JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Há cinco anos, Allianz Parque recebia o 1º jogo e iniciava uma nova era no Palmeiras

Palco de títulos, alegrias e decepções, arena alviverde recebeu seu confronto de abertura no dia 19 de novembro de 2014

Ciro Campos, Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 10h00

Há exatos cinco anos, o torcedor do Palmeiras se enchia de orgulho por ter uma casa novinha em folha, e uma das arenas mais modernas do País. No dia 19 de novembro de 2014, o time alviverde fez seu primeiro jogo no Allianz Parque. De lá para cá foram muito mais alegrias do que tristezas no estádio. 

O Allianz Parque, construído onde antes era o Palestra Itália, possui uma ligação grande com a equipe e com sua torcida. Os números mostram a força do time em seus domínios. Em 149 jogos, foram 100 vitórias, 27 empates e apenas 22 derrotas. A equipe palmeirense marcou 275 gols diante de sua gente e sofreu 109. O Estado lembra outros números e alguns fatos curiosos da arena no bairro da Pompeia, zona oeste de São Paulo.

PÚBLICO E RENDA NO ALLIANZ PARQUE

No total, o Palmeiras arrecadou R$ 313.813.384,41 com bilheterias de jogos e teve um público nas partidas de 4.629.142, segundo dados oficiais. Dos 149 duelos, em 139 a arrecadação foi superior a R$ 1 milhão. 

MAIOR PÚBLICO E RENDA

O recorde de pagantes no Allianz foi no jogo da entrega da taça de campeão brasileiro de 2018, contra o Vitória, quando 41.256 torcedores compareceram ao estádio. O presidente da República Jair Bolsonaro marcou presença nesse dia. Ele entrou em campo e ajudou a levantar o troféu. Já a maior renda registrada foi de R$ 5.336.631,25, conquistada em 2 de dezembro de 2015, na decisão da Copa do Brasil, contra o Santos. O time foi campeão. 

JOGADORES QUE MAIS ATUARAM NA ARENA

O atacante Dudu é, com sobras, o jogador que mais atuou na casa alviverde. A lista dos cinco primeiros é composta por atletas que ainda estão no time. Zé Roberto virou diretor e parou de jogar. A lista tem: 

  1. Dudu: 122 jogos
  2. Fernando Prass: 86 
  3. Thiago Santos: 70
  4. Vitor Hugo: 70 
  5. Zé Roberto: 66

MAIORES ARTILHEIROS DO ALLIANZ

Dudu também lidera a lista dos maiores goleadores do estádio. O camisa 7 do Palmeiras, que está no clube desde 2015, foi quem mais balançou as redes dos rivais que ousaram enfrentar a equipe em sua casa. Confira a lista dos cinco maiores artilheiros. De todos eles, apenas um não veste mais a camisa do clube:

  1. Dudu - 32
  2. Borja - 19
  3. Willian - 15
  4. Deyverson - 13
  5. Rafael Marques - 12

MAIOR GOLEADA

No dia 21 de março de 2018, o Palmeiras goleou o Grêmio Novorizontino por 5 a 0, com gols de Bruno Henrique, Keno, Willian, Dudu e Papagaio, em jogo válido pelo Paulistão de 2018.  

DESEMPENHO EM CLÁSSICOS NA ARENA

Foram 25 jogos contra seus maiores rivais de São Paulo, sendo 15 vitórias palmeirenses, cinco empates e cinco derrotas. Confira o retrospecto alviverde diante desses times. O São Paulo, por exemplo, nunca ganhou do Palmeiras no Allianz. E olha que eles já fizeram 9 partidas desde que a arena foi inaugurada.

