Alemães festejam a chegada da Copa com Pelé confiante

Até a natureza se preparou para dar boas-vindas à 18.ª Copa do Mundo na Alemanha. Nesta quarta-feira, o frio que persistia em acompanhar Berlim foi embora e a cidade saudou de forma espetacular o Mundial que começa na sexta-feira, com o jogo entre Alemanha e Costa Rica. E o destaque da festa de abertura foi um brasileiro. Pelé foi recebido no palco armado em frente ao Portão de Brandemburgo ao som do ritmo do grupo baiano Olodum.Ao subir ao palco, o Rei do Futebol agradeceu às cerca de 250 mil pessoas que prestigiaram a abertura, disse "I love you" e arriscou até um "Danke schön!", (obrigado). O rosto mais conhecido da face da Terra foi apresentado por Barbara Schöneberger e pelo ex-jogador e campeão mundial em 1974 pela Alemanha, Paul Breitner, que subiu ao palco um pouco depois do Olodum ao lado da lenda viva inglesa, Sir Bobby Charlton e do jogador da Alemanha Oriental que bateu os campeões mundiais em 1974, Jürgen Sparwasser.Em cima do palco, Pelé mostrou intimidade com os presentes, cumprimentou todos, correu, pulou com crianças e soltou as suas máximas, como sempre. "Temos de respeitar a seleção alemã. Todas as equipes estão niveladas e sabemos que eles jogam em casa e que são perigosos. A Copa do Mundo é uma caixa de surpresas." Antes, afirmou, para delírio dos muitos brasileiros presentes, que a seleção de Parreira é a que joga o melhor futebol no momento. Torre de BabelPor volta das 20 horas na capital alemã, o prefeito da cidade, Klaus Wowereit, anunciou a abertura oficial da festa e parabenizou os presentes. "Esta empolgação é impressionante. Vamos mostrar um grande Mundial e vamos ser campeões do mundo", bradava o prefeito, vaiado por alguns. Antes do pronunciamento de Wowereit, várias bandas já tinham se apresentado no palco da Fan Fest, como Hermes House Band, Boss Hoss, Simple Minds, Sportfreunde Stiller (de Berlim). Representando o Brasil estava o grupo Olodum. Nelly Furtado, de Portugal, e Ronan Keating, da Inglaterra, também cantaram. Uma apresentação da Orquestra Filarmônica de Berlim encerrou a festa, com a projeção do filme chamado "A Final" (dirigido por Sönke Wortmann, o mesmo diretor de "O Milagre de Berna").A área de 2,5 quilômetros, que vai ficar montada durante toda a Copa e conta com 6 telões gigantes, tem de tudo. De bungee-jump e praia artificial com areia a cabana de montanha, de restaurantes com comidas típicas de vários países, jogos com bola e tendas de shiatsu até uma roda-gigante. "Isso aqui é a verdadeira Torre de Babel", afirma Nego Cláudio, músico brasileiro que vive em Berlim há 5 anos e sempre acompanha as festas da cidade. "Apesar da diversidade, eles respeitam a cultura de cada um, não há problema", afirmou o brasileiro, que deixou de voltar ao Brasil para acompanhar o Mundial.E põe diversidade nisso. Vários idiomas eram ouvidos na festa de abertura ontem. Gente de várias partes do globo, como equatorianos, suecos, croatas, poloneses, uniformizados com as camisas das suas seleções ou simplesmente apreciando o movimento. Mas tinha também alemão com camisa de brasileiro, americano com camisa de argentino e muito mais. "Uso a camisa do Brasil porque eles são os melhores", afirmou Walter Lutz, alemão de Berlim que vestia a camisa de Ronaldinho Gaúcho.Segurança e confiançaMas a preocupação dos organizadores com a segurança contribuiu para manter o clima tranqüilo. Após o atentado de 26 de maio, quando um jovem feriu 28 pessoas com uma faca, as forças de segurança da capital se preparam muito para a festa de abertura. Policiais à paisana eram vistos em todo o percurso, da Siegsäule (Coluna da Vitória) até o Portão de Brandemburgo. Um esquadrão anti-conflito vigiava os mais agitados e fazia o percurso inteiro da festa, além do reforço da polícia e do corpo de bombeiros, que revistavam as pessoas que entravam na área da Fan Fest.Entre os alemães, muitos queriam mostrar que a cidade vai continuar fazendo suas celebrações, ainda mais com a chegada do Mundial. "Claro que trouxe meu filho, não vejo perigo, confio na polícia", afirmou Marisa Wenzeln com seu filho Matthias, de 2 anos, no carrinho. Para o músico brasileiro Sandro Duban, as festas de Berlim são as melhores que já viu. "Começa um pouco tranqüilo mas depois pega. E agora engrena, vai ser sempre assim durante o Mundial. Ainda mais que o verão chegou para valer."

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