Alex Silva: 'O futebol boliviano me tirou do esquecimento'

Zagueiro revelado pelo São Paulo quer fazer história no Jorge Wilstermann, adversário do Palmeiras nesta quarta

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2017 | 07h00

Há alguns meses o zagueiro Alex Silva tinha como meta defender o Brasiliense para conseguir vaga na Série D do Campeonato Brasileiro e conseguir prorrogar por seis meses o contrato. Nesta quarta-feira, o jogador de 32 anos com passagens por São Paulo, Flamengo e seleção brasileira tem como objetivo enfrentar o atual campeão brasileiro, o Palmeiras, no Allianz Parque, e fazer o Jorge Wilstermann, da Bolívia, a manter a boa campanha na Copa Libertadores.

O contraste entre as duas situações é evidente e é motivo de orgulho para o defensor. A satisfação é tão grande que nem mesmo o desafio de jogar contra o favorito e com o estádio lotado pela torcida adversária o assusta. "Até pouco tempo estava jogando o Candangão para 300 pessoas assistirem. Estou feliz por voltar a uma atmosfera de Libertadores, de sentir a pressão. É uma oportunidade que eu precisava", afirmou, em entrevista ao Estado.

Alex Silva trata a ocasião como um renascimento, assim como teve em outubro de 2014, quando estava sem emprego e foi detido após ser pego alcoolizado em uma blitze. O zagueiro se apegou à religião para se livrar da dependência. O problema foi solucionado. Só faltava, porém, resolver dentro de campo. Voltar a atuar em campeonatos de alto nível era o objetivo.

Nas duas últimas temporadas o defensor passou por clubes como São Bernardo, Rio Claro, Hercílio Luz e Brasiliense. A carreira estava em baixa para quem despontou aos 20 anos como titular do São Paulo, onde ganhou dois Brasileiros, recebeu espaço na seleção brasileira e foi vendido ao futebol alemão. "Jogar no Jorge Wilstermann era uma oportunidade que estava precisando para voltar ao cenário, em evidência. Estive dois anos esquecido, em equipes de pouca expressão", comentou.

O chamado para reforçar o atual campeão boliviano veio por intermédio de um amigo. A recepção no novo clube, em janeiro, chamou a atenção. "Eu não sabia que eu era tão conhecido no exterior. Poder jogar a Libertadores é uma vitrine. Se eu for bem, vai acabar a desconfiança que muitos têm a meu respeito", afirmou. O zagueiro culpa as lesões e as quatro cirurgias no joelho pela carreira não ter se consolidado em grandes clubes brasileiros.

O defensor chegou a encerrar a carreira anos atrás, quando estava em baixa. Agora, sonha em levar o Jorge Wilstermann em uma campanha histórica na Libertadores e a surpreender o Palmeiras. Os anos longe do futebol de alto nível lhe privaram de conhecer o Allianz Parque, onde jogará nesta quarta. "Acho que a última vez que estive no estádio era no antigo Parque Antárctica. Pelo São Paulo, a gente foi eliminado por eles no Paulista de 2008, naquele jogo que ficou marcado pelo gás de pimenta no vestiário", relembrou Alex Silva, animado para reviver novas histórias marcantes no futebol.

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