Adoniran eterno

Passou meio batido, mas ontem foi dia especial: 105 anos de nascimento de João Rubinato, conhecido pelo nome de arte como Adoniran Barbosa. Um dos grandes sambistas brasileiros, valinhense de origem, jundiaiense de criação e paulistano por adoção, cantou como ninguém a alma da cidade de São Paulo. Pois Adoniran - também pode chamar de “Charutinho”, seu principal personagem dos tempos de rádio -, compôs clássicos que se adaptam ao futebol nacional.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2015 | 03h00

“Pafunça” se aplica à relação de Valdivia nos últimos dias de contrato com o Palmeiras. O chileno desandou a cutucar o (ainda) patrão, e em todas as entrevistas - virou figurinha fácil nos programas - dá a entender que a saída dele é injusta. O clube responde com indiferença, como na música. “Pafunça que pena Pafunça que nossa amizade virou bagunça.”

Pior deve sentir-se neste momento Diego Aguirre. O treinador uruguaio chegou ao Inter no início do ano e conviveu com cobranças diárias. Teve breves momentos de paz - o principal deles com a conquista do Estadual sobre o Grêmio - e ontem foi demitido sem maiores explicações. Pesaram contra si a eliminação na Libertadores e a trajetória de oscilação no Campeonato Brasileiro. Pode botar na vitrola, ops no smartphone, “Não me deu satisfação” e cantar: “Tenho vontade de chorar/Sei que tenho minhas razões/A mulher que eu amava/Resolveu me abandonar/Não me deu satisfações.”

O Colorado busca substituto, dias antes do Gre-Nal 407, marcado para domingo, e tem a listinha de preferidos, com nomes manjados como os de Mano Menezes, Oswaldo Oliveira e Muricy Ramalho. O ex-técnico do São Paulo não se manifesta, mas declarações de parentes próximos dizem que ele prefere descansar. Isso lembra “Um samba no Bixiga”, no trecho em que os convidados se viram no meio de uma briga na casa do Nicola, na Rua Major Diogo. “Nóis era estranho no lugar/E não quisemo se meter...”

Mano também prefere postura discreta, como convém a candidatos bem cotados para um emprego. Apesar da parada forçada já de oito meses, tem certeza de que a qualquer instante aparecerá um convite, pois no futebol, ainda mais o daqui (houve 20 demissões na Série A até agora), é melhor seguir o conselho da canção. “Não seja bobo, não escracha/Mulher, patrão e cachaça, em qualquer canto se acha.” Ô...

O que sobra, ao menos para os lados do Vasco, são provocações de Eurico Miranda. O todo-poderoso, dia sim outro idem, rouba a cena nas entrevistas e deita falação. Seja a respeito de projetos para tirar o time do buraco, ou para provocar adversários ou para apresentar jogadores. Ou tudo junto ao mesmo tempo. Uma estratégia para mostrar serviço e fazer o povo crer que a situação não é tão ruim assim. 

Ontem foi a vez de dar as boas-vindas a Nenê, outro veterano que rodou mundo e que agora aporta em São Januário para tentar evitar o naufrágio da nau. Eurico não perdeu a chance de alfinetar o Flamengo. Cai-lhe bem “Tiro ao Álvaro”, porque com a cara de mau que faz... “Teu olhar mata mais do que bala de carabina/Que veneno e estriquinina/que peixeira de baiano./Teu olhar mata mais que atropelamento de automóver./Mata mais que bala de revórver.”

Os jogadores do Santos tiveram motivo para alegrar-se. A diretoria os avisou ontem que os salários atrasados seriam quitados. Com tal medida afastou risco de ação coletiva do sindicato e Dorival Júnior e rapazes puseram pés à obra para o jogo de amanhã com o Coritiba. Os santistas já se sentiam como os músicos de “Tocar na Banda”, aqueles se esfolavam “pra ganhar o quê/ Duas mariolas e um cigarro Yolanda.” 

E o senador Romário teve de ir à Suíça para mostrar que não é dono de conta sonegada ao Fisco, conforme se publicou. Voltou de lá a cantarolar versos de “Prova de Carinho”, como “Quanto sacrifício/Eu tive que fazer/Para dar a prova pra ela/Do meu bem querer.”

Adoniran é sempre atual.


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