Agredido por Serdan, técnico sai do time sub-14 do Palmeiras

Márcio Vicente vai cuidar apenas do time sub-15 e admite receio; ele diz ter fraturado o rosto e a costela

04 de outubro de 2007 | 12h34

O técnico Márcio Vicente, das categorias de base do Palmeiras, não vai mais dirigir o time sub-14 do clube após a agressão de Paulo Serdan, presidente de honra da torcida organizada Mancha Alviverde. Sua saída tem como intenção evitar mais problemas e tranqüilizar sua família. "Não sou mais técnico do sub-14, só do sub-15. Não existe mais clima. Saio pra evitar qualquer problema que possa acontecer. Tenho família, uma filha pequena. Minha esposa só chora, pede para não ir mais, mas a diretoria do Palmeiras pediu para continuar", diz Vicente, em entrevista à rádio Jovem Pan.Ele contou como aconteceu a agressão. "Neste jogo tivemos cinco desfalques, entre eles o lateral-esquerdo. Coloquei o reserva imediato, que era o Kaique, mas ele não estava bem. Substituí ele para poupá-lo, coloquei um outro garoto improvisado. Ao final do jogo, fizemos alongamento, oração. Terminado isso, olho pra trás, e vejo ele [Serdan], que me deu um soco no rosto. Não estava preparado para isso, caí. Fraturei três costelas e o rosto." Ao cair, Vicente diz que não consegue se lembrar de mais nada. "Depois do soco e de um chute nas costas, tive falta de ar, ficou tudo preto. Meu preparador físico e os garotos tiraram ele de perto, graças a Deus. Só lembro que, no soco, ele disse que era pelo pai [a atitude]. No chão, pelo torcedor."A irritação de Serdan com seu trabalho vem desde que ele assumiu, em agosto do ano passado, quando precisou diminuir a quantidade de jogadores no time a pedido da diretoria do clube, diz Vicente. Alguns destes jogadores tinham vínculo com o Atlético de Madrid, um time amador da capital paulista mantido pelo Serdan e pela torcida organizada. "Logo depois das dispensas, num jogo no CT, contra a Mercedes, ele [Serdan] me xingou. Daí chamaram para uma reunião com a diretoria e disseram para ele se acalmar. Fiz aquilo que a diretoria pediu. Não sabia da ligação com o Atlético de Madrid. Acredito sim que tudo tem relação com isso", afirma.Vicente faz questão de isentar Kaique, filho de Serdan, de qualquer problema. "O garoto é bom menino, não sou pessoa de guardar rancor, eu sempre que possível colocava o filho dele." A agressão de Paulo Serdan está sendo investigada pelo Ministério Público, que admite a possibilidade de pedir a prisão do torcedor se for caracterizada a agressão como grave. Por enquanto, a única punição sofrida por ele é estar suspenso do quadro de sócios do Palmeiras, estando impedido de entrar no clube.

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