José Patrício
José Patrício

Administrada como empresa, Ferroviária tem parceiros fortes

Apoios são fundamentais para o equilíbrio financeiro

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2016 | 17h00

Chegar à fase final do Campeonato Paulista e buscar uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro não são os únicos objetivos da Ferroviária neste ano. Como clube-empresa, a equipe tem um orçamento a ser cumprido, com metas de redução de gastos, aumento de receitas e de crescimento. Neste ano, prevê lucro pela primeira vez desde 2003, quando o clube adotou essa forma de gestão. O nome bordado no uniforme – Ferroviária S.A. – mostra que o sucesso dentro de campo é tão importante quanto a eficiência administrativa.

Na prática, é como se fosse uma empresa mesmo. Os acionistas escolhem um Conselho de Administração que, por sua vez, elege a diretoria. E onde se lê a palavra acionista subentende-se outra: lucro. Os diretores estatutários não recebem salários, porém todos os gestores do clube são remunerados. “A sobrevivência na Série A-1 do Campeonato Paulista projeta que teremos lucro pela primeira vez”, afirma o presidente Carlos Salmazo.

A gestão da Ferroviária é feita por gente do mercado. Salmazo, por exemplo, é engenheiro de formação e hoje atua como executivo de negócios. Informações financeiras são tratadas de maneira confidencial. A diretoria não quis revelar, por exemplo, o nome do grupo acionista que controla o clube. De quanto será o lucro? Neca. “São informações estratégicas”, informou a área financeira.

A visita que o Estado fez a Araraquara nesta semana mostrou outros sinais desse ambiente corporativo. A sede do clube é um escritório, ainda em reforma, é verdade, mas cheio de baias com computadores que mostram planilhas de Excell.

Ser um clube-empresa tem os seus prós e contras. A carga tributária, por exemplo, gira em torno de 12% e 14%, enquanto os clubes tradicionais são isentos de quase toda tributação. O lado positivo do modelo é que a transparência facilita a captação de investidores. “Fica mais fácil atrair parceiros”, explica Pedro Daniel, gerente de Esportes da consultoria BDO.

A prefeitura de Araraquara é um dos principais parceiros, e essa história vem de longe, desde uma “tragédia”. Em 2003, a Ferrinha ficou na rabeira do seu grupo na Série A3 e disputou a última divisão paulista no ano seguinte. A dívida era de R$ 4 milhões, água e luz haviam sido cortadas. Com um grupo de empresários, o então prefeito Edinho Silva, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social, sugeriu que a Ferroviária virasse empresa. Surgiu a Ferroviária S/A.

A Arena da Fonte Luminosa, hoje Arena da Fonte, deixou de ser do clube. A prefeitura assumiu as dívidas, mas passou a dona do estádio. Hoje, o time é isento de aluguel e repassa ao estádio somente 10% da renda de seus jogos. Além disso, tem o direito de fazer as melhorias.

O poder municipal investiu cerca de R$ 25 milhões em uma reforma para criar uma das arenas mais modernas do interior. Além do aumento da capacidade de 18 mil para 22 mil lugares, todas as arquibancadas receberam novos assentos – grenás, obviamente – e até cobertura. O mais legal é que essa reforma teve cuidado de preservar preciosidades históricas, como os refletores, marca registrada da arena desde 1959, oito anos após a inauguração do estádio. Até algumas cadeiras do vestiário são da década de 50, aquele ferro grosso que nem se vê mais.

Também são parceiras fundamentais as empresas da cidade. O clube tem sete patrocinadores, entre eles, Cutrale, Lupo, Tribuna Araraquara, Farmácia Santa Paula e Move Mais, empresas sediadas ou fortemente identificadas com a cidade conhecida como “Morada do sol”. “Todos estão formando laços em torno do time”, diz o técnico Sérgio Vieira.

Obviamente existem dificuldades administrativas. Alguns patrocinadores têm contrato até a metade do ano, quando se encerra o Campeonato Paulista. O time vai ter de correr atrás de novos parceiros para o segundo semestre. Por isso é tão importante jogar o ano todo. Mais jogos significa maior visibilidade. Caso não consiga se classificar, o time terá como plano B a Copa Paulista, torneio que a Federação Paulista pretende fortalecer neste ano.

 

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