Alemães acham que Montoya irá aprontar

A pesquisa encomendada pelo canal de TV alemão Premiere, a respeito do que pode ocorrer domingo no GP do Japão, revelou um resultado surpreendente: 19% dos alemães, ou quase um quinto da população do país, algo como 10 milhões de pessoas, acreditam que Juan Pablo Montoya irá colocar Michael Schumacher para fora da prova. Motivo: tentar fazer de Kimi Raikkonen, da McLaren, o campeão do mundo. Os tempos são outros, claro, mas os ensinamentos deixados pelo próprio Schumacher, Ayrton Senna e Alain Prost estão ainda bem vivos. Foi com essa técnica, desnecessária já que o imenso talento dos três transcende a tudo isso, que o piloto deliberadamente pôs Damon Hill para fora da pista, em Adelaide, em 1994, e depois tentou fazer o mesmo com Jacques Villeneuve, em 1997. Na primeira vez deu certo e conquistou seu primeiro título, já na segunda, manchou sua reputação de piloto para sempre. Além de muito evidente, não funcionou. Em ambas situações, Schumacher tinha pequena vantagem na classificação do campeonato. Com seus adversários fora da disputa, o Mundial estaria garantido. Como os alemães conhecem esse recurso, estão dizendo que o colombiano da Williams irá tirar Schumacher da corrida em Suzuka. Assim, caberia a Raikonen, com 83 pontos diante de 92 do piloto da Ferrari, vencer o GP do Japão para tornar-se o mais jovem da história a obtê-lo. Montoya, que ficou fora da disputa depois de terminar apenas em sexto o GP dos Estados Unidos, deverá responder amanhã o resultado da pesquisa realizada pela empresa Emnid, com um universo de 500 entrevistados. Não há nenhum indício de que este será o desfecho da bela temporada que acaba domingo, mas se for o caso, não será a primeira vez. Em Suzuka mesmo, em duas oportunidades, a luta pelo Mundial ficou marcada por comportamentos como o sugerido na pesquisa alemã. Em 1989, Alain Prost conscientemente provocou o acidente com Ayrton Senna, na freada da chicane, para tirar o brasileiro da disputa e ficar com seu terceiro título. Mas Senna deu o troco, conforme admitiu mais tarde, um ano depois. Logo em seguida à largada, Prost preparava-se para tomar a primeira curva na frente, com sua Ferrari, quando foi atingido por trás por Senna, com McLaren. Resultado final do jogo que poderia ter acabado em morte: 1 a 1, placar do número de títulos para cada um também. A retirada do vice-campeonato de Schumacher, em 1997, deixou a lição de Max Mosley, presidente da FIA, no ar. A entidade pode interferir no resultado final, alterando-o, se constatar alguma intenção de mascará-lo dessa forma. A pesquisa revelou mais: 49% dos alemães pensam que Schumacher deveria, se conquistar o campeonato mesmo, colocando-se como o maior de todos os tempos, com seis Mundiais, parar de correr. Indiferente ao constatado entre os cidadãos de seu país, Schumacher atendeu hoje a concorridos compromissos com a Shell e a Bridgestone em Tóquio. Diante de 3 mil pessoas no parque de diversões Odaiba, afirmou quando lhe perguntaram exatamente sobre aposentadoria: "Enquanto eu for competitivo, não há motivo para deixar de correr." Falou mais: "O ponto principal é o amor que tenho por esse esporte. Honestamente, o que é melhor de fazer o que se ama? Este ano a competição está num nível muito mais elevado." E acrescentou: "Quanto mais o tempo passa, mais tenho a sensação de amar mais esse esporte." A respeito do campeonato ainda em aberto - os treinos livres do GP do Japão começam amanhã às 23 horas de Brasília -, Schumacher repetiu o discurso: "Ainda não ganhamos nada. Agora, se o conquistarmos, aí sim haverá uma explosão de alegria." Festa que os italianos já dão como certa. A comunidade de Maranello, com a ajuda da própria Ferrari, instalou um telão na praça central da cidade, próximo das dependências da mítica fábrica de carros, onde dentro se encontra o Reparto Corse, a divisão de competições, a fim de que os tifosi acompanhem a transmissão da corrida, a partir das 7h30 local. Depois disso, eles terão o dia todo para celebrar, quem sabe, o sexto título de Schumacher, o quatro seguido, e até o quinto de construtores da equipe em sequência também. A Ferrari terá 450 convidados no Auditório Enzo Ferrari assistindo ao GP do Japão.

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