Agora, são-paulinos elogiam o Atlético

Muito provavelmente tentando apagar o mal estar provocado pelas declarações do atacante Amoroso - que disse que no segundo jogo o Morumbi iria se transformar em ?MORUM-TRI?, outros jogadores do São Paulo fizeram de tudo nesta segunda-feira para elogiar o time do Atlético-PR - adversário na final da Libertadores. Para o capitão Rogério Ceni e o zagueiro Lugano, dois dos ídolos da torcida do São Paulo, o Atlético é um time "estrangeiro". E isso é dito em forma de elogio. "É um time guerreiro, tem jogadores que estão sempre lutando pela bola. Eu gosto do Marcão (lateral-esquerdo), até acho que ele tem um estilo parecido com o meu", diz Lugano. "Eu concordo", diz Ceni. "Eles têm muita força física, disputam todas as jogadas, não se entregam nunca. Essas características são mais de times da América do Sul, mas eles têm mais do que isso." Os elogios continuam. Rogério fala, cheio de admiração, do quarteto de frente do Atlético. "O Fernandinho é um jogador muito habilidoso, está em várias seleções de base do Brasil, é um atleta diferenciado. O Fabrício entrou bem no campeonato e tem um chute de fora da área com muito perigo". O ataque. "Impressionante como eles estão ajustadinhos. O Aloísio e o Lima se entenderam muito bem. São dois atacantes muito perigosos, tanto por cima, quanto por baixo." Se é para elogiar, Rogério não tem meio-termo. "Eu acho que a defesa deles está bem plantada e o goleiro é muito bom. O Diego tem 24 anos, oito anos a menos do que eu, é de outra geração e logo vai ter oportunidades na Seleção Brasileira. Tem muito futuro." Para Rogério, o São Paulo de hoje, tem uma vantagem muito grande sobre o do ano passado, que foi eliminado pelo Once Caldas na semifinal. "Todo mundo ganhou um ano a mais de experiência. E, além disso o time está mais velho. Tem média de idade perto dos 30 anos. Tenho certeza que é maior do que a do ano passado." Lugano lembra a chegada de jogadores que trouxeram mais experiência ao time. "O Luizão sempre jogou bem nas Libertadores, é um jogador acostumado a esse tipo de competição. O Júnior também foi campeão, pelo Palmeiras e agora chegou o Amoroso que disputou várias competições na Europa. Tudo isso ajudou muito o nosso time nessa Libertadores." Rogério Ceni tentou tirar todo o peso de uma final de Libertadores. "Para mim, essa competição não é um sonho, não é uma obsessão. Eu quero ganhar, sei da necessidade que temos de ganhar, sei da importância que a torcida dá à Libertadores, mas encaro como uma decisão a mais. E estamos preparados para ela." Ele diz que está pronto para o jogo desta quarta-feira no Beira-Rio. "Eu me preparei para jogar da melhor maneira possível. Estou treinando para isso. Agora, é hora de decidir. Não adianta ficar pensando em mais nada. Não consigo imaginar como é a sensação de ser campeão da Libertadores. Acho que vai ser a mesma sensação que senti em 1993, quando estava na reserva do Zetti." Rogério Ceni não viu uma partida excepcional em que se viu que o São Paulo poderia ter chegado longe nessa competição. Na verdade, o goleiro sabe que esse é o seu grande momento no clube. Um título dessa importância lhe dará o respaldo que ainda não tem, apesar de tantas partidas jogadas pelo clube. Por isso, fala pouco. Não vê, por exemplo, grande importância em jogar no Beira-Rio e não na Arena. "A partida vai se decidir em campo, não interessa o campo. Não vejo uma vantagem grande para o São Paulo. O que nós precisamos é de uma boa partida no campo deles." Lugano concorda. Ele acha que a Libertadores mudou muito e que não há mais pressão que mude resultados. "Isso é no tempo antigo, quando não tinha televisão. Hoje, todo mundo vê os jogos. Pressão não ganha mais partida de Libertadores, não", diz em seu sotaque castelhano. E cita um exemplo. "O pessoal do River jogou bomba no nosso ônibus e nós ganhamos o jogo, não foi." Ele se esquece que no Morumbi também houve bombas contra o River Plate. E o São Paulo ganhou por 2 a 0." Contra Tigres e River Plate, o São Paulo fez a primeira partida em casa. Ganhou bem e confirmou a vaga na casa do adversário. Contra o Palmeiras, foi o contrário. Ganhou de 1 a 0 no Parque Antártica e conseguiu confirmar a classificação em casa. Qual seria um resultado bom no primeiro jogo contra o Atlético? "Em termos numéricos, eu não sei. Só digo que temos de lutar muito para voltar de lá com uma vitória. Queremos vencer. Se conseguirmos, será um bom passo."

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