Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Aidar repensa decisão e cogita renunciar ao cargo no São Paulo

Acuado, presidente do clube pode deixar o comando na terça-feira

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2015 | 18h56

O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, recuou da convicção de continuar no cargo e enfrentar a crise política. O dirigente cogita renunciar para escapar da pressão nos bastidores do clube. Segundo apurou o Estado, na terça-feira o mandatário pode apresentar uma carta para oficializar a sua saída após um ano e meio no comando da equipe do Morumbi.

Desde a noite de sexta-feira o presidente do São Paulo tem falado pouco e está recluso. Uma conversa com as suas filhas o fez repensar o propósito de se manter no cargo e enfrentar a crise política, causada principalmente pelas denúncias vinda de ex-aliados, como o ex-vice de futebol Ataíde Gil Guerreiro. "Só queremos a paz de volta em nossas vidas. Nem que para isso ele tenha que sair da presidência", escreveu no Twitter a filha do presidente, Mariana Aidar, após o encontro com o pai.

Na tarde quinta-feira, a postura do dirigente era outra. Durante duas horas ele teve reunião com ex-presidentes do São Paulo, quando garantiu que continuaria no cargo e reconstruiria toda a diretoria depois da demissão coletiva no começo da semana. O encontro, porém, antecedeu dois duros golpes que minaram a força política e aumentaram a pressão sobre Aidar.

Ainda na quinta a imprensa teve acesso a um e-mail de Ataíde com graves acusações, como o desvio de dinheiro em transferêncais de jogadores. Entre as provas, está a gravação de um áudio em que Aidar assume irregularidades. No dia seguinte, o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, anunciou que vai convocar uma reunião extraordinária do órgão para escutar a conversa gravada e dar espaço para Ataíde se manifestar.

Aidar e Ataíde romperam na última segunda-feira, em uma reunião de diretoria que acabou com uma ríspida discussão entre os dois. O ex-vice de futebol esteve perto de agredir o mandatário e ao ser exonerado no dia seguinte, levou o presidente a solicitar que toda a diretoria se demitisse. "O motivo do meu comportamento agressivo está na minha total discordância aos métodos de administração do Presidente. Estes serão discutidos exclusivamente no Conselho Deliberativo do Clube", disse Ataíde em comunicado.

Em caso de renúncia, o estatuto do São Paulo prevê que Leco assume a presidência por 30 dias, prazo para que se convoque uma nova eleição. Em conversas com aliados, Leco já falou sobre a possibilidade de substituir Aidar e rascunhou planos de como poderia comandar a reestruturação da diretoria, esvaziada desde a última terça-feira. O atual chefe do Conselho Deliberativo é ainda o favorito para um possível novo pleito.

A oposição a Aidar tem se articulado nos últimos dias para criar um ambiente político para forçar uma renúncia. Membros de grupos contrários à atual gestão pretendem protocolar um pedido no Conselho Deliberativo para acarretar na expulsão dele do quadro de associados, medida para puni-lo pela briga com Ataíde em um hotel em São Paulo.

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