Afinal, Fábio Costa é herói ou vilão?

Em um ano, Fábio Costa já viveu emoções fortes no Corinthians. Duas amargas. Ele quase foi rebaixado para a Segunda Divisão no Paulista de 2004 e escapou por sorte de um soco dado no ar de um torcedor irado com a vergonha de ver o time goleado por 5 a 0 pelo Atlético-PR em pleno Pacaembu, no Brasileirão. Mas safou-se. O goleiro esteve presente na retomada do time no Nacional passado, após freqüentar a zona de descenso. O Corinthians, surpreendentemente, acabou na 5ª colocação.Quando tudo parecia calmo, sob céu de brigadeiro no Parque São Jorge, chegou a MSI e os milhões de dólares de Kia Joorabchian. Veio Tevez. E com ele, as cobranças. Este ano, ele já falhou duas vezes. Mas o baiano de gênio forte foi controlado. Ele percebeu o quanto o elenco e Tite precisam de seu apoio e de sua personalidade. E Fábio Costa comprou a briga. Para ele, ninguém toca no treinador.Agência Estado - Os resultados até agora não foram os esperados. Você não está frustrado assim como os torcedores?Fábio Costa - Frustrado? Como assim? O nosso grupo treinou cinco dias e já estava jogando no Paulista. Estamos nos conhecendo durante as partidas. Essa cobrança não tem cabimento. Aponte um, um só jogador que tenha falado mal dos galácticos? Ninguém aqui quis promover uma coisa que não existe. Uma coisa é mídia, outra é futebol. Eu acho que ninguém pode ficar frustrado. Este time será forte. Forte de verdade. Só não teve tempo de mostrar isso ainda.AE - Tempo é difícil mesmo. Como o grupo está emocionalmente?Fábio Costa - Olha, eu vou falar de uma coisa que parece óbvio só que ninguém se tocou ainda. Eu tenho 27 anos e sou o segundo mais velho do elenco. O primeiro é o Marinho, com 29 anos. O resto é jovem. O Tevez tem 20, o Carlos Alberto, 20. O Jô, 17 anos. A média de idade é baixíssima. Não dá para cobrar maturidade tão rápido dessa moçada. Essa falta de experiência se mostra na vontade exagerada de querer ganhar. Mas essa fase vai passar. O time estará entrosado mais rápido do que as pessoas esperam.AE - Só que existem buracos no time corintiano e as conseqüências podem recair sobre o Tite...Fábio Costa - Eu nem gosto de falar sobre isso porque quem contrata não são os jogadores. Mas todo mundo que pensa um pouco nota que o Corinthians só tem um meia, o Carlos Alberto. E nós iremos jogar pelo menos 80 vezes na temporada. Precisamos de uns três armadores. Isso é claro. A falta de atletas nesta posição atrapalha demais ao Tite. Ele já cobrou e não pode ficar falando sempre. Cabe às pessoas que acompanham o Corinthians perceber isso. Não há como criticar o Tite. Depois que ele tiver um elenco completo será outra história. Antes, cobrá-lo é injusto.AE - Ou seja: na sua visão, o Tite merece mais consideração?Fábio Costa - Muito mais. Quer ver uma coisa. O começo do ano tem sido uma correria no Corinthians. O Tite recebeu o Carlitos e o Carlos Alberto. Os dois são estrelas de milhões de dólares e coisa e tal, mas sabe quantos coletivos eles fizeram no Corinthians? Nenhum. Isso pesa quando o time entra em campo. Não houve tempo para treinamentos. É lógico que eles não podem render o quanto se espera. E a culpa recai em quem não tem nada a ver: Tite.AE - Você acabou se tornando o grande líder dos atletas que ficaram no clube. E como você mesmo lembrou, todos jovens. A sua responsabilidade cresceu?Fábio Costa - A responsabilidade precisa ser dividida porque quando começarmos a ganhar, todos ficarão bem. Agora é hora de sacrifício e participação de todos. Nós só vamos virar time se todos participarem. Você é regular. Mas falhou contra Marília e Sampaio Corrêa... Sou homem suficiente para assumir os meus erros. Um erro meu aparece mais, tem peso maior que o de qualquer jogador. Contra o Marília eu assumi, mas contra o Sampaio Corrêa, não. A bola estava perto do Anderson e tomou efeito no gramado. Não foi falha minha. Não assumo o que não fiz. Não posso pagar por todos os pecados.

Agencia Estado,

07 de fevereiro de 2005 | 11h43

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