Ajuda aos clubes causa polêmica

A idéia do ministro interino do Esporte e Turismo, José Luiz Portella, de criar linhas de financiamento para ajudar os clubes a pagarem suas dívidas vem provocando polêmica e opiniões diversas. Para muitos, favoráveis à iniciativa de Portella, a iniciativa é uma boa maneira de iniciar o processo de reorganização do futebol brasileiro. Outros acham que de nada adianta sanar as contas sem que sejam trocados os comandantes das agremiações e das entidades."Sou favorável à idéia. Quando se fala em reorganização do futebol é obrigatória a adequação das contas, das finanças", opinou o senador Geraldo Althoff (PFL-SC). Neto, ex-jogador e atualmente dirigente do Guarani, não concorda com a iniciativa do ministro. "Antes de querer ajudar os clubes, é preciso pensar em organizar os campeonatos, acertar as fórmulas de disputa. Só o dinheiro não vai resolver nada."Na quarta-feira, Portella fez questão de dizer que sua idéia não poderia ser entendida como uma doação aos clubes. Reuniu-se com nove dirigentes e expôs seu pensamento. Ressaltou que, do plano, não constava anistia de dívidas com a Receita Federal e a Previdência Social.O apoio veio de vários políticos que trabalharam nas CPIs da Nike e do Futebol. Althoff, por exemplo, rebateu a opinião dos que consideram equivocada a medida de ajudar os clubes antes de haver uma reformulação nos cargos diretivos. "A redemocratização do País foi feita pelos mesmos políticos."No encontro com os dirigentes, Portella explicou que as linhas de financiamento deverão funcionar como um empréstimo normal, podendo ser obtido no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou até mesmo em fontes internacionais, como o Banco Mundial. E lembrou que não tem nada a ver com o Proer, programa federal de apoio aos bancos.O ex-presidente da CPI da Nike, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), aprova a criação de linhas de financiamento não só para ajudar os clubes de futebol a saldar dívidas como para investir na modernização dos estádios. "Sou favorável, desde que sob determinados critérios e garantias", afirmou Rebelo, que participa do grupo de trabalho do Ministério do Esporte e Turismo de moralização do futebol no País.Rebelo reconhece que a situação da maioria dos clubes é bem difícil, mas aposta no retorno do investimento, porque os times também possuem uma "imensa possibilidade de recuperação e geração de renda". Sem um empurrão do governo, Rebelo diz ser complicado tirar os clubes do vermelho. Ele diz que as agremiações estão descapitalizadas e, à exceção de poucos, mal administradas. Segundo o deputado, desperdiçar a chance de resolver o problema não é bom nem para o Estado, um dos maiores credores dos clubes, que devem contribuições previdenciárias e impostos. Rebelo lembra ainda que, sem renda, os clubes não pagarão as dívidas e ainda desempregarão jogadores. O País pentacampeão do mundo pode passar por uma "africanização", na avaliação de Rebelo. Em boa parte da África inexistem times de futebol. Dos 23 jogadores do Senegal que foram à Copa do Mundo, 21 atuam na França.Ao contrário dos políticos, o advogado tributarista Ives Gandra da Silva Martins acredita que tudo não passa de especulação, ?balão de ensaio?. Em sua visão, não há viabilidade para que o projeto passe a funcionar. "Não vejo possibilidade de pôr dinheiro nos clubes, acho mais fácil partir para a anistia de dívidas", justificou Ives Gandra. "É melhor adotar tratamento tributário adequado, em que se dê benefícios fiscais."Para o advogado, a Lei Pelé e o fim do passe acabaram de arrebentar os clubes. "A partir do momento em que os clubes perderam o passe do jogador, ficaram fragilizados. A lei só fortaleceu os empresários."

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