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Ainda o terror

Os atentados terroristas de sexta-feira à noite, em Paris, têm desdobramentos no esporte - o futebol sobretudo virou alvo principal, por causa da popularidade e da concentração de pessoas. Por cautela e suspeitas de novos ataques, autoridades de segurança europeias suspenderam amistosos programados para esta terça-feira: primeiro, foi o cancelamento de Bélgica x Espanha. No meio da tarde de ontem, Alemanha x Holanda.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2015 | 03h00

No caso da partida de Bruxelas, a opção por não realizá-la foi tomada ainda na segunda-feira, pois a capital belga surge como ponto de partida dos terroristas que espalharam pânico em Paris. Há muita investigação em curso, batidas têm sido feitas. Não era sensato confirmar o jogo.

Medida semelhante foi a solução encontrada para o duelo entre alemães e holandeses, depois que serviços de inteligência detectaram ameaça de bomba no estádio de Hannover. Houve vaivém de proibição e liberação, até que se optou por fechar as portas e mandar os torcedores para casa, ao mesmo tempo em que se faziam varreduras na área.

A preocupação com o futebol se justifica, porque o Stade de France era um dos alvos dos terroristas, na sexta-feira. A intenção dos dois homens-bomba que se explodiram no lado de fora do local era a de que a detonação ocorresse nas arquibancadas, ou no mínimo na saída do público. A quantidade de vítimas no massacre seria inimaginável.

Justificam-se, portanto, as medidas radicais de prevenção. Não é hora de pagar para ver se grupos extremistas se põem a blefar com os avisos de novos ataques. A Europa está tensa, amedrontada, e governos não querem expor cidadãos e prestígio político. Só não pode virar rotina transferir ou anular jogos, pois significaria vitória do medo.

Ar carregado. Daniel Alves lamentou, em entrevista coletiva realizada na véspera do jogo com o Peru, em Salvador, que haja um “ar carregado” no Brasil em relação à seleção. Estendeu a sensação de mal-estar ao desempenho de ex-jogadores, hoje cada vez mais presentes na tevê como comentaristas. 

Compreende-se o desconforto do lateral; como qualquer um, quer sentir-se benquisto pelos fãs, deseja ver o trabalho incentivado e não colocado sob suspeita. Infelizmente, não é esse o sentimento do torcedor nem da crítica. E a culpa não é deles, mas do lado de lá do balcão, aquele em que se encontram atletas, comissão técnica e dirigentes.

A seleção há muito sofre com distanciamento com o público. Exceto jogos oficiais, como estes das Eliminatórias, a equipe só se apresenta fora do País. Londres e cidades americanas virão mais apresentações da amarelinha, nos últimos anos, do que São Paulo, Rio, Porto Alegre. O time gira o mundo por força de contrato assinado pela CBF com grupos que compraram os direitos de levá-lo para onde bem entenderem.

Os atletas que compõem a seleção igualmente atuam, em maioria, fora de casa. Estão mais próximos dos simpatizantes do Barcelona, do Real, do Bayern do que dos times daqui. Não vivem o dia a dia por estes lados. Natural que se tornem “estranhos”.

Para piorar, a galera fica com pé atrás porque vai longe a época em que o Brasil despertava confiança... e os 7 a 1 não serão esquecidos com facilidade. Por extensão, há resistência a Dunga (não é crítica, mas constatação) e total descrédito da CBF. Fica difícil, caro Daniel Alves, desanuviar o ambiente. Mas cabe aos jogadores reatarem os laços de afeto.

Brasileiro. Depois da pausa para Eliminatórias, a Série A volta hoje, para a 35.ª rodada, aquela que pode confirmar o título do Corinthians. O líder joga amanhã, em São Januário, com o Vasco, enquanto o São Paulo recebe o Atlético-MG. O aperitivo fica para o Palmeiras (48 pontos), que vai a Curitiba enfrentar o Atlético desencanado do Brasileiro. A rapaziada de Marcelo Oliveira está de olho na final da Copa do Brasil, chance de terminar o ano com uma taça e derradeira oportunidade de mostrar que não é um grupo perdedor. Vamos ver se valeu o retiro em Atibaia...

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