Gregório Cunha / EFE
Gregório Cunha / EFE

Agredidos por torcedores, atletas do Sporting jogarão a final da Copa de Portugal

Presidente do time diz que irá reforçar segurança do clube e pede investigação

Estadão Conteúdo

16 Maio 2018 | 12h58

Um dia depois de terem sido vítimas de agressões de um grupo de cerca de 50 torcedores que invadiu o treino do clube na última terça-feira, os jogadores do Sporting confirmaram oficialmente nesta quarta que resolveram entrar em campo para defender o time no próximo domingo, contra o Deportivo Aves, em Oeiras, pela final da Copa de Portugal.

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Por meio de um comunicado oficial divulgado pelo Sindicato de Jogadores do país, os atletas informaram que entrarão em campo apesar do fato de não possuírem "condições anímicas e psicológicas para de imediato retomarem a sua atividade de uma forma normal" depois dos atos de violência ocorridos no CT do clube.

Encapuzados para esconder os seus rostos, os vândalos adentraram o local e, de acordo com relatos de quem presenciou as agressões, os torcedores tentaram intimidar os presentes no gramado do CT e rapidamente partiram para a violência usando tochas, barras de ferro e cintos para agredir os atletas e membros da comissão técnica.

Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho e Battaglia, além do técnico Jorge Jesus e do auxiliar Raul José, foram alvos dos torcedores. Entre eles, o atacante holandês Dost foi quem levou a pior. Ele teria sido encurralado e jogado ao chão, antes de levar chutes, pontapés e golpes de ferro na cabeça. Imagens dele já no hospital mostraram dois profundos cortes em sua testa.

Ao comentar as agressões, os jogadores qualificaram as mesmas, no comunicado desta quarta-feira, como de "enorme gravidade" e destacaram que os acontecimentos "impõem uma reflexão séria, calma e racional no que respeita às suas consequências e eventuais medidas a tomar por cada um, de acordo com os termos e prazos legais".

E, ao justificarem os motivos pelos quais decidiram atuar, os atletas enfatizaram no comunicado desta quarta-feira que a Copa de Portugal é "uma festa do futebol português, um espelho do desporto nacional, no qual estão incluídos todos os profissionais de futebol, o bom nome de Portugal e a dignidade das instituições do futebol", assim como destacaram que entrarão em campo "também por respeito pelos seus colegas, pelo Clube Desportivo das Aves e por todos que amam e vivem o futebol".

INVESTIGAÇÃO

Pouco depois da confirmação dos jogadores de que estarão em campo no próximo domingo, o Sporting divulgou um outro comunicado em seu site oficial para confirmar que foram realizadas buscas nas instalações do clube como parte de uma investigação que servirá para apurar os responsáveis pelos atos de violência e para que depois a Justiça possa punir os envolvidos criminalmente.

"O Sporting Clube de Portugal confia na justiça e, como sempre defendeu, prestou e prestará toda a colaboração necessária para a apuração da verdade", informou o clube.

A ira destes torcedores do Sporting que invadiram o CT do clube na terça-feira foi motivada pelo fato de o time não ter conseguido classificação para a Liga dos Campeões da Europa da próxima temporada, em fracasso amargado com uma derrota para o Marítimo na última rodada do Campeonato Português, no último final de semana.

ATO CRIMINOSO

Depois de o clube repudiar a violência dos torcedores na última terça-feira, o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, também falou na noite seguinte ao canal de TV do time, no qual qualificou a atitude deste grupo de vândalos como um "ato criminoso" e prometeu que vai reforçar a segurança nas dependências do clube.

"O que se passou aqui é um ato criminoso, a polícia tem cá estado desde o primeiro momento e vamos aguardar para ver quem são (os agressores) e tomar as nossas medidas. Os jogadores, como é lógico que aconteça, num primeiro momento, estão em estado de choque, como todos nós estaríamos", lamentou o dirigente.

Bruno de Carvalho ainda admitiu que foi decepcionante para a torcida a equipe não ter conseguido conquistar a classificação para a Liga dos Campeões, mas enfatizou que nada justifica os atos violentos da última terça. "Posso compreender a frustração por parte dos 'sportinguistas', mas repudio, como o Sporting já fez, todas estas situações. Isto não é frustração, é crime público", ressaltou.

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