Agnelo quer estádio de Brasília com cadeiras vermelhas

Idealizado com as cadeiras nas cores do País - verde, amarela e azul -, o projeto do Estádio Nacional de Brasília sofreu um atropelo. Se depender do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), as cadeiras serão feitas na cor vermelha, como o logotipo e outras marcas que identificam o PT. A mudança é alvo de uma ação encaminhada à Promotoria do Patrimônio Público do DF. Os promotores aguardam uma nota técnica para decidir sobre a mudança. Mas a maquete do estádio está como foi projetada, com os assentos lembrando a Bandeira Nacional.

ROSA COSTA, Agência Estado

14 de novembro de 2012 | 16h45

Especializado em arquitetura esportiva e responsável pela edificação, o arquiteto Eduardo de Castro Mello afirma que a ideia inicial seria a de manter a área vip na cor azul, "significando a hospitalidade". Já os assentos das arquibancadas iriam variar do amarelo claro ao verde, "salpicados como uma galinha carijó", compara. Ele informa que o procedimento, também utilizado na África do Sul para a Copa de 2010, além de repetir as cores do País, passa a impressão de que o estádio está lotado, mesmo quando isso não ocorre.

Castro Mello deixa claro que não quer alimentar a polêmica com o governador do Distrito Federal. "A gente apresenta as cores, mas não levamos nada para o lado político, a decisão é do cliente", ressalva. Ele diz ainda ter descartado o vermelho nos assentos para evitar a "sobreposição" prevista para estádios de outras localidades que sediarão jogos da Copa de 2014.

Com capacidade para 70 mil pessoas, o Estádio Nacional de Brasília deve ser entregue na virada do ano. E será palco do jogo de abertura da Copa das Confederações, no dia 15 de junho de 2013, além de receber sete partidas no Mundial de 2014.

A assessoria de comunicação do governador Agnelo Queiroz informa que as obras do estádio custarão R$ 800 milhões. Os senadores por Brasília, Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB), afirmaram na tribuna que o preço superou a casa de R$ 1 bilhão, enquanto que pessoas próximas ao governador preveem que custará mais de R$ 1,5 bilhão.

A assessoria de Agnelo Queiroz diz ainda que a escolha das cores das cadeiras foi uma decisão técnica da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo de Brasília (Secopa-DF). "Não houve alteração, já que o edital de licitação das cadeiras afirmava que as cores ainda seriam definidas", afirma, ignorando a sugestão do projeto aplicada na maquete da obra. "Baseado em experiência de outros estádios do Brasil e do mundo, a secretária escolheu o vermelho para os assentos da arena e a cor vinho para os camarotes", acrescenta.

Outra explicação oficial é que o vermelho facilita a substituição das cadeiras, apesar de se tratar de uma das cores mais sujeitas ao desbotamento. "A Secopa-DF avaliou que, com o passar do tempo, o oposto ocorre com as demais cores. O verde, sob impacto do sol, torna-se cinza; o amarelo fica com aspecto de sujo", informa ainda a nota da assessoria. Ou seja, alegam que só o vermelho resiste ao sol e ao tempo.

O impasse ocorre oito anos depois de a então primeira-dama Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tentar homenagear o PT mandando fazer nos jardins do Palácio da Alvorada canteiros com flores vermelhas no formato da estrela do partido. O escândalo foi tal que ela desistiu da ideia, aparentemente retomada agora pelo governador petista com outra forma de homenagem.

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