Alemanha promete a "Copa da amizade"

"O mundo entre amigos". Os alemães elegeram este tema para abraçar os três milhões de turistas e torcedores esperados no Mundial do ano que vem. No primeiro ensaio deste ambicioso projeto, a Copa das Confederações encerrada dia 29 de junho com o Brasil campeão, pouco se viu do "mundo entre amigos" nas ruas, restaurantes, transportes coletivos, táxis, hotéis. Os alemães não deram bola para a bola.Na Copa das Confederações, os torcedores locais formaram a maioria do público nos estádios - 575 mil pessoas em 16 jogos, espalhados em cinco estádios, ocupação de 85% dos lugares disponíveis.Em 2006, 75% dos três milhões de torcedores estimados pelo Comitê Organizador da Copa do Mundo virão de fora. A preocupação com vândalos e o terrorismo é muito grande. Na Copa das Confederações, cada delegação dos oito países participantes teve a companhia de um delegado da polícia federal e de pelo menos quatro agentes. Não deram trégua aos jogadores, comissão técnica e imprensa.O chefe de segurança da Seleção Brasileira, coronel Gilberto Vasconcelos, participou de algumas reuniões com a equipe encarregada de proteger o Mundial de 2006. "Eles estão muito preocupados com a segurança das delegações e torcedores. A imagem mais presente ainda é o atentado de Munique, nas Olimpíadas de 1972, quando terroristas palestinos mataram atletas israelenses. Não sabem também o que fazer com a Seleção dos Estados Unidos, por exemplo, que vem com seguranças armados. Eles não querem armas nas delegações. Vai ser uma longa discussão".Nas ruas, o cidadão comum ainda não se deu conta do tamanho do evento que o país receberá daqui a um ano. Na Copa das Confederações, os alemães não se dobraram aos pequenos problemas que os estrangeiros enfrentaram.Seguiram suas regras sem desviar um milímetro. Quando se procura uma informação, poucos se dispõem a ouvir o estrangeiro. Ao mesmo tempo, o torcedor de fora conta com cumplicidade dos imigrantes italianos, turcos e eventuais brasileiros. São a válvula de escape diante do inusitado. Restaurantes italianos pipocam a cada esquina.Os taxistas, por exemplo, são quase todos do mundo árabe. E a maioria "arrasta" um inglês básico. Conhecem tudo, dão dicas de restaurantes baratos para se comer, onde se divertir. Mas a corrida não sai por menos de 8 euros (R$ 24).Nos trens, quase tudo funciona. É ótima alternativa para quem traz pouca bagagem. Mas cuidado, eles não são tão pontuais como se espera. E estão sempre abarrotados.Atenção também nos bondes que circulam nas grandes cidades. Você tem de comprar o bilhete em máquinas nas paradas (pontos). Se comprar o bilhete errado, a encrenca é certa.Em Frankfurt, nós três - repórteres e fotógrafo do JT e Estado - pagamos 1,70 euros (R$ 5,10) cada um, quando o correto era 4,90 euros (R$14,70) cada. Por azar, um fiscal do bonde descobriu o equívoco e ameaçou cobrar uma multa de 40 euros (R$ 120) por passageiro.Depois de muita conversa e a intervenção de uma imigrante mexicana (um anjo da guarda), o fiscal desistiu da multa antes de a polícia, acionada por ele, chegar. Pagamos o preço justo, mas, para não complicar, fomos andando até o hotel.O fiscal relutou para compreender que éramos jornalistas e tínhamos pouco ou quase nenhum conhecimento das regras do país. Um dia antes, o chanceler alemão, Gerhard Shröeder, havia enaltecido o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pela realização da Copa das Confederações. Os alemães têm boa vontade, desde que possam seguir seus dias sem atropelos e um pouco à distância do "mundo entre amigos".

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