Aílton: matador brasileiro na Alemanha

A Alemanha tem um novo "matador" brasileiro: Aílton, do Werder Bremen, artilheiro do campeonato local com 16 gols em 17 jogos. Depois do sucesso de Élber, que fez história no Bayern de Munique antes de se transferir para o Lyon da França, é a vez de outro centroavante do País se destacar no duro futebol alemão.Nesta entrevista, Aílton comenta o ótimo momento que vive. O Werder Bremen, que hoje recebe o Hertha Berlin na volta do Campeonato Alemão após seis semanas parado por causa do inverno rigoroso, é líder absoluto com 39 pontos - quatro a mais que os vice-líderes Bayern de Munique, Bayer Leverkusen e Stuttgart."É a fase que todo atacante gostaria de passar, é tudo de bom", assinala o jogador de 30 anos, há quatro na Europa.Jogar no Werder Bremen e ser artilheiro do time, que antes do início da temporada não tinha muitas pretensões de chegar ao título nacional, é um grande desafio para Aílton."No Brasil, a imprensa não divulga muito o Werder Bremen. Só fala do Bayer de Munique, do Borussia... Mas aqui o meu time briga sempre para estar pelo menos na Copa da Uefa", ressalta Aílton. Segundo ele, a grande repercussão que Élber teve na Alemanha foi pelo fato de atuar num time grande."Sempre marquei muitos gols no Werder Bremen, até pedi para o pessoal do clube fazer uma fita com todos os meus gols aqui, mas está demorando porque são muitos", brinca Aílton.Torcedor batizou seufilho de AíltonNão é a primeira vez que o atacante atua fora do Brasil. Depois de ter se destacado muito no Guarani, foi parar no Tigres, do México. No Brasil, também defendeu Ipiranga, Internacional, Mogi Mirim e Santa Cruz. "Fiquei oito meses no México, mas lá a gente não aparece."Só depois da passagem pelo futebol mexicano ele se transferiu para a Alemanha, onde vive muito bem com a mulher e as duas filhas, Maria Fernanda, de 4 anos, e Alexsandra, de apenas 1. "Quando você consegue respeito, é reconhecido. E é o que acontece. Tenho atenção das pessoas, me sinto realizado."A prova do reconhecimento foi dada pelo empresário alemão Michael Diegmann. Fanático pelo Werder Bremen, Diegmann decidiu, junto com sua mulher Diana, colocar o nome do filho de Niclas Aílton. "O Aílton é um grande profissional. Adora as crianças e trata os seus fãs com muito carinho", elogia o empresário.Para a próxima temporada, o artilheiro já acertou a sua ida para o Schalke 04, onde jogará com Bordon - o zagueiro estará lá em 2005. "Meu contrato com o Werder Bremen termina no meio do ano. Eu já comecei a negociar. A proposta que o Schalke me ofereceu era irrecusável. Assinei por três temporadas. Eles têm estádio moderno, o time está crescendo."A chegada de Aílton a Bremen foi o momento mais complicado na vida do jogador na Alemanha: outros costumes, frio, idioma estranho... coisas normais em um país novo, mas que incomodaram o atacante. "Cheguei sozinho, só falava espanhol e português. Precisava de um intérprete. Fazia muito frio, comida diferente. Passei por um período longo de adaptação."Mas a nova cultura não foi o único obstáculo para Aílton. Adaptar-se a um novo futebol também foi problema. "Aqui não é como no Brasil. O atacante tem de se preocupar com a parte defensiva também. O treinador pede que marque. Quando eu cheguei me pediram coisas que não são as minhas características. Eu ficava no banco porque não me adaptava."Em dezembro, Aílton esteve no Brasil. Aproveitou a pausa no Campeonato Alemão para visitar o País, onde espera um dia realizar os dois sonhos que faltam em sua carreira: defender o Fluminense, seu clube de coração, ter uma chance na Seleção Brasileira: "Não sei por que ainda não fui chamado. Deram chance para o Élber, para o Amoroso, menos para mim. E também preciso jogar no Fluminense para realizar meu sonho. Sou torcedor do clube."

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2004 | 10h37

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