Alberto Dualib é absolvido pelo STJD

Ex-presidente corintiano pode voltar a trabalhar com o meio esportivo, se assim desejar

Sílvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2008 | 17h57

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) extinguiu, nesta quinta-feira, o processo na esfera esportiva que condenara no final do ano passado a três anos de suspensão o ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, e o ex-vice-presidente do clube, Nesi Cury. Veja também: Justiça Federal pode mandar Eurico Miranda para o manicômioOs auditores do Pleno do STJD concluíram que houve um erro técnico na condução do processo. "Houve demora entre o dia do conhecimento dos fatos e a oferta de denúncia pela justiça esportiva. O processo morre por prescrição", disse o presidente em exercício do STJD, Virgilio Val.Dualib e Cury foram punidos em primeira instância em novembro de 2007 por terem, de acordo com os auditores da 1ª Comissão Disciplinar do STJD, se beneficiado da parceria entre Corinthians e MSI, celebrada em novembro de 2004 e que resultou na contratação de vários reforços para o clube e na suspeição de transações que teriam incorrido em crimes contra a ordem financeira. Agora, Dualib e Cury estão livres para voltar a ter atividades formais na área esportiva.O auditor do STJD, José Mauro Couto de Assis, defendeu com ênfase a extinção do processo e disse não temer a repercussão da decisão do tribunal. "Eu segui a lei, não temo nada." Leituras divergentes marcaram o julgamento. Enquanto alguns auditores se baseavam estritamente no texto do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) para analisar o caso, outros citavam o Código Disciplinar da Fifa, que não prevê prescrição para infrações relacionadas à corrupção. O auditor Francisco Müssnich, o relator do processo, era favorável a continuação do julgamento, que nem chegou ao mérito. "Os desdobramentos do fato (operações supostamente ilegais envolvendo esses ex-dirigentes do clube e a MSI) prosseguem e os prazos, neste caso específico, teriam de ser mais abrangentes", afirmou.De acordo com o CBJD, a Procuradoria do STJD teria no máximo 30 dias, a partir da ocorrência do fato, para oferecer denúncia. "Em tese, as denúncias contra Corinthians e MSI se referiam inicialmente a dezembro de 2004. A justiça esportiva então teria de se manifestar até janeiro de 2005", disse o auditor Caio César Rocha.Na votação da ‘preliminar’ sobre a prescrição do processo houve empate de votos entre os auditores (3 a 3) e prevaleceu a posição do presidente em exercício, para o desempate - Virgilio Val optou por acompanhar o argumento de que a justiça esportiva não cumpriu os prazos legais para levar a cabo o julgamento e a eventual confirmação da punição dos réus.Indagado sobre como a opinião pública reagiria à decisão tomada ontem pelo STJD depois que a 1ª Comissão Disciplinar do próprio tribunal punira Dualib e Cury com três anos de suspensão, Virgilio Val tentou dar uma explicação convincente. "É um problema de interpretação de lei."O atual presidente do clube, Andrés Sanchez, também havia sido julgado pelo STJD, no final do ano passado, mas foi absolvido, uma vez que sua defesa havia desqualificado a acusação por dizer que Sanchez não tinha poder de decisão na antiga administração.A absolvição de Dualib, no entanto, não serve de alento ao ex-dirigente, já que não possui mais espaço para ocupar uma posição de destaque no Corinthians. Além disso, Dualib é investigado por estelionato e formação de quadrilha pelo Ministério Público e o Deic (Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado). Especula-se que foram desviados R$ 2 milhões. Hoje, a dívida do clube gira em torno de R$ 100 milhões.ERA DUALIBAlberto Dualib ficou no comando do Corinthians por 14 anos, conquistando títulos importantes, como o bicampeonato brasileiro em 98 e 99; o Mundial de Clubes da Fifa, em 2000, a Copa do Brasil, em 2002, e, por último, o Campeonato Brasileiro de 2005.Sua administração começou a ser contestada com a parceria turbulenta com a MSI, que tinha como representante o iraniano Kia Joorabchian, que seria um intermediário do verdadeiro dono do fundo de investimento, o magnata russo, Boris Berezovsky. Após a conquista do Brasileirão de 2005, atritos da administração Dualib com a MSI evidenciaram problemas financeiros, chegando ao ponto do Conselho Deliberativo reprovar as contas do clube.Apesar da forte pressão, e com o time sofrendo com a saída dos jogadores da MSI, como o argentino Carlos Tevez, Dualib continuou no poder, mas não por muito tempo. Outrora de sua administração, Andrés Sanchez voltou-se contra o presidente corintiano e o processo de impeachment foi estabelecido. Ao perceber que não havia mais condições de continuar à frente do clube, Dualib, assim como Nesi Curi, pediu licença de 60 dias. Neste período, conversas telefônicas de Dualib, gravadas pela Polícia Federal durante a Operação Perestroika, vazaram à imprensa e sua situação ficou insuportável e sua saída do clube foi concretizada.

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