Marco Bertorello/AFP
Marco Bertorello/AFP

Ajax repete mistura de juventude com futebol ofensivo para buscar o penta

Time semifinalista da Liga dos Campeões se aproxima de conquista ao apostar de novo time de garotos

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2019 | 15h38

A geração de ouro da década de 1970, as revelações dos anos 1990 e as jovens surpresas de 2019 do Ajax guardam várias coincidências entre si. O time holandês que faz história nesta Liga dos Campeões após ter eliminado Real Madrid e Juventus, chega à semifinal do torneio com um elenco de qualidade e de características que fazem os torcedores mais saudosos relembrarem craques do passado.

O time de nomes como David Neres, Tadic, Ziyech e De Jong bateu a Juventus de Cristiano Ronaldo por 2 a 1 em Turim nesta terça-feira. "Estou muito orgulhoso dos meus jogadores. Minha equipe sabe como superar os limites do futebol", disse o técnico Erik ten Hag. A média de idade dos titulares é de 24 anos. Boa parte desses jogadores sequer era nascida quando um outro Ajax formado por garotos assombrou a Europa pela última vez. Em 1995, Kluivert e Seedorf sequer tinham 20 anos quando ganharam o torneio.

O clube holandês tetracampeão da Liga dos Campeões começou a construir a fama continental com os três títulos consecutivos em 1971, 1972 e 1973. O craque da época era o meia Johan Cruyff, dono de estilo técnico de jogo e organizador da equipe. Falecido em 2016, o jogador tinha apenas 24 anos na temporada do primeiro título e era um dos mais velhos de um plantel que ainda tinha craques como Krol, Rep e Neeskens.

Todos esses nomes saíram do Ajax para formar uma fortíssima seleção na época, conhecida como Carrossel Holandês. A equipe nacional trouxe do clube além do treinador, o estrategista Rinus Michels, o estilo ofensivo e a intensa troca de posição de jogadores. A Holanda fez história nas Copas de 1974 e 1978, quando foi duas vezes vice-campeã do mundo.

Anos mais tarde, o Ajax voltou a formar um elenco jovem e talentoso. Em 1995 a equipe ganhou a Liga dos Campeões e formou a base da seleção que pouco depois, em 1998, seria semifinalista da Copa do Mundo da França. Sob o comando do técnico Louis van Gaal, nomes como os irmãos gêmeos Frank e Ronald de Boer, o goleiro Van der Sar, o meia David e o atacante Overmars tinham todos no máximo 25 anos.

A equipe holandesa bateu o Milan na final, em Viena, com gol de Kluivert. No fim do ano o Ajax derrotaria o Grêmio em Tóquio na decisão do Mundial Interclubes. Depois disso, o clube passou anos longe do protagonismo continental, até formar nos últimos anos um novo elenco capaz de buscar o penta na Liga dos Campeões.

Jogadores como o goleiro Onana, zagueiro De Ligt, o lateral Mazraoui e o volante De Jong vieram das categorias de base do clube. O Ajax conseguiu ainda repatriar o lateral Blind, ex-Manchester United, contratar do São Paulo o atacante David Neres e formar o meio-campo com os experientes Tadic, de 30 anos, e Schone, de 32 anos. Para comandar todo esse conjunto, a diretoria escolheu Erik ten Hag, um ex-zagueiro que teve de trabalhos de sucesso na gestão de clubes pequenos da Holanda.

O conjunto holandês marcou 19 gols em dez partidas nesta Liga dos Campeões. Os garotos têm bom toque de bola, estilo ofensivo e intensa movimentação. A imprensa europeia chegou a se referir ao time como os "netos de Cruyff" e as comparações com o passado se tornaram inevitáveis. Além do ex-meia nomear hoje em dia o estádio onde a equipe manda suas partidas, os ídolos das décadas passadas também se fazem presentes neste momento.

Campeões em 1995, Van der Sar e Overmars são atualmente dirigentes do Ajax. O capitão no último título, Danny Blind, é representado agora pelo filho, Daley Blind. Se o passado traz memórias gloriosas, o momento presente enche a torcida de expectativa pelo penta.

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