Além do recorde, Deivid quer o título

Qualquer que seja o futuro do Corinthians na Copa do Brasil, Deivid já fez história na competição. Os dois gols marcados nesta quarta-feira, na difícil vitória sobre o Brasiliense, no Morumbi, deu ao atacante corintiano o status de maior artilheiro da história da Copa do Brasil, com 12 - um a mais do que o antigo recordista, Washington, da Ponte Preta. Fora isso, Deivid saiu de campo com as honras de herói - reconhecido pela torcida corintiana e pelos próprios companheiros. Até mesmo o técnico Carlos Alberto Parreira dedicou um elogiou ao espírito guerreiro de seu atacante. "Com todas as dificuldades, ele foi eficiente na hora em que o time mais precisou." Deivid estava emocionado ao final da partida. Não só pelo recorde, mas pela vitória dramática de sua equipe, que está a um empate do título. "Os gols e o recorde na competição são significativos, mas nada se compara à chance de ser campeão e voltar a disputar a Libertadores." Apesar de todas as honras, Deivid fez questão de dividir os méritos com um jovem companheiro: Gil. Foram dele as principais jogadas do ataque corintiano, entre elas as duas assistências que deixaram Deivid livre diante do goleiro Donizete. "Ninguém faz nada sozinho. Por sorte hoje o Gil foi feliz em dois lances e fez o que o resto da nossa equipe não conseguiu.? Deivid, no entanto, admitiu que planejou bater o recorde de Washington. "Sempre lutei para ser artilheiro de uma competição importante como essa. Também sabia que tinha chances de bater o recorde do Washington. Só não imaginava que conseguiria isso logo na primeira partida do mata-mata." Apesar da vitória corintiana e do recorde quebrado, o futebol do Corinthians não convenceu. Por isso mesmo não houve festa pela resultado. O gol do Brasiliense, aos 9 minutos do segundo tempo, comprometeu os planos da equipe. "Nosso objetivo era alcançar uma vantagem mais acentuada no primeiro jogo, mas não foi possível", dizia o zagueiro Fábio Luciano. "Erramos muitos passes e não soubemos sair da marcação do Brasiliense. Mesmo assim, conseguimos vencer. Por menor que seja a nossa vantagem no segundo jogo, ela está a nossa favor." Outros, como o volante Vampeta, procuravam justificar o mau desempenho com uma visão mais otimista. "Um time para ser campeão precisa ser versátil. Quando não consegue jogar com qualidade, tem que compensar de outra forma. Foi o que aconteceu com a gente. Se não jogamos um grande futebol, arrancamos a vitória com raça." Já o zagueiro Ânderson, que se envolveu numa jogada em que o Brasiliense pediu pênalti, saiu em sua própria defesa. "A mesma coisa que aconteceu lá na frente com o Gil, aconteceu lá atrás, comigo. Nós (o Carioca e eu) estávamos na mesma passada e nos enroscamos. Não foi pênalti. Não tive a menor intenção de cometer a falta." Independentemente das dificuldades encontradas no jogo desta quarta-feira, os jogadores do Corinthians apostam numa história totalmente diferente na partida de volta, em Brasília. Acreditam num outro tipo de postura do adversário. "Lá eles não poderão ficar tão atrás, jogando só em cima dos nossos erros. Além disso, o Corinthians não deve errar tanto como fez nesta noite", previa o volante Fabrício. De sua parte, o técnico Carlos Alberto Parreira se limitou a considerar as dificuldades da equipe. "A marcação do Brasiliense foi muito eficiente. Aliás, nós já esperávamos por esse tipo de dificuldade. Com tudo isso, conseguimos uma vantagem importante para o jogo de volta." Quanto ao gol sofrido em casa, Parreira resumiu. "O ideal seria não sofrer gol em casa."

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