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Alegria marcou preparação para decisão histórica da Sul-Americana

Os últimos dias do time, desde o jogo com o Palmeiras, foram de festa e reconhecimento

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2016 | 06h00

O relógio marcava pouco mais de 20 horas do último domingo, uma hora e meia depois de Anderson Daronco apitar o fim da partida entre Palmeiras e Chapecoense no Allianz Parque, em São Paulo. Um demorado abraço entre os presidentes dos dois clubes, Paulo Nobre e Sandro Pallaoro, dava o tom do encontro entre os “Verdões”. Após a festa palmeirense pela conquista do Campeonato Brasileiro, os jogadores da equipe catarinense retornaram para o gramado, comandados pelo preparador físico Anderson Paixão.

Era a hora de começar a preparação para o primeiro dos dois jogos mais importantes da história do clube, a decisão da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, de Medellín – o próximo destino da delegação.

Na arena palmeirense, com a maior parte dos refletores apagados, titulares e reservas deram voltas em torno do campo. Foi uma corrida leve, trote que tinha de se desviar dos papéis picados que tomavam conta do estádio por causa da celebração. Com as meias arriadas, os atletas também eram obrigados a “driblar” os funcionários que desmontavam o palco da festa. Conversavam entre si em tom de descontração e riam muito. Pareciam todos felizes.

Parte da emocionada torcida ainda estava nas numeradas. De quem estava lá para torcer pelo Palmeiras, a maioria gritava ‘Força, Chapê’ e ‘Vamos, Chapê’, que era retribuído com um sinal positivo e sorriso no rosto. Um ou outro tentava brincar com os jogadores, mas eles não se importavam. A cabeça já estava na decisão da Colômbia.

Aos poucos, a delegação de Santa Catarina se dirigiu ao ônibus que a levaria para o hotel na zona sul de São Paulo. Na saída, pela Avenida Francisco Matarazzo, mais uma surpresa. Centenas de torcedores que comemoravam a taça reconheceram os jogadores e passaram a aplaudi-los. O Verde e Branco palmeirense se tornava o Verde e Branco da Chapecoense. O elenco retribuiu o carinho dos campeões com acenos pela janela e aplausos de dentro do ônibus.

Naquela noite, o técnico Caio Júnior participou de um programa na ESPN Brasil. Entre as revelações, feitas em tom descontraído, ele disse que havia conversado com o elenco na saída do estádio sobre o título do Palmeiras e a festa da torcida. Caio queria que esse sentimento fosse vivido pela Chapecoense na América. No planejamento, uma noite de descanso e o dia seguinte seria de longa viagem.

Na segunda-feira, os jogadores do time puderam dormir até um pouco mais, mas quase todos aproveitaram o café da manhã. O grupo deixou o hotel por volta das 12 horas e seguiu até o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, onde embarcou para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Às 14 horas, no Facebook da Chapecoense, um vídeo ao vivo foi publicado. Nele, jogadores, funcionários e dirigentes estavam felizes e aguardam o embarque da delegação. No avião, muitos postaram imagens em suas redes sociais, mostrando o orgulho de representar o Brasil em uma decisão tão importante, a primeira internacional de sua história.

Já em solo boliviano, mais uma o elenco usou a internet para se comunicar. Ao seu assessor, Caio Júnior mandou áudio por WhatsApp dizendo que só “restavam quatro horas para o desembarque em Medellín’’. No início da madrugada desta terça, o avião que levava a Chapecoense sofreu o acidente.

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