Marcos de Paula
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Alagamento no Maracanã foi um 'problema externo'

Agrônomo defende o sistema de drenagem do gramado

CARINA BACELAR, O ESTADO DE S. PAULO

23 Março 2015 | 20h58

O alagamento no Maracanã que interrompeu o clássico entre Flamengo e Vasco por 50 minutos no domingo, em rodada do Campeonato Carioca, foi motivado por problemas de escoamento no exterior da arena e não pelo sistema de drenagem do gramado, afirmou Paulo Antonio Azeredo Neto, agrônomo responsável pelo campo do tradicional estádio carioca.

"O problema é externo mesmo. A drenagem precisa sair pra algum lugar. Quando enche tudo, não tem como sair. Tanto é que quando conseguiram bombear, saiu tudo. O problema é só externo", afirmou Paulo Antonio Azeredo Neto, sócio da empresa Green Leaf, responsável também pelos campos da Arena Fonte Nova (Salvador), Mané Garrincha (Brasília), Mineirão (Belo Horizonte), Castelão (Fortaleza), Arena Pernambuco (Recife) e Arena Amazônia (Manaus), todos palcos da Copa do Mundo do ano passado.

Para ele, a inundação da região do entorno do estádio, onde está o Rio Maracanã, teria impedido que a água captada do campo saísse do estádio, gerando um movimento de "refluxo" que deixou o gramado encharcado.

Segundo Azeredo Neto, o sistema de drenagem do Maracanã tem três fases. Abaixo do gramado, há uma camada de 30 centímetros de areia. Logo depois, vem mais 10 centímetros de brita, formando um "colchão" que acelera a passagem da água pelo sistema. Por último, uma malha de drenos e tubulações, com 3 mil tubos. Toda água coletada é escoada, também por tubos, para fora do estádio. O problema de domingo é que a água voltava ao ser retirada porque encontrava um terreno inundado fora do estádio.

Utilizada em dois dos estádios da Copa (Fonte Nova e Arena Amazônia), a drenagem a vácuo, onde o escoamento da acelerada por bombas, é considerada pelo agrônomo "cara e desnecessária". "Isso só é acionado em caso de emergência. Na Fonte Nova e em Manaus, a gente nunca precisou usar. Mesmo que você tenha o vácuo, se você não tiver onde jogar, cai no mesmo problema".

O agrônomo Artur Melo, que prestou consultoria para a instalação de cinco gramados de estádios da Copa (Itaqueirão, em São Paulo, Arena Salvador, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, em Natal, e Arena Amazônia), afirma que o rebaixamento do campo do Maracanã e a extinção da geral, por causa das obras do Pan-Americano de 2007, contribui para facilitar as inundações. Ele também afirma que a falta de drenagem da área externa ao estádio é responsável pelo problema observado no domingo. "O estádio está sujeito a isso, até que o poder público possa sanar o programa de drenagem no entorno".

Nos arredores do Maracanã, na Grande Tijuca (zona norte), está em curso um Programa de Controle de enchentes, que inclui a construção de quatro piscinões (um deles, na Praça da Bandeira, já está funcionando) e desvio do Rio Joana direto para a Baía de Guanabara por meio de um túnel de drenagem. As obras, segundo a Secretaria Municipal de Saneamento e Recursos Hídricos, serão concluídas em 2016.

Em nota, o consórcio Maracanã, que administra o estádio, ressaltou que "após cerca de 30 minutos de paralisação, o gramado já estava totalmente recuperado e a partida foi reiniciada". Segundo o consórcio, o sistema de drenagem, com quatro bombas de acionamento automático, "funcionou perfeitamente e foi fundamental para o rápido escoamento da água".

Já o diretor de Competições da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Marcelo Vianna, afirmou que "a partir do momento que a chuva diminuiu de intensidade, o sistema de drenagem funcionou perfeitamente e permitiu o andamento da partida com o gramado em boas condições".

Procurada pela reportagem, o Flamengo declarou que "a drenagem funcionou e que o clube não tem do que reclamar". O clube considerou que um volume atípico de água caiu em um curto espaço de tempo. O Vasco não se manifestou. A partida de domingo terminou com um placar de 2 a 1 favorável para os rubro-negros.

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