Alexandre Guimarães já pensa na Copa

Daqui a quatro dias, a seleção da Costa Rica será convocada para amistoso com a França, dia 9 de novembro, na Ilha de Martinica. Não se trata de um jogo qualquer. É o início da fase final de preparação da equipe da América Central para a disputa do Mundial de 2006, na Alemanha. A expectativa no país é grande pela terceira participação do escrete azul e vermelho numa Copa e a responsabilidade de novo está nas mãos do carioca naturalizado costa-riquenho Alexandre Guimarães, de 46 anos. Nesta entrevista por telefone à Agência Estado, Alexandre fala dos planos da Costa Rica para a Copa da Alemanha (nada ambiciosos), diz que mais importante do que a própria competição, após a vaga assegurada nas E liminatórias, é o sorteio dos grupos, em dezembro. Não quer de jeito nenhum ter de enfrentar o Brasil logo na primeira fase, como ocorreu nas duas únicas vezes em que a Costa Rica esteve no Mundial: em 90 (perdeu por 1 a 0) e em 2002 (foi goleada por 5 a 2). ?É melhor deixar essa idéia de lado.?Em 1990, Alexandre era jogador da seleção, mas não atuou contra o Brasil. Em 2002, dirigiu a equipe, com apoio incondicional do então presidente da Costa Rica, Miguel Angel Rodriguez, que antes mesmo daquele Mundial assistia a todos os jogos do time e até entrava no vestiário para cumprimentar e premiar os atletas. Alexandre vai-se juntar na Alemanha a outros brasileiros, mais conhecidos no futebol, com os quais quer evitar comparações. Para ele, não haverá nenhuma disputa paralela com Carlos Alberto Parreira, Luiz Felipe Scolari (técnico de Portugal) e Zico (dirigindo a seleção do Japão). Ele se dará por satisfeito se a Costa Rica, a 20ª no ranking da Fifa, ficar entre as 16 melhores do Mundial.Agência Estado - Qual o objetivo da Costa Rica no Mundial de 2006?Alexandre Guimarães - Chegar até as oitavas-de-final, repetindo assim o feito na Copa de 1990. Qualquer coisa além disso, será um lucro fantástico. Como também o oposto, ou seja, a eliminação na primeira fase, representaria uma frustração muito grande.AE - Contentar-se apenas com uma classificação entre os 16 melhores não é falta de ambição?Alexandre - É a realidade. De que adianta dizer algo sugestivo, se não sabemos nem qual será nosso grupo? Em 2002, ficamos na mesma chave de Brasil e Turquia logo de cara. E o que isso significou? O Brasil foi campeão do mundo e os turcos chegaram à semifinal. E só não passamos para as oitavas-de-final por causa de um gol de diferença, favorável à Turquia, no critério de desempate.AE - Então o sorteio dos grupos pela Fifa em dezembro tem importância especial para a Costa Rica?Alexandre - É como se fosse uma competição extra. São três etapas no nosso trabalho: classificar a equipe para o Mundial, esperar e torcer para que as bolinhas no sorteio não nos atrapalhe e finalmente disputar a Copa da Alemanha.AE - A Costa Rica está preparada para enfrentar o Brasil de novo, logo de início, como foi em 1990 e 2002?Alexandre - Meu time não tem medo de nenhum adversário. Mas é melhor deixar essa idéia de lado. Que o Brasil se apresente para outras seleções. Por que sempre a Costa Rica?AE - Qual a diferença do atual grupo costa-riquenho com relação ao de 2002?Alexandre - Muito mais maduro, experiente. Antes, a Costa Rica era uma seleção fair-play, ingênua, só preocupada em atacar, em fazer gols. Agora todos vão notar a diferença. Tem obrigação de marcar os adversários, de não deixar que joguem fácil. Não se trata de fazer falta, de praticar a violência. Mas a Costa Rica adotou desde o final das recentes Eliminatórias um estilo mais tático, sem a liberdade de outrora. AE - Como foi a participação da Costa Rica nas Eliminatórias da América Central e do Norte?Alexandre - A equipe vinha com desempenho irregular e eu fui contratado em abril deste ano, na terceira troca da comissão técnica desde o início do torneio. Comandei o time sete vezes nas Eliminatórias, no hexagonal decisivo, com quatro vitórias e três derrotas. Seria difícil superar México e Estados Unidos. O que queríamos era a terceira vaga e conseguimos conquistá-la. Deixamos para trás Guatemala, Panamá e Trinidad e Tobago.AE - Quem são os destaques da seleção de Costa Rica?Alexandre - Temos jogadores de bom nível técnico que atuam no futebol local. Poucos vêm do exterior, como o zagueiro Martinez, do Brescia, da Itália, os atacantes Wanchope, do Al-Gharafa (Catar), e Parks, do Saturno, da Rússia. Claro, eles estão entre os mais experientes. Tenho ainda à disposição alguns atletas em atividade nos Estados Unidos e na Guatemala.AE - Considera o Brasil superfavorito ao título em 2006?Alexandre - Isso é inegável. Mas o próprio técnico Carlos Alberto Parreira vem alertando seus jogadores de que é preciso provar na competição, a cada jogo, esse favoritismo. Vejo também a Alemanha como forte candidata e acredito que Argentina e França possam se reabilitar da campanha infeliz de 2002. AE - Quem ganha nessa disputa particular entre Parreira, Felipão, Zico e Alexandre Guimarães no Mundial de 2006?Alexandre - O Brasil. Quem sai ganhando é o Brasil. Gostou? Foi uma resposta de político, né? Melhor assim. Não vou cair nessa armadilha de analisar cada um deles.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2005 | 10h49

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