África deve ser a 1ª missão de Kaká

Ontem foi mais um dia especial para Kaká na Itália. Não dentro de campo, como se tornou comum nesse um ano e meio em que ele encanta os torcedores com suas arracadas irresistíveis, mas no auditório do Estádio San Siro. Aos 22 anos, ele se tornou o primeiro jogador de futebol a ser nomeado embaixador das Nações Unidas para o combate à fome. E o mais jovem embaixador dos programas sociais patrocinados pela ONU.John Powell, diretor-executivo do WFP (Programa Mundial de Alimentos), tem certeza de que a imagem do craque será muito útil para o trabalho da ONU na luta contra a fome. "Os jogadores de futebol são embaixadores naturais. É o esporte mais popular do mundo, elimina fronteiras e une culturas. Ao visitar nossos projetos, Kaká poderá utilizar sua fama e talento para dar um futuro melhor a 800 milhões de pessoas que sofrem com a fome."Pouco depois do evento, Kaká conversou por telefone com a Agência Estado.Agência Estado - Como você virou embaixador da ONU para o combate à fome?Kaká - Em julho, quando eu estava de férias no Brasil, em São Paulo estava acontecendo um evento da ONU (o UNCTAD, Confederência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). O pessoal que faz parte do programa (WFP) me procurou, começamos a conversar e no começo de outubro aceitei o convite para ser embaixador no combate contra a fome.AE - E o que pesou mais para fazer você aceitar?Kaká - O pessoal me mostrou os números sobre a fome no mundo e fiquei impressionado. Além disso, me explicaram direitinho como é a forma de atuação do programa, quais os resultados...Cheguei à conclusão de que tinha que aceitar, porque seria uma boa maneira de ajudar como eu gostaria as pessoas que sofrem com a fome. Estou muito feliz, porque sou o primeiro atleta de futebol a entrar para o programa e o mais jovem dos embaixadores da ONU.AE - E como vai ser a sua atuação?Kaká - Inicialmente, vou ser um porta-voz do programa e aproveitar as minhas entrevistas para divulgar suas ações. Depois pretendo ir a eventos para ajudar a arrecadar fundos e visitar países quando for feita a distribuição do que tiver sido arrecadado.AE - É verdade que o primeiro país que você visitará será Angola?Kaká - A sede do programa é em Angola. Quando fui convidado, me perguntaram em quais países eu gostaria de atuar. Disse que o Brasil, por seu o meu país, e também que gostaria de conhecer a sede do programa. Também gostaria de visitar outros países da África.AE - O duro é achar brecha no calendário para fazer essas viagens...Kaká - É um pouco complicado, porque temos realmente muitos jogos. Mas como toda a programação da temporada já está feita, tenho certeza de que vou conseguir um tempinho para viajar.AE - O governo Lula patrocina o ?Fome Zero?. Alguma autoridade daqui já te procurou para pedir a sua colaboração nesse programa?Kaká - Não. Mas estou à disposição para coloborar no que for possível.AE - Vamos falar um pouco de futebol. A Fifa divulgou a lista dos três candidatos ao prêmio de melhor do mundo e você joga com dois: o Shevchenko no Milan e o Ronaldinho Gaúcho na seleção. Dá para arriscar um palpite?Kaká - É muito difícil... São dois grandes amigos e ambos atravessam um momento excelente. Espero que um deles ganhe.AE - O que você achou das críticas à seleção pela derrota em Quito?Kaká - Achei injustas. Se a a gente tivesse terminado o ano na liderança, ninguém ia falar nada. As pessoas precisam entender que a maioria dos jogadores tinha jogado domingo e passado a segunda-feira inteira dentro do avião. Treinamos meia hora ao nível do mar na terça e jogamos na altitude na quarta.AE - Quanto tempo você vai passar no Brasil no fim do ano?Kaká - Ainda não sabemos se vamos. Jogo dia 19 e volto a treinar dia 27. Meu irmão também precisa estar de volta dia 27. Vai ser meio corrido, porque teríamos que pegar o avião dia 26.

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