Agentes com livre acesso na seleção

A troca no comando da seleção brasileira não refletiu no ambiente do time nas Eliminatórias de 2002. Empresários, amigos e patrocinadores da CBF tiveram livre acesso ao Hotel Sheraton, em Montevidéu, nos três dias em que a equipe do Brasil passou no Uruguai. Os jogadores e a comissão técnica foram assediados como acontecia nas gestões de Wanderley Luxemburgo e Émerson Leão. Nem o "sargentão" Luiz Felipe Scolari deu jeito nas complicadas relações entre empresários, atletas e tietes.O palco ideal da festa foi o enorme saguão do Sheraton, em Punta Carrera, região chique da capital uruguaia. A maioria dos empresários se hospedou no hotel para ficar ao lado dos seus jogadores. Estavam lá Juan Figer, enrolado na CPI dos deputados, Gilmar Veloz, Jorge Machado, Claudio Guadagno, Roberto Assunção e Mauro Rossi, para falar apenas dos mais conhecidos - a maioria Agente Fifa.Com livre trânsito, os empresários tiveram tempo suficiente para cuidar de seus pupilos. Eles não foram ao Uruguai em busca de negócios, foram apenas para ficarem próximos dos jogadores que estão atuando na Europa - uma rara oportunidade para encontrar os atletas e resolver seus problemas mais urgentes. Alguns mais ousados foram recebidos com abraços calorosos do próprio técnico Luiz Felipe Scolari, ainda um pouco assustado com o ambiente de seleção brasileira.Roberto Assunção, procurador de Geovanni, e Mauro Rossi, agente de Fábio Rochemback, eram os que estavam mais eufóricos. Agitados pelo saguão, queriam garantias de que os dois jovens jogadores poderiam embarcar nesta segunda-feira para Barcelona.Rochemback relutava em embarcar porque queria antes passar por Caxias para rever a namorada. Geovanni disse que viajaria sem problema.Os dois garotos e mais os empresários embarcaram nesta segunda-feira mesmo. Geovanni custou US$ 18 milhões e Rochemback, US$ 12 milhões. Eles seriam apresentados na terça-feira como os novos reforços do Barça.O staff de comunicação da Ambev, nova parceira da CBF com um contrato que prevê o desembolso de US$ 10 milhões ao ano, também acompanhou a seleção. Foi a primeira vez que Ambev entrou no ambiente do time do Brasil em um jogo das Eliminatórias da Copa de 2002. A Nike, como vem fazendo desde 1996, quando assinou contrato com a CBF, também estava representada na delegação brasileira.Do séquito de empresários, uma dúvida: o que estaria fazendo Juan Figer, quase um patrono dos agentes brasileiros de jogadores, no hotel da Seleção? Figer é uruguaio e tem casa em Montevidéu, mas preferiu se hospedar no Sheraton. Detalhe, este hotel foi construído no mesmo local em que havia o Presídio de Punta Carrera, um dos maiores da América Latina.

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