Jorge Adorno/Reuters
Jorge Adorno/Reuters

Alexandre Gallo deve deixar a seleção sub-20 depois do carnaval

Reunião com comando da CBF selará destino do técnico da equipe olímpica, que já foi destituído da função de coordenador da base

O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 07h00

Uma reunião depois do carnaval entre a cúpula da CBF e Alexandre Gallo vai definir o futuro do treinador. Ele já foi destituído da função de coordenador das categorias de base e deve também perder o cargo de técnico do seleção Sub-20 e da seleção olímpica. A quarta colocação no Sul-Americano Sub-20, no Uruguai, deixou o presidente da CBF, José Maria Marin, muito insatisfeito.

Como vai deixar a presidência da CBF em abril, Marin não quer tomar sozinho nenhuma decisão que afetará diretamente o trabalho do seu sucessor, Marco Polo Del Nero. Assim, a situação de Gallo será discutida em conjunto com o presidente da Federação Paulista de Futebol e o coordenador de seleções da CBF, Gilmar Rinaldi.

Se confirmada a demissão de Gallo após o carnaval, Dunga é quem deve comandar a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio. A escolha demonstraria uma mudança de posicionamento do comando da CBF, que sempre defendeu que o técnico do time principal não poderia acumular a função na equipe olímpica.

Em sua primeira passagem pela seleção, Dunga pediu para comandar o time na Olimpíada de Pequim, em 2008, e fracassou ao ser derrotado pela Argentina na semifinal. O Brasil acabou com a medalha de bronze e o treinador foi duramente criticado por não ter conquistado o ouro inédito.

Dunga é hoje o único nome que a CBF cogita para substituir Gallo. Somente se o treinador recusar o convite é que Marin e Del Nero vão procurar outras opções no mercado. O título olímpico em 2016 é visto pela CBF como a grande chance de minimizar o vexame da goleada por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal Copa do Mundo. 

Apesar da tratar as seleções de base como prioridade, ao contratar Galo o presidente Marin apostou num técnico sem grandes títulos de expressão.

Gallo havia conquistado apenas o Campeonato Pernambucano de 2007 com o Sport, a Recopa Sul-Americana pelo Internacional no mesmo ano e o Campeonato Catarinense de 2008 pelo Figueirense.

Gallo está na CBF desde 2012. Linha dura, ele foi chamado assim que Marin assumiu a presidência depois da renúncia de Ricardo Teixeira para comandar e unificar a linha de trabalho de todas as divisões de base. Na seleção Sub-20, ficou em quarto lugar no Sul-Americano. Como supervisor do time Sub-17, viu o Brasil terminar em terceiro no Sul-Americano e depois cair nas quartas de final no Mundial em 2013.

Sem padrão. Marin disse na última quinta-feira, durante evento no Rio, que o que garante o emprego de um treinador são os resultados. E os obtidos por Gallo até agora foram considerados ruins.

A principal crítica do presidente da CBF ao trabalho de Gallo é que o treinador não conseguiu dar um padrão de jogo à equipe e ficou refém da individualidade de seus jogadores. Como a seleção Sub-20 não conta com nenhum craque, o time caiu diante de Argentina e Colômbia, empatou com o Uruguai e ganhou apenas do Peru e do Paraguai no hexagonal final.

O Brasil ficou com a última vaga do continente para o Mundial que será disputado na Nova Zelândia entre 30 de maio e 20 de junho. A seleção está no Grupo E, junto com Coreia do Norte, Hungria e o campeão africano, que será conhecido apenas em março.

Já sem Gallo no papel de coordenador da base, a seleção brasileira Sub-17 inicia amanhã, em Itu, os treinamentos para o Sul-Americano da categoria, que será realizado no Paraguai a partir de dia 5 de março e dará vagas para o Mundial do Chile que começará dia 17 de outubro. 

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