Adversários vão torcer para o Boca

Celso Roth, técnico do Palmeiras: "Agora, o Palmeiras é Brasil". A afirmação foi feita depois da dramática vitória sobre o Cruzeiro, nos pênaltis, fora de casa, que garantiu a equipe como a única representante brasileira na Taça Libertadores da América. Celso Roth, hoje: "Torcedor que não é fanático vai torcer por nós." Mas se depender das torcidas adversárias, a pretensão do treinador palmeirense não terá a menor chance de dar certo. Nas semifinais da competição, o Palmeiras vai enfrentar o Boca Juniors. No entanto, nem mesmo a tradicional rivalidade entre Brasil e Argentina parece sensibilizar as torcidas de Corinthians, São Paulo e Santos. "Os corintianos são argentinos desde criancinha", afirmou o apresentador de TV Serginho Groisman. Mas que tal torcer pelo Palmeiras em nome do futebol brasileiro? "Isso é impossível!"Mesmo sem ser famoso, o também corintiano Ademar Cruz dos Santos, vendedor ambulante, garantiu que a colônia argentina em São Paulo nunca foi tão grande. "Parece que todo mundo nasceu em Montevidéu (sic)", afirmou, tropeçando na geografia. Montevidéu é a capital do Uruguai. "Conheço um pessoal que já está preparando camisas do Boca para vender por aí", revelou, enquanto trabalhava nos vagões da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).Explicação - Na realidade, o que se constata nas ruas, em conversas entre amigos ou colegas de trabalho é que a rivalidade entre torcedores de clubes de futebol é maior do que entre países. "As pessoas vivem mais de perto a disputa esportiva. Ainda mais nos dias de hoje, com o mundo dividido mais em blocos do que em países. Por isso, estamos lutando para manter a Copa Mercosul", afirmou o vice-presidente de Futebol do Corinthians, Antonio Roque Citadini. Mas por qual clube ele vai torcer nesta Libertadores? "Eu só torço pelo Corinthians."Como toda regra tem sua exceção, nesse caso ela se chama Oscar Schmidt. Santista de coração, o "Mão Santa" do basquete brasileiro garantiu que vai torcer pela equipe do Parque Antártica. Mas fez questão de explicar os motivos da "traição". "Sabe o que acontece? Tenho um filho (Felipe) palmeirense e por ele faço qualquer sacrifício."

Agencia Estado,

01 de junho de 2001 | 19h22

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