Thanassis Stavrakis/AP
Thanassis Stavrakis/AP

Advogados de Platini dizem que francês negou qualquer acusação em interrogatório

Ex-jogador foi detido para ser interrogado por suspeitas de corrupção envolvendo a escolha do Catar como sede da Copa

Redação, Estadão Conteúdo

18 de junho de 2019 | 15h56

Detido nesta terça-feira na cidade de Nanterre, no subúrbio de Paris, para ser interrogado por suspeitas de corrupção envolvendo a escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022, Michel Platini, ex-jogador da seleção francesa e ex-presidente da Uefa, negou qualquer acusação sobre ele feita pela Promotoria Nacional Financeira. A informação é dos advogados do francês, que está sob custódia policial nas instalações do Escritório Anticorrupção da Polícia Judiciária.

"Michel Platini não tem absolutamente nada para se recriminar e alega ser totalmente alheio aos fatos dos quais é acusado", afirmaram nesta terça-feira os advogados do ex-jogador francês. "Não é de forma alguma uma detenção, mas sim uma audiência como testemunha no processo dos investigadores. Platini depôs com serenidade e precisão, respondendo a todas as perguntas. Ele está absolutamente confiante sobre a continuação do processo", concluíram.

Platini, que foi presidente da Uefa entre 2007 e 2015, cumpre uma suspensão de quatro anos - que expira no próximo mês de outubro - por violar o Código de Ética da organização ao aceitar, em 2011, um pagamento autorizado pelo então presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, de aproximadamente 1,8 milhão de euros (R$ 7,83 milhões) por trabalhos feitos entre 1998 e 2002.

Além de Platini, foi detida uma antiga conselheira do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, Sophie Dion, enquanto que o ex-secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Guéant, prestou depoimento sob o status de "suspeito livre", de acordo com a imprensa francesa.

Em 2016, a Promotoria Nacional Financeira abriu uma investigação por suposta corrupção na escolha do Catar para sediar a Copa de 2022, onde o próprio Platini já havia prestado depoimento como testemunha em dezembro de 2017.

A investigação é centrada em um almoço organizado no Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em 23 de novembro de 2010. No evento estavam presentes Sarkozy, Platini, o Emir do Catar, Tamim Ben Hamad Al Thani, e o então primeiro ministro do emirado, Sheikh Hamad, Bem Jassem, além de Guéant e Sophie Dion.

Essa detenção deve dificultar os planos do francês de voltar ao futebol. Platini era declaradamente candidato à sucessão de Joseph Blatter como presidente da Fifa antes de os casos de corrupção estourarem em 2015.

A Fifa emitiu uma nota oficial nesta terça-feira afirmando que não tem maiores detalhes para comentar a detenção de Platini, mas reitera o total comprometimento com as autoridades de qualquer país do mundo onde haja investigações relacionadas ao futebol.

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