Adriano, Gilberto e Juninho roubam a cena

Alguns coadjuvantes da seleção roubaram a cena no gramado do Zentralstadion, diante de mais de 42 mil pagantes, a maioria torcedores da Grécia. Adriano abriu o marcador, com uma bomba no primeiro tempo, Gilberto fez a jogada do segundo gol e Juninho Pernambucano fechou a conta com uma cobrança de falta impecável. Os três aumentaram um pouco mais sua cotação com Parreira e ficam mais próximos do Mundial de 2006. "Para mim, era importante não falhar", reconheceu Gilberto, um dos mais aplicados em campo. "Eu fiquei sempre atento à movimentação do meio-campo e do Cicinho", revelou. "Se havia cobertura, eu sabia que dava para descer. Se o Cicinho estava mais à frente, eu ficava", explicou, como seguidor fiel das instruções do treinador. Gilberto só não resistiu no comecinho do segundo tempo, quando viu uma avenida à sua frente, desceu e chutou cruzado, para encontrar Robinho livre. "Gosto desse tipo de jogada", contou, orgulhoso da proeza. "Consigo chutar forte e tirar a bola da defesa e do goleiro", descreveu, para retomar o discurso cauteloso logo em seguida. "Sei que fui bem na defesa, estou contente, mas preciso manter a regularidade para ficar no time." Sensação de dever cumprido e de espaço um tanto recuperado também fizeram de Juninho um dos mais entusiasmados com a vitória na estréia. O meia do Lyon perdeu a condição de titular, algum tempo atrás, trata de refazer a estrada de volta e acredita que o gol funcione como bom atalho. "Era tudo de que eu precisava", admitiu. "Entrei, fiz o gol e me senti à vontade." Tão decisivo quanto a cobrança certeira foram alguns detalhes que a cercaram. Um deles, a saída de Adriano e Ronaldinho, dois hábeis chutadores. "A concentração na falta é 80 por cento. Como sabia que eu seria o cobrador, tive tranqüilidade para focar no lance. Felizmente, saiu como eu previa." Adriano também sentiu que o chute potente, de esquerda, morreria nas redes de Nikopolidis, assim que saiu de seu pé esquerdo. Até aquele momento, o centroavante da Inter não era um dos melhores em campo, porém abriu o caminho da vitória e fez o time relaxar. "Vi o espaço e chutei", afirmou, com a simplicidade de quem está habituado a fazer gols. Naquele momento, percebeu que os gregos desmoronavam e o Brasil espantava uma ameaça de zebra. Só lhe restou desenhar coração no ar e mandar a homenagem para a namorada.

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