AFP
AFP

AFA denuncia intervenção estatal à Fifa e Conmebol

Governo de Mauricio Macri colocou dois fiscais para analisar as contas da instituição

Rodrigo Cavalheiro, correspondente em Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2016 | 21h27

O presidente da Associação do Futebol Argentino, Luis Segura, enviou nesta quinta-feira, 2, uma carta à Fifa e à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) em que relata uma intervenção estatal no futebol do país. Na segunda-feira, o governo de Mauricio Macri colocou dois fiscais para analisar as contas da instituição e determinou o adiamento por 90 dias a eleição marcada para 30 de junho. 

As duas associações podem punir o país com a desfiliação caso considerem que houve mesmo uma intervenção, mas a hipótese é considerada remota na Argentina, primeiro colocado no ranking da Fifa. Sanções semelhantes ocorreram com Benin e Kuwait no início do mês. 

Alguns dirigentes da AFA reagiram à ação do governo Macri ameaçando pedir o retorno da seleção da Copa América. A hipótese foi descartada na terça-feira por Segura. A Casa Rosada rejeita o termo intervenção, por considerar que isso só ocorreria com a troca no comando da instituição. Segundo os jornais Clarín e La Nación, interlocutores de Macri consultaram a Fifa para certificar-se de que a ação na AFA não acarretaria sanção.

 

Um dos favoritos para vencer a eleição na AFA é o presidente do Independiente, Hugo Moyano, sindicalista mais influente do país. Aliado de Macri na eleição para a Casa Rosada no ano passado, Moyano não teve seu apoio retribuído pelo chefe de Estado, ex-presidente do Boca Junior. Seu rival mais forte, o apresentador de TV Marcelo Tinelli, dirigente do San Lorenzo, desistiu de participar da eleição nesta quinta-feira. A hipótese de Tinelli comandar uma liga nos moldes da espanhola e Moyano assumir a AFA, com controle sobre a seleção, foi vetada pelo presidente do Boca, Daniel Angelici, afilhado político de Macri. 

A eleição para a AFA deveria ter ocorrido em 3 de dezembro. Os candidatos eram Tinelli e Segura, herdeiro político de Julio Grondona, que morreu em 2014 em meio a investigações de corrupção. Em uma votação com 75 dirigentes, houve empate de 38 a 38. O escândalo aumentou a pressão por mudança no controle da instituição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.