnicos como o Forlán, o (Luiz) Suárez, o Cavani, esses são jogadores de muita qualidade. As coisas hoje são muito equilibradas, é preciso ter um pouco de tudo.

E para o São Paulo, falta isso?

Vou falar a partir do momento que cheguei, não posso falar por antes. Um time sempre quer jogar bem e fazer as coisas direito, mas você não vai acertar sempre. Só que não pode deixar de tentar, pode errar muitas vezes a mesma coisa, mas uma hora vai acertar e com o tempo a coisa sairá sozinha. O que você não pode é deixar de tentar; este grupo é novo e está tentando, mas às vezes erra, só que isso não quer dizer que falta compromisso.

Jogadores uruguaios têm uma origem parecida com os brasileiros, mas são muito mais politizados. Há uma razão para isso?

Somos apenas três milhões de pessoas. Somos muito poucos e por isso precisamos tomar conta um dos outros para garantir nosso povo. É por isso que sempre queremos saber o que acontece no nosso país, como as coisas estão. Somos poucos, mas somos um povo bom, acabamos por isso nascendo patriotas e nos preocupamos não só em jogar bola, mas em saber o que está acontecendo em nosso país. Por isso sempre que faço alguma coisa boa ou tenho sucesso sempre faço questão de agradecer ao Uruguai e demonstrar isso aos mais jovens, precisamos dar exemplos.

Dentro desse contexto, acha o Bom Senso FC uma iniciativa boa?

Só agora estou tomando contato com isso porque comecei a jogar no Brasil agora, mas é claro que o jogador de futebol sempre vai querer mostrar algo bom para o torcedor. Felizmente o sindicato dos jogadores é muito forte e ajuda a defender os atletas, embora nem sempre os atletas dos times grandes percebam a importância disso, mas é válido que aqui seja feito uma coisa que beneficie a todos.

Quais são suas expectativas com o Uruguai para a Copa?

Primeiro preciso pensar no São Paulo, seria desrespeitoso falar de seleção. Não acho que chegaremos de graça à mesma situação do ano passado, que precisaremos trabalhar muito para chegar lá. O grupo mentalizou que estamos em uma chave difícil, mas temos que pensar jogo após jogo e que serão três finais. Precisamos pensar no agora e não olhar para trás.

Houve a questão da ação com o Fantasma de 50, que incomodou alguns atletas...

Aquilo foi uma ação de marketing, é diferente de jogo. Para mim, antes sempre associavam o jogador uruguaio a olhar para os feitos do passado e nós começamos a acreditar que era possível fazer outras coisas. Eu quero seguir dando alegrias ao nosso torcedor e não olhar para trás. Acho que estamos tendo sucesso nisso, ganhamos a Copa América, fizemos aquela campanha no Mundial passado e estamos classificados para a Copa. Depois, quando eu me aposentar, aí sim posso parar para refletir sobre o que foi feito.

Quando você chegou, disse que queria ficar além do seu contrato (junho de 2015), ainda mantém essa ideia?

Eu não quero pressionar a diretoria (risos), mas a minha ideia é realmente essa. Estou muito feliz aqui, minha família está adaptada e isso conta muito. Gosto do clube e das pessoas, estou realmente feliz. Quando você põe isso na balança, acaba pesando. Falta muito ainda (risos), mas eu realmente gostaria de ficar, sim.

De repente jogando com o Lugano ao seu lado?

Eu já falei pra ele e pressionei, mas não posso tomar a decisão por ele. Ele tem um carinho enorme pelo São Paulo e logo que cheguei percebi que ele é um grande ídolo. Existem outros fatores para ele poder voltar, como contrato, salário, mas ele é um são-paulino de fato; sabe tudo sobre o time, tem um amor grande pelo clube e penso que ele também queira voltar para jogar ao menos mais um pouco aqui. Da minha parte, ficaria muito feliz em tê-lo aqui porque é um grande jogador, um ótimo companheiro e um amigo querido.

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