Francois Walschaerts/Reuters
Francois Walschaerts/Reuters

Aleksander Ceferin impõe estilo frio e eficiente no comando da Uefa

Esloveno destoa de antecessores ao fugir dos holofotes e fazer gestão mais discreta

AFP, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2019 | 04h30

Diferente das personalidades exuberantes de Joseph Blatter ou de seu antecessor Michel Platini, o esloveno Aleksander Ceferin, advogado criminalista esloveno de 51 anos, conseguiu impor com sucesso seu estilo seco, frio e eficiente de tal maneira que será reeleito sem oposição como presidente da Uefa, na quinta-feira.

"Frio, prático, intransigente, mas aberto a discutir": Ceferin é definido assim por um dirigente do futebol europeu que o conhece bem. Ceferin "tem uma visão muito clara do que quer, mas ao mesmo tempo transmite confiança à sua equipe", acrescenta a fonte anônima.

Eleito em 2016 na disputa com o holandês Michael van Praag, o esloveno, então presidente da federação de seu país, chegou de surpresa no comando da poderosa confederação europeia.

"A situação era ideal: o maior escândalo havia causado muitos danos à imagem do futebol", explicou ele recentemente a uma assembleia de estudantes em Liubliana, capital eslovena, em referência ao escândalo de corrupção que afetou a Fifa e várias confederações. "Eu me apresentei. Me subestimaram e quando (os rivais) se deram conta da situação, era tarde demais", acrescentou.

Desde então, este amante dos esportes automotivos, que atravessou de carro o deserto do Saara em quatro ocasiões e uma de moto, tenta impor seu estilo, sem floreios, longe dos holofotes dos quais seu antecessor Michel Platini, que segue suspenso, tanto gostava.

Estilo sem floreios

Pai de três filhos, Ceferin administra o futebol europeu com o apoio de uma equipe que em grande parte já estava presente em sua chegada. Seu braço direito, o secretário-geral da Uefa, é o grego Theodore Theodoridis, filho do polêmico vice-presidente do Olympiakos, Savvas Theodoridis.

Theodoridis, cuja partida muitos anteciparam, presidiu o órgão interinamente em 2016, quando Gianni Infantino, ex-secretário-geral da Uefa, foi eleito para a presidência da Fifa. Ceferin o confirmou em seu cargo assim que chegou à presidência.

O italiano Giorgio Marchetti, secretário-geral adjunto e mestre de cerimônias nos sorteios das competições europeias, é o homem encarregado das "batatas quentes". Ele faz parte do grupo de trabalho criado pela Fifa dedicado aos projetos mais polêmicos, como a expansão de 7 a 24 equipes para o Mundial de Clubes ou da Liga Mundial das Nações, à qual a Uefa se opõe fortemente.

Ceferin também se apoia no sérvio Zoran Lakovic, encarregado das relações com as federações, no francês Kevin Lamour, ex-conselheiro de Platini, e a eslovaca Eva Pasquier, que integrava a Fifa, encarregada das relações com as outras confederações.

Para a comunicação, conta com o inglês Phil Townsend, ex-diretor de comunicação do Manchester United, cujo ex-diretor geral, David Gill, tem um cargo no comitê executivo da instância.

Esloveno mais influente atrás de Melania Trump 

Sem grande margem de manobra desde sua ascensão ao poder, uma vez que foi obrigado a aplicar medidas adotadas na era que o antecedeu, o esloveno parece agora querer imprimir sua marca e impor uma mudança diante das zonas obscuras da gestão Platini/Infantino.

"Vemos bem sua vontade de dar mais protagonismo aos clubes e países pequenos com a criação de uma terceira competição europeia e a Liga das Nações, mas é cedo demais para dizer se isso terá um efeito", analisa Didier Primault, diretor do Centro de Direito e Economia do Esporte de Limoges.

Classificado em 2019 pela revista eslovena Reporter como um dos eslovenos mais influentes no mundo, logo atrás das primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, Ceferin "tem por objetivo mostrar que não é a marionete de Infantino, embora tenha sido um homem próximo ao presidente da Fifa (o norueguês Kjetil Siem) que trabalhou a favor de sua eleição para a Uefa", destaca um observador.

"O clã de Infantino se disse: 'Como Ceferin vem de lugar nenhum e nos deve tudo, vai se calar'. Mas ninguém se deu conta de que ele não se importava com essas pessoas e que não era um cortesão", acrescentou.

Para proteger a Liga dos Campeões, a galinha dos ovos de ouro da Uefa, Ceferin enfrentou o chefe da Fifa, que pretende lançar um Mundial de Clubes com mais equipes, a partir de 2021, que poderia fazer sombra à Champions.

Em minoria diante de Infantino e "sob a influência política dos grandes clubes, cuja influência econômica cresce", segundo um observador, o esloveno terá mais quatro anos para seguir deixando sua marca... antes de, como Platini durante seu mandato, sonhar com a Fifa? "Por enquanto, não estou absolutamente interessado na presidência da Fifa. Mas se me perguntam se pensarei o mesmo dentro de 4, 8 ou 10 anos, não posso dizer nem sim nem não".

 

 

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