Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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Alerta verde

Melhor fase do Palmeiras e turbulência do Corinthians é mais enganosa do que parece no clássico deste domingo

O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 04h00

Tudo conspira em favor do Palmeiras antes de mais um duelo com o Corinthians, nessa histórica e centenária rivalidade. O elenco verde é melhor, o time embalou, encostou nos líderes, tem sofrido poucos gols, além de ter avançado na Copa do Brasil e na Libertadores. Fora isso, joga em casa, com o estrupício que é a obrigatoriedade de torcida única. Do outro lado, tem um rival à deriva, com grupo reduzido e tecnicamente limitado, que acumula decepções e patina no Brasileiro. Para complicar, trocou mais uma vez de técnico na temporada.

Quadro perfeito para alegria verde, não é mesmo? Ocasião oportuna para devolver em parte a mágoa provocada pela derrota na final do Paulista, meses atrás. Coluna 1 na Loteria Esportiva (a propósito, ainda existe?), sem chance para a zebrinha. O alvinegro, afinal, é carta rasgada e fora do baralho.

Pode quebrar a cara quem apostar nisso. Diria que corre risco razoável de errar. Evidentemente, a rapaziada de Felipão está em alta, as respostas têm sido satisfatórias e aparentemente há perspectiva de avanço nas três frentes. Mas jamais, jamais mesmo, se deve desprezar o poder de reação daquele que chega por baixo no Dérbi Paulista. A história é pródiga em exemplos de reviravolta – o último foi justamente a decisão do Estadual. Vitória num Palmeiras x Corinthians é de lavar a alma.

Noves fora a filosofada a respeito dos riscos de cravar favoritismo, vale ver de perto como estão os dois lados. Felipão mostra habilidade no manejo da trupe. Até agora, soube mesclar os jogadores de que dispõe, com a opção de rodízio. Parece dar atenção idêntica a quase todos, e com isso estimula competição, mantém todos em alerta, diante da possibilidade de serem escalados, e ao mesmo tempo não desgasta apenas uma parte do pessoal. Roda a turma, falha que custou o emprego para Eduardo Baptista, Cuca e Roger Machado.

O Palmeiras tem diversos titulares cujos nomes surgem naturalmente – Weverton, Dudu, Bruno Henrique, Felipe Melo, Antonio Carlos, Lucas Lima. Mas há muitos que entram e saem com tanta frequência, e não desapontam, que fica difícil classificá-los. Mayke e Marcos Rocha na lateral direita, Victor Luis e Diogo Barbosa na esquerda, Borja e Deyverson, Moisés e Hyoran e assim por diante.

Portanto, se Felipão colocar em campo equipe “alternativa” (denominação horrível) talvez o torcedor nem perceba. O método, porém, deve ser o habitual: marcação forte, responsável pelo poucos gols levados, e saída rápida para o ataque. Às vezes, com ligação direta, um aspecto a ser burilado.

Já o Corinthians não tem muito para onde apelar. Jair Ventura chegou no feriado, falou olá para os jogadores, fez algumas ponderações e já vai para a lutar. Imagino que saiba o tamanho do rabo de foguete que tem de segurar – mas a escolha do desafio foi dele. O tempo, a grana e o elenco são curtos.

Jair não conseguirá fugir da necessidade de repetir grande parte da escalação do meio da semana, na derrota por 2 a 1 para o Ceará. Falta-lhe material. A situação é tão incômoda que pode deslocar Douglas do meio para a lateral esquerda por ausência de “especialista” para a posição. No meio, tende a colocar Gabriel e Ralf para a vigilância da defesa, Jadson para ser o cérebro, enquanto Romero, Roger e Pedrinho (melhor seria Clayson) mais à frente.

É o que há para o momento. O Corinthians atravessa um período no limbo, carrega uma ponto de interrogação, trata-se de uma incógnita. Tão imprevisível que pode acertar o passo e pregar uma peça.

SELEÇÃO

Jogo para o gasto, na noite de sexta-feira, na vitória sobre o EUA, no novo ciclo do Brasil. Sparring fraco, que não deu sustos. Oportunidade para Tite colocar em ação diversos novatos e para a CBF faturar.

 

 

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