FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

‘O São Paulo estava com fome de voltar a ser competitivo’

Em entrevista exclusiva, treinador diz o que mudou no time desde a sua chegada e aponta qual o maior concorrente na luta pelo título

Entrevista com

Diego Aguirre, técnico do São Paulo

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2018 | 05h00

Um gigante adormecido. Foi o que o uruguaio Diego Aguirre encontrou ao desembarcar no São Paulo em março, para o terceiro trabalho no Brasil. "Times grandes, às vezes, estão um pouco adormecidos, mas, quando acordam, vão com tudo. Por isso, o São Paulo não está me surpreendendo", diz o técnico da equipe que briga ponto a ponto com o Internacional pela liderança do Campeonato Brasileiro

Nesta entrevista exclusiva ao ESTADO às vésperas do clássico contra o Santos, neste domingo, às 16h, na Vila Belmiro, o uruguaio explica o que mudou na equipe de lá para cá, aponta as maiores virtudes do elenco e revela qual concorrente mais preocupa na luta pelo título brasileiro: o próprio São Paulo. 

Você já tem mais jogos no São Paulo (34) do que teve no Atlético-MG (31) e, com os 14 restantes do Brasileirão, igualará os 48 que teve à frente do Internacional. Para dizer que o São Paulo será o seu trabalho de maior duração no Brasil, você precisará estar na estreia do Paulistão de 2019. O torcedor já pode contar com isso?

É uma coisa provável, mas que ainda não está definida apenas porque agora não é momento de tirar o foco do que estamos fazendo, dos jogos, e de terminar bem esta temporada. Depois, voltaremos a falar. Já disse que estou feliz no São Paulo, é provável que continue aqui, mas ainda não quero nem falar disso.

O seu contrato possui alguma cláusula dizendo que, em caso de convite da seleção uruguaia ou de algum clube europeu, o São Paulo tem de liberá-lo?

Nenhuma cláusula. A prioridade absoluta e total é meu compromisso com o São Paulo. Não quis nem falar de nenhuma outra possibilidade.

Quando você chegou, apostava que, em meados de setembro, estaria brigado pelo título brasileiro ou foi uma surpresa até mesmo para você?

Quando pego um time da história e grandeza do São Paulo, vejo como algo possível. Que é difícil, sim, mas já estou acostumado. Times grandes, às vezes, estão um pouco adormecidos, mas, quando acordam, vão com tudo. Por isso, o São Paulo não está me surpreendendo.

E qual foi o seu papel para despertar o São Paulo?

O São Paulo estava precisando viver um momento bom, vinha de um período em que as coisas não estavam bem, mas não é apenas o trabalho nosso da comissão técnica. Todo o São Paulo estava precisando, com fome de voltar a ganhar alguma coisa, ser competitivo. 

Quais os pontos fortes que você destacaria deste elenco?

Uma das coisas mais fortes que temos é o compromisso, a determinação, a atitude. Não apenas nos jogos, mas nos treinos. E é algo que os jogadores vêm demonstrando, estão comprometidos. (Nesse momento, o meia-atacante Nenê passa pelo local da entrevista e brinca com Aguirre, dizendo que ele fizera aniversário no dia anterior e prometera pagar um churrasco se o time ganhasse do Santos. “Carne uruguaia, com churrasqueiro uruguaio”, responde o treinador, com bom humor).

O Internacional vive situação parecida porque também só tem o Brasileiro com que se preocupar, assim como o São Paulo...

Não, não é apenas isso.

Mas minha pergunta é se, de fato, é o concorrente que mais lhe preocupa para esta reta final?

Não, quem mais me preocupa é o São Paulo, não os rivais. Porque dependemos do que nós teremos de fazer. Os outros têm de fazer o trabalho deles. Minha preocupação é o São Paulo, manter o nível, continuar com um jogo que tem sido muito bom até o momento. E falo de verdade, não é... Precisamos ter o nosso nível para vencer o próximo adversário. Depois, vão acontecer coisas. Não sei se Inter, se Palmeiras, se Grêmio. Não sei, minha cabeça está aqui.

Eu interrompi, você iria dizer alguma coisa sobre não ser só a preocupação com o Brasileiro...

Sim, é algo que aconteceu e... Eu gostaria de estar jogando a Libertadores, não é que estou bem porque só tenho o Campeonato Brasileiro. Estamos focados no que temos de fazer, mas gosto de jogar a Libertadores. É um dos objetivos que temos de conquistar também, para no ano que vem estarmos nessa competição.

Será uma frustração se o São Paulo não for campeão?

Frustração é uma palavra muito dura. Não sei. Essa resposta, posso dar apenas se acontecer isso. Assim como ninguém acreditava que nós poderíamos estar hoje na liderança. Não é momento de falar. Se acontecer, poderei responder.

O que acha que o Cuca trouxe ao Santos para fazer o time ter esse salto de qualidade?

Cuca é um grande treinador, Carlinhos Neves (preparador físico), com quem trabalhei no Atlético-MG, é um cara muito bom, capacitado. Não me surpreende o Santos, um time forte, um time grande, com bons jogadores. É normal que sejam um adversário de muito risco.

Há algum jogador específico do Santos que lhe agrada e você gostaria de ter aqui no São Paulo?

Sim, tem muitos bons jogadores de alto nível.

Mas você poderia citar alguns?

Não, não vou falar de nenhum porque, para mim, os jogadores do São Paulo são os melhores. Mas o Santos tem jogadores que qualquer treinador gostaria de ter.

O Gabriel imagino que seja um deles, por ser o artilheiro.

Isso, é você quem está dizendo (risos).

Um empate na Vila poderá ser considerado um bom resultado?

Não, depende de como acontece. Se você merece ganhar e empata, não é bom. Se o outro time é melhor e você tem o empate, bem, poderia ser bom. Mas previamente...

Mas numericamente, analisando apenas a tabela...

Não, mas se você analisar o São Paulo, estamos tentando jogar da mesma forma em casa e fora. Isso, não vou mudar. É um jogo muito difícil, como tantos outros. Respeitamos muito o Santos, mas vamos tentar ganhar.

Da sua experiência no futebol brasileiro, o que destacaria de bom e de ruim?

De bom, organização, estádios, times fortes, estruturas de trabalho, jogadores de alto nível. Coisas negativas não sei, porque para mim a liga brasileira é a mais importante da América do Sul, a mais competitiva, forte. Agora que já tenho uma experiência, por mais que seja uruguaio, me sinto parte da cultura brasileira.

 

 

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