  • São Paulo: 9 jogos, sendo 8 vitórias e 1 empate
  • Santos: 9 jogos, sendo 5 vitórias, 3 empates e 1 derrota
  • Corinthians: 7 jogos, sendo 2 vitórias, 1 empate e 4 derrotas

CURIOSIDADES DO ALLIANZ

  • Técnico que mais comandou o Palmeiras no Allianz: Cuca (35 partidas)
  • Gol mais rápido: Moisés, aos 2 minutos, no dia 22/07/2018, contra o Atlético-MG
  • Gol mais tardio: Fabiano (2017) e Felipe Melo (2019). Ambos aos 103 min (ou 54 do 2º T), diante do Peñarol pela Libertadores e contra a Chapecoense pelo Brasileirão, respectivamente
  • Adversário mais frequente: Santos e São Paulo, com nove jogos cada
  • Time que mais foi derrotado na arena: São Paulo: oito vezes
  • Primeiro gol no Allianz: Ananias, na vitória do Sport por 2 a 0 sobre o Palmeiras
  • Primeiro gol do Palmeiras: Henrique Dourado, no empate por 1 a 1 com o Athletico-PR, dia 7/12/2014

SHOWS NA ARENA

Nos últimos cinco anos, algumas vezes o Palmeiras precisou jogar em outros estádios, pois a Arena seria usada para shows musicais. Foram 84 no total, sendo 58 internacionais e 26 nacionais. Entre os cantores, o Allianz recebeu Paul McCartney, The Who, Elton John, Andrea Bocelli, entre outros. Parte das rendas desses shows são destinadas ao clube. No acordo feito com a WTorre, o Palmeiras teria de deixar o estádio em dias de espetáculo. Mais recentemente, gestores da arena reservaram apenas parte do local para shows com menor público, entre 9 e 11 mil pessoas.

2020 COM GRAMADO ARTIFICIAL

A próxima novidade no estádio deve ser a troca do gramado. Palmeiras e os administradores do Allianz Parque estão nos acertos finais para colocar um piso sintético na arena. O motivo é facilitar a manutenção, assim como evitar que a alternância de shows e jogos prejudique a qualidade do campo para a disputa de partidas. A empresa fabricante do piso sintético é holandesa. Dirigentes do Palmeiras e membros da comissão técnica estiveram recentemente na Europa para visitar exemplos de campos que utilizam o mesmo material e gostaram do resultado.

ENTREVISTA COM LUIZ GONZAGA BELLUZZO

Ex-presidente do Palmeiras, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo foi o responsável em 2010 por organizar e iniciar o projeto de transformação do antigo Palestra Itália em Allianz Parque. No ano passado, quando o estádio estava prestes a receber o centésimo jogo do time, ele recebeu o Estado em sua casa, em São Paulo, e relembrou como foi o trabalho para viabilizar a obra. Confira alguns trechos:

O impacto do estádio te surpreendeu?

Eu costumo comparar a decisão de encaminhar a construção do estádio com o acordo de co-gestão da Parmalat. Nos dois casos havia uma leva de incerteza muito grande a respeito do resultado. Se eu dissesse para você que antecipei o resultado, estaria mentindo. Estaria sendo infiel à minha formação e concepções. Você tem que imaginar não só os resultados do empreendimento, como também os efeitos que ele vai produzir. Foi uma aposta.

Dentro da história do Palmeiras, você compararia o impacto da arena com que outro acontecimento?

Não sou a pessoa indicada para falar isso, porque seria um elogio a mim. Mas o estádio tem um impacto maior do que a Parmalat. O Palmeiras é um clube muito peculiar. É o mais conservador e ao mesmo tempo mais inovador que eu conheço. O estádio é um divisor de águas mais profundo do que a Parmalat. E eu também participei desse projeto.

O clube a empresa tiveram vários problemas de relacionamento. Faria o contrato diferente?

Isso é normal. Foi sábio escolher a arbitragem para as divergências. É comum ter conflitos de interesse e para se resolver de forma civilizada, colocamos no contrato que é preciso resolver os problemas em câmaras de arbitragem. Nenhum contrato é perfeito. Hoje, se eu fosse fazer, teria colocado outras questões, para clarear alguns pontos. O importante é que os dois se beneficiam. O Palmeiras ganha com a bilheteria e a WTorre, com os shows. Eles precisam se entender um pouco sobre quem paga o quê. Qualquer parceria é complicada. Por isso é preciso ter instrumentos necessários para contornar os conflitos.

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