Adendo após entrega de súmula pelo árbitro é considerado normal

Dúvidas surgiram após Raphael Claus, que levou um encontrão de Petros domingo, relatar o ocorrido depois de ver imagens na TV

Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2014 | 15h13

O adendo feito pelo árbitro Raphael Claus na súmula da partida entre Santos e Corinthians ainda causa confusão e dúvidas na cabeça dos torcedores. A retificação, publicada nessa terça-feira pela CBF, em o que o juiz volta atrás e diz ter sido atingido de forma intencional pelo meia Petros, do Corinthians, traz o dilema de o documento poder ou não ser alterado após divulgação.

Funcionária da Escola Nacional de Arbitragem, a ex-auxiliar Ana Paula Oliveira disse ao Estado que o procedimento não vai contra nenhum regulamento. "É possível sim que o árbitro faça um adendo na súmula. Após entregar o documento, ele pode adicionar um complemento do que aconteceu, porque muitas vezes faz uma ressalva ou escreve alguma informação equivocada", disse Ana Paula, também afirmando que o árbitro tem entre 24h e 48h para fazer alterações na súmula.

Para comprovar que a retificação é possível, mesmo que aconteça poucas vezes, Ana Paula cita o exemplo do árbitro Márcio Chagas, alvo de ofensas racistas após seu carro ser encontrado com bananas após a partida entre Esportivo e Veranópolis, pelo Campeonato Gaúcho. "Naquela partida, ele fez a súmula dentro do vestiário, mas não contava que fosse ser alvo de racismo na saída", disse a ex-assistente.

Mesmo se as alterações não pudessem ser realizadas pelo árbitro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julgaria o meia pelo empurrão da mesma forma. De acordo com o procurador-geral da entidade, Paulo Schmitt, a súmula é apenas uma das evidências usadas para alguma decisão tomada. "A súmula é um importante material de prova, mas a procuradoria pode se valer de outros meios para julgar o atleta."

NOVO RELATO

No início da tarde desta terça-feira, a CBF publicou em seu site oficial a alteração da súmula assinada por Raphael Claus. "Aos 18 minutos do primeiro tempo de jogo, senti uma trombada forte do jogador de nº 40, Sr. Petros Matheus dos Santos Araújo, da equipe do Corinthians, em minhas costas. Neste momento, eu e toda equipe de arbitragem interpretamos o lance como um choque natural de jogo. Entretanto, esta minha opinião foi alterada após ver a partida no dia seguinte pela TV, como faço de costume, quando percebi claramente que o atleta no. 40 da equipe do Corinthians - acima citado - corre em minha direção e atinge minhas costas com seu braço esquerdo de maneira intencional."

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