Advogada já recebeu ameaça de morte

O caso de Luizão ainda não está encerrado, mas a decisão de hoje do juiz Glener Pimenta Stroppa gerou polêmica em torno da atuação de Gislaine Nunes, a advogada dos craques. Especialista em conseguir a liberação de jogadores por meio da Justiça do Trabalho, ela diz que seu ofício incomoda tanto que já recebeu até ameaças de morte. "Agora parou um pouco, mas quando Juninho Pernambucano conseguiu a liberação do Vasco (no ano passado, para jogar pelo Lyon, da França) recebi ameaças", conta. "Não sei de quem partiam nem posso acusar ninguém, mas sempre vinham de orelhões e foram tantas envolvendo minha família que tive de colocar um detector de chamadas nos telefones." Pelas contas de Gislaine, que dá expediente no Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, graças ao seu trabalho pelo menos 115 jogadores obtiveram a liberação de seus clubes. Entre os alforriados estão Ronaldo (goleiro), Júnior Baiano, os dois Juninhos (o Paulista e o Pernambucano), Dida, Márcio Santos, Galván, Aristizabal e Odvan. Também há os casos em que os jogadores não alcançam o objetivo. O lateral Maicon, que chegou a jogar pela seleção olímpica, tentou livrar-se do Cruzeiro e não conseguiu. Luiz Mário também está enrolado. Segundo a advogada, o atacante, que queria transferir-se para o Grêmio, omitiu o fato de ter um contrato de imagem em vigor com o Corinthians, o que mudou o perfil do caso. "Esse é um dado novo que estamos levando em conta, mas se Deus quiser vamos conseguir sua desvinculação", afirma. Encontrar a vocação não foi difícil para a advogada de 34 anos e dona de uma vasta coleção de camisetas de clubes e da seleção brasileira, todas assinadas por seus clientes. "Adoro tanto jogador de futebol que até casei com um", define, referindo-se a Evandro Nunes, um ex-lateral da Ponte Preta que atua como empresário e sócio do zagueiro Márcio Santos. "Jogador é carente de pessoas que sejam sinceras, que não se aproximem deles em busca de algum benefício futuro." Entre os dirigentes o cartaz de Gislaine, obviamente, não é dos melhores. O deputado Eurico Miranda, presidente do Vasco, teria chegado a chamá-la de "advogada de porta de xadrez". Nem todos, porém, assumem posição tão aberta, pelo menos publicamente. "Ela faz seu papel profissional, os dirigentes é que precisam sentar e conversar a respeito dessas ações na Justiça", diz José Dias, diretor de Futebol do São Paulo, que viveu dias de atrito com a advogada quando Rogério Ceni brigou com a diretoria e ameaçou deixar o clube, em julho do ano passado. O vice de Futebol do Corinthians, Antonio Roque Citadini, recusa-se a comentar o trabalho da advogada, mas dá sua opinião sobre a onda de ações na Justiça: "Há muitos jogadores envolvendo-se em aventuras judiciais. O caso do Luizão é um deles."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.