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Adriano relembra momentos na Inter, na seleção e sua opção por uma vida longe do futebol

Goleador conta que foi do céu ao inferno quando soube da morte do seu pai, em 2004, após a conquista da Copa América

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 16h00

Adriano Imperador fez história e ainda é ainda é bastante conhecido e admirado no mundo do futebol. Dentro de campo, era um atacante goleador. Fora dos gramados, ficou conhecido por algumas polêmicas. Para o site The Player's Tribune, o ex-jogador de 39 falou sobre suas dificuldades na vida e sobre alguns momentos de sua carreira profissional.

O site americano já é conhecido por ser um meio em que atletas e personalidades do esportes podem expor suas experiências e suas opiniões, partindo do ponto de vista pessoal. Adriano aproveitou a oportunidade para escrever e contar coisas do seu passado, como sua experiência de crescer numa comunidade, algo que sempre foi visto como um empecilho para sua carreira. Adriano foi criticado por escolher uma vida humilde a desfrutar dos luxos que o futebol proporciona.

"Ganhei muito dinheiro na minha carreira. Mas quanto dinheiro você pagaria para se divertir de novo?", escreveu o ex-atleta em determinado trecho. "As pessoas sempre interpretam errado essa palavra. Quem olha de fora não entende, cara", acrescentou. Ele explica que crescer em uma favela não é só miséria, e que sua infância foi repleta de humildade, dificuldade, mas também de momentos muito felizes. "Eu não sofri. Eu estava vivendo, aprendendo com a vida."

Adriano também se lembrou dos momentos quando era das categorias de base do Flamengo. Segundo ele, estava prestes a ser dispensado quando atuava pela lateral-esquerda, mas acabou tendo uma oportunidade como atacante, a qual se dedicou intensamente para mostrar trabalho. "Quando você é um atacante, não está numa corrida. Quando a bola chega no seu pé e você tem dois zagueirões em cima, não é uma corrida. É uma luta, uma luta de rua". Depois disso, foi chamado ao profissional e provou o seu valor.

A primeira convocação veio aos 18 anos, com apenas um de profissional. Um ano depois, já estava na Internazionale e já era chamado do apelido que carrega até hoje: Imperador. "Lembro que tinha acabado de chegar à Itália e não sabia o que estava acontecendo. Eu olhava para aqueles caras: 'Seedorf. Ronaldo. Zanetti. Toldo. Caramba.' Ficava admirado com eles."

Então, Adriano também relembrou um momento bastante doloroso, a morte de seu pai. "No intervalo de nove dias, eu fui do dia mais feliz para o pior da minha vida". Foram nove dias que separaram a histórica conquista da Copa América sobre a Argentina, em 2004, da ligação com a triste notícia.

"Eu realmente não queria falar sobre isso, mas vou te dizer que, depois daquele dia, meu amor pelo futebol nunca mais foi o mesmo. Ele amava futebol, então eu amava futebol. Simples assim. Era meu destino. Quando joguei futebol, joguei pela minha família. Quando marquei, marquei para a minha família. Então, quando meu pai morreu, o futebol nunca mais foi o mesmo", explicou.

Depois disso, o goleador passou por outros problemas, como o atrito com José Mourinho em 2008, o rompimento do tendão de Aquiles em 2011. Pelo Brasil, Adriano teve passagens pelo São Paulo, em 2008, pelo Flamengo entre 2009 e 2010, onde foi campeão brasileiro, pelo Corinthians e Athletico-PR. Porém, nunca mais foi o mesmo do auge na Itália.

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