Adil vence uma batalha por dia

As visitas aos amigos no Parque São Jorge não são muito freqüentes. De 15 em 15 dias, ele aparece. Quem não está acostumado com a cena leva um choque: Adil desce do carro com extrema dificuldade. Se apóia no volante adaptado para sair do veículo mas logo se ajeita com a ajuda de um par de muletas. Uma vez em pé, comemora a façanha - mesmo com o auxílio das muletas. Isso mesmo: ficar em pé sozinho, sem depender de ninguém, é uma vitória que Adil faz questão de comemorar diariamente, quantas vezes forem necessárias. "É como se fosse um gol", diz. A situação já esteve muito pior há três anos, quando ele sofreu o acidente automobilístico. Adil, atacante que jogou no Corinthians, Grêmio, Portuguesa, Inter de Limeira e outros times na década de 90, foi dado como tetraplégico.A recuperação parcial dos movimentos foi lenta e surpreendente. Os quatro primeiros meses foram terríveis. Adil passou todo esse tempo praticamente imóvel. Só conseguia mexer os olhos e o pescoço, lateralmente. Enfrentou 28 dias de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com uma tração na cabeça - equipamento médico usado para puxar a vértebra. O problema de Adil estava todo na coluna cervical. No acidente, ele sofreu lesão medular, que lhe tirou praticamente todos os movimentos do corpo. "Fui dado como tetraplégico. Hoje tenho algumas limitações mas tenho uma certa independência. Já me sinto em condições até para trabalhar", comemora. "Só preciso de uma nova chance no futebol. Meu sonho é ser um gerente de futebol ou supervisor." Em 2002, ele chegou a ter uma experiência como gerente de futebol do Sobradinho, clube do Distrito Federal. Mas não conseguiu se adaptar porque dependia dos amigos para se movimentar. Agora, diz que está pronto para trabalhar e espera propostas.Três anos depois do acidente, Adil já consegue ter uma vida quase normal. Só depende das muletas e de alguém para amarrar os seus calçados. A dificuldade maior é no lado esquerdo - a perna, o braço e a mão praticamente não se movem. Mas hoje ele já consegue mudar de roupa sozinho, usa o banheiro sem precisar da ajuda de ninguém, escova os dentes, toma banho, etc. Até dirige um Mercedes Classe A semiautomático - que não tem pedal de embreagem."Só tive de instalar um dispositivo esférico que fica adaptado ao volante para facilitar as manobras só com a mão direita", comemora.

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