Adriano será formalmente indiciado nesta quarta-feira

Departamento jurídico do São Paulo espera por denúncia oficial para saber qual atitude tomar

Giuliano Villa Nova, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2008 | 21h10

Os advogados do São Paulo saberão nesta quarta-feira, de forma oficial, em que artigo Adriano será denunciado pelos procuradores Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol, em razão da expulsão no clássico do último domingo, contra o Santos. O secretário do TJD, Carlos Roberto Fernandes Silva, informou que Adriano será indiciado pelo artigo 253 - agressão ao adversário. Mas a defesa do jogador prefere esperar a denúncia formal dos procuradores do órgão.Veja também: Dagoberto volta aos treinos e deve reforçar São Paulo Hernanes ansioso pela estréia do São Paulo na Libertadores "Cada um tem uma interpretação diferente das imagens do lance", resumiu Kalil Rocha Abdala, diretor jurídico do São Paulo. "Não se pode dizer nada, simplesmente pelo que ocorreu, é preciso esperar a denúncia oficial", afirmou o dirigente.Se for mesmo denunciado pelo artigo 253, o centroavante pode pegar de 120 a 540 dias (quatro meses a um ano e meio) de suspensão. Mas há grandes chances de os advogados conseguirem desqualificar a acusação. A estratégia seria classificar a agressão de Adriano a Domingos no artigo 250 - praticar ato desleal ou inconveniente - ou no artigo 255 - praticar ato de hostilidade contra adversário ou companheiro de equipe. Ambos itens prevêem punição de apenas 1 a 3 jogos de suspensão.Há ainda uma alternativa que abrandaria a pena a Adriano: incluí-lo no artigo 258 - cometer ação contrária à moral desportiva -, que resultaria em pena de 1 a 10 jogos. "O Adriano não chegou a agredir o Domingos. E só encostou a cabeça nele, por reação, pois foi empurrado antes, pelo santista", interpreta o advogado José Izar. "Não ficou caracterizada a agressão, apenas uma tentativa", opina. O julgamento do são-paulino está marcado para a próxima segunda-feira. Antes mesmo de a sentença do Tribunal ser conhecida, a possibilidade de perder Adriano por mais jogos - ele cumprirá automática diante do Marília, domingo, em Marília -, já irrita o técnico Muricy Ramalho. "Não adianta eu opinar sobre o caso, porque esse assunto é problema do Tribunal, não meu", disse o treinador. "A discussão é se houve a agressão, ou foi apenas uma intenção de agredir. Mas não adianta eu dizer nada", observou Muricy.O treinador, que já confirmou Aloísio para o lugar do camisa 10, garante que ainda não conversou com Adriano sobre a expulsão. "Mas não resolve falar nada agora, depois que já aconteceu", ponderou Muricy Ramalho. "Sempre oriento os jogadores a não serem expulsos, nem levarem cartões desnecessários, mas acontece", lamentou. Os companheiros, evidentemente, estão do lado do centroavante. "Não foi um ato tão violento da parte dele", opinou o volante Hernanes. "Ele deve ter sido provocado, porque às vezes uma palavra irrita mais do que uma agressão", comentou. "Se for assim, quem agride o outro, verbalmente, também deveria ser enquadrado", raciocinou o jogador. Na volta do elenco aos treinos, nesta terça-feira, no Centro de Treinamentos da Barra Funda, Adriano evitou as entrevistas. Seu único comentário sobre o lance foi feito logo depois de deixar o gramado. "Ele [árbitro] está equivocado e está tentando compensar as m... Que fez em campo", disse, no domingo. "Nós só encostamos as cabeças, não foi nada", afirmou.

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