Alemanha x Itália: semifinal marcada pela guerra de nervos

O ambiente na equipe da Alemanha é tão bom que nem o fato de estarem prestes a encontrar um duro e incômodo adversário nas semifinais da Copa do Mundo tira o humor dos jogadores. Sorrindo, o capitão alemão Michael Ballack disse que os italianos são favoritos nesta terça-feira, em Dortmund. ?A Itália tem uma grande vantagem sobre nós em Copas (nunca perdeu, em quatro jogos), há pouco tempo nos dominou claramente com sua seleção e o Milan fez 4 a 1 no Bayern de Munique. Tudo mostra que eles vão vencer?, afirmou. ?E isso é perfeito?, completou. Ballack tem vários motivos para querer ver a infelicidade dos italianos e começar a reverter o retrospecto positivo do adversário. Esteve em campo nas duas goleadas mencionadas por ele. Dia 1º de março, em Florença (Itália), perdeu por 4 a 1 para a seleção italiana. Uma semana depois, pela Copa dos Campeões, o Bayern, seu time, foi eliminado com o mesmo resultado pelo Milan. ?Na realidade, não temos nenhuma possibilidade de passar?, voltou ao tom irônico. ?Só nos resta torcer.? Falando um pouco mais sério, o meia apontou três fatores que diferenciam a atual seleção da Alemanha daquela que foi derrotada e humilhada no amistoso em Florença. ?Primeiramente, o bom momento que vivemos. Adquirimos autoconfiança e, principalmente, sabemos que temos atrás de nós um público que nos apoiará até o último instante?, analisou. Além da ausência do volante Torsten Frings, punido pelo comitê disciplinar da Fifa por ter agredido o atacante argentino Julio Cruz após o confronto com a Argentina, Ballack e Klose podem ter dificuldades na semifinal. Ambos sentiram cãibras após o último jogo - resultado do desgaste de disputar a prorrogação e de encarar os pênaltis contra o time sul-americano, pelas quartas-de-final - e tiveram carga reduzida nos treinamentos dos últimos três dias. A esperança do técnico Jürgen Klinsmann é que o tempo de descanso tenha sido suficiente para recuperar os jogadores.Em quatro duelos em Mundiais entre Alemanha e Itália, houve duas vitórias italianas e dois empates. Os alemães são fregueses. Mas a favor do grupo de Klinsmann está o fato de Dortmund ser uma espécie de cidade encantada para a seleção. Em 14 jogos disputados, ganhou 13 e empatou 1. Segue invicta, portanto. ?Mas agora não vamos usar números para ir à decisão. Confiamos é no nosso trabalho, que está perfeito até agora?, disse o técnico alemão, desdenhando das estatísticas. Nada de guerraEnfrentar 62 mil torcedores alemães (serão três mil italianos) em condições normais no Westfalenstadion não é algo que tire o sono do técnico Marcelo Lippi e de seus comandados. Mas enfrentar uma legião dessas insuflada por matérias de jornais a ser hostil com a Azzurra é algo que ninguém quer experimentar. E, por isso, Lippi tratou de dar um recado claro aos jornalistas alemães na coletiva de ontem: ninguém da delegação italiana teve influência na decisão da Fifa de suspender Frings da partida.?Quero dizer a todos vocês, e principalmente aos alemães, que não mexemos um dedo para tirar Frings do jogo. Ficamos surpresos com a decisão da Fifa. A verdade é esta.? O gancho para a mensagem foi uma pergunta de um alemão, que queria saber se não temia um clima mais acirrado contra a Itália pelo fato de a imagem que condenou Frings ter sido apresentada por uma TV italiana.Lippi passou o tempo todo toureando os alemães, que se mostravam inconformados com a suspensão do volante - marcaria Totti. E também fez sua média ao dizer que a Alemanha é forte o suficiente para não sentir o desfalque. ?Um time que chega à semifinal de um Mundial tem recursos para não sentir a falta de um jogador.?A única alteração no time em relação ao jogo diante da Ucrânia será a entrada de Materazzi, que cumpriu suspensão, no lugar de Barzagli. É só uma mudança, mas mantém viva a escrita: será o 28º jogo de Lippi no comando da Azzurra e a 28ª formação diferente.Ficha técnica:Alemanha x ItáliaAlemanha: Lehmann; Friedrich, Metzelder, Mertesacker e Philipp Lahm; Borowski (Kehl), Michael Ballack, Schneider e Schweinsteiger; Klose e Podolski. Técnico: Jürgen Klinsmann.Itália: Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Grosso; Camoranesi, Gattuso, Pirlo e Perrota; Toni e Totti. Técnico: Marcelo Lippi.Juiz: Benito Archundia (MEX)Horário: 16 horas (de Brasília)Local: Westfalenstadion, em Dortmund (Alemanha)

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