Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Advogados de Marin pretendem recorrer e pedir prisão domiciliar

Juíza americana Pamela Chan vai anunciar a sentença contra o brasileiro, já condenado por seis crimes e prejuízos milionários ao futebol, nesta quarta-feira

Jamil Chade, Estadao Conteudo

21 Agosto 2018 | 16h44

Os advogados do ex-presidente da CBF José Maria Marin vão recorrer da decisão da corte de Nova York, caso a sentença que será anunciada nesta quarta-feira contra o ex-cartola inclua um período extenso de prisão ou uma pesada multa. A juíza americana Pamela Chan vai anunciar a sentença contra o brasileiro, já condenado por seis crimes e prejuízos milionários ao futebol.

A estratégia de defesa é recorrer à Corte de Apelação e, ao mesmo tempo, pedir que Marin aguarde a decisão em prisão domiciliar, valendo-se do fato de possuir um apartamento em Nova York e de ter demonstrado, entre 2015 e 2017, que não existiria risco de fuga. Assim, o objetivo é prolongar ao máximo uma decisão final, garantindo ao brasileiro mais tempo em sua própria residência. De acordo com sua defesa, o cenário de aceitar a culpa nos crimes denunciados, como fizeram os demais ex-cartolas presos pelo FBI, está descartado.

O Estado apurou com pessoas próximas a Marin que sua idade é um fator que tem pesado. A segregação teria deixado sequelas em um homem de 86 anos. O ex-presidente da CBF tem recorrido ao serviço de saúde da prisão nas proximidades de Nova York. Ele também tem sido medicado, diante de seus problemas de hipertensão arterial.

No Centro de Detenção Metropolitana do Brooklyn, onde está desde dezembro de 2017, Marin raramente recebe visitas, e elas se limitam aos seus advogados de defesa. Prestes a saber seu destino, o ex-presidente da CBF e ex-governador foi abandonado pela cúpula da CBF e, por instruções suas, pediu que sua mulher não o visite.

A questão da idade e o estado de saúde foram os argumentos usados pela própria promotoria americana para pedir uma sentença menor. Em documentos enviados recentemente à corte, eles alertam que seus crimes teriam de ser punidos por uma sentença de 24 anos. Mas admitem que o período seja reduzido para dez anos. Em troca, os promotores querem a aplicação de uma multa de R$ 26 milhões (R$ 103 milhões), duas vezes o valor da propina que ele recebeu. Seus advogados, porém, dizem que uma multa não poderia passar de US$ 2 milhões (R$ 7,9 milhões).

Os defensores também usam a carta da saúde e a idade para tentar evitar que continue na prisão, mesmo diante da condenação. Alegam ainda que o fato de o brasileiro não falar inglês o mantém ainda mais isolado na cadeia, pois não consegue se comunicar com outros presos.

Mas o isolamento vai além. Pelo que foi determinado pela Justiça americana, Marin não pode ter contato com outros indiciados no escândalo de corrupção da Fifa. Isso, portanto, inclui dois de seus maiores aliados: Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira, o dirigente que colocou o ex-governador no cargo de presidente da CBF em 2012.

Del Nero foi procurado nos últimos dias por telefone para falar sobre a situação de Marin, mas não atendeu às ligações. A CBF foi procurada por e-mail para comentar a situação do dirigente que presidiu a entidade entre março de 2012 e abri de 2015, e não respondeu.

Sem a presença de seus antigos aliados, Marin também vive uma distância em relação à família. Sua esposa, que passou meses ao seu lado em Nova York durante a prisão domiciliar, não realizou visitas frequentes.

Se a juíza optar por uma punição severa nesta quarta-feira, não há garantias de que Marin continue na mesma prisão, já que uma parcela importante dos detentos no local apenas aguarda suas sentenças ou a conclusão de julgamentos.

 

 

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