Nilton Fukuda/Estadão
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Alma de Sampaoli

O Santos joga com sangue nos olhos, assim como trabalha seu treinador

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 04h30

O agitado Jorge Sampaoli mudou a alma santista. Aquele time apático de temporadas passadas não existe mais. Morreu. Desapareceu sem deixar saudade. O Santos sob o comando do argentino tem sangue nos olhos, igualzinho ao seu treinador. Quem acompanhou o clássico deste domingo com o São Paulo no Pacaembu testemunhou um Santos mordedor, de marcação alta, de muita correria e entrega, sem dar trégua para o adversário. Intenso até o fim. Isso é Sampaoli puro.

Da mesma forma, quem viu o técnico nessas três primeiras rodadas do Paulistão se deparou com um profissional inquieto à beira do gramado, andando de lá para cá e de cá para lá sem parar, o tempo todo. Em muitos momentos o sangue latino o faz bater de frente com o quarto árbitro, de modo a deixá-los tenso os 90 minutos. Assim também é o Santos, um time tenso no bom sentido, ligado o tempo todo, que acredita e não desiste.

Nesta condição, engoliu o São Paulo facilmente, ficando com a bola e jogando melhor. Fez 2 a 0, mas poderia ter feito mais. Não deixou Nenê jogar. Parou Pablo. Pilhou Hudson e Arboleda. Mas também soube jogar, com contra-ataques, buscando as jogadas ofensivas sempre com mais de três jogadores. Construiu de forma eficiente sua terceira vitória na competição. E ganhou confiança, não para o Estadual apenas, mas para o que vem pela frente na temporada. O Paulistão virou um torneio preparatório dos times grandes de São Paulo. Só não vê quem não quer. E o Santos, mesmo sem atletas excepcionais, mas todos eles querendo se provar, começa bem.

Sampaoli tem como principal virtude fazer o time jogar em busca do gol. Não seria demais apostar que ele vai treinar o Santos para ser como a seleção chilena foi nas suas mãos, teoricamente com jogadores inferiores aos de Brasil e Argentina, mas bem treinados e convictos de que poderiam vencer as competições. Foi assim que ganhou duas Copas América e quase, quase mesmo, eliminou a seleção no Mundial de 2014. Aquele Chile tinha um meio de campo marcador e saídas rápidas em bloco para o ataque.

É cedo para apostar tudo e tirar conclusões definitivas sobre esse Santos, mas seria miopia também não enxergar um bom caminho para o time neste ano que está apenas começando.

Diferentemente disso, o São Paulo, de Jardine, ainda não encontrou sua maneira de atuar. Tem jogadores na reserva querendo entrar e fazendo sombra aos titulares, como Diego Souza. O meio de campo ora funciona, ora não funciona com Hudson e Jucilei, que têm características mais defensivas do que ofensivas, mais destroem do que constroem. Falta alguém para articular as jogadas com mais facilidade e melhorar a leitura do jogo. E esse cara não é Nenê. Ou apenas ele.

MINAS

A rodada do Mineiro, que poderia ter sido adiada, teve homenagem às vítimas de Brumadinho. Fred, do Cruzeiro, que empatou com o Atlético por 1 a 1, foi um dos que falaram sobre a tragédia. Futebol é e sempre será alegria, mas não pode ficar à margem dos acontecimentos do Brasil, como já ocorreu, tampouco seus personagens. O minuto de silêncio para reflexão é mais do que necessário. No clássico do Pacaembu também houve um momento de respeito às vítimas e familiares. Pena que a organização preferiu tocar o Hino Nacional até o fim e fazer só 15 segundos de silêncio.

CORINTHIANS

Gustavo não vai perder posição para Love nem para Boselli, ambos mais badalados do que o rapaz que voltou do Fortaleza. Não enquanto ele estiver fazendo gols e suando a camisa, como gosta o corintiano. Carille é da escola de Tite, que não vê cor dos olhos. Só espero que a diretoria não influencie.

 

 

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