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Inter x Atlético-MG pelo Brasileirão de 1980 Reprodução|Youtube

Inter x Atlético-MG pelo Brasileirão de 1980 Reprodução|Youtube

ALMANAQUE ESTADÃO: Em pleno Beira-Rio, Reinaldo e Éder acabaram com a hegemonia do Internacional

Dupla atleticana faz bonito em Porto Alegre e leva o time de Minas para a decisão do Brasileirão de 80 contra o Flamengo

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Inter x Atlético-MG pelo Brasileirão de 1980 Reprodução|Youtube

Com uma atuação espetacular de Reinaldo, Éder e Toninho Cerezo, em pleno Beira-Rio, em Porto Alegre, o Atlético-MG acabou com a hegemonia do Internacional no Campeonato Brasileiro de 1980. O clássico placar de 3 a 0 levou a equipe mineira à decisão da competição contra o Flamengo. O time do Atlético reunia juventude, técnica e experiência. Tinha Reinaldo e Éder em grande forma, Chicão e Palhinha esbanjando experiência, além de uma zaga segura com Luisinho e João Leite no gol.

A atuação que garantiu a vaga na final foi esplendorosa diante de um Internacional fortíssimo também, com Batista, Jair e Mário Sérgio. No primeiro duelo, no Mineirão, o time havia conseguido arrancar um importante empate por 1 a 1. E dava como certa a classificação em casa.

Mas o segundo jogo, na capital gaúcha, foi todo dos mineiros, que botaram para quebrar. O primeiro gol saiu aos 17 minutos do primeiro tempo ainda, após maravilhoso lançamento de Cerezo, que foi encontrar a cabeça de Reinaldo entre a zaga do Inter. Esses jogadores seriam mais adiante, em 1982, convocados para a Copa de 1982, na Espanha.

Ainda na primeira etapa, o goleiro Gasperin foi vítima da enorme habilidade do ponta-esquerda Éder, em cobrança de faltas. Em uma bola parada pelo lado direito, o atacante bateu com felicidade, por cima da barreira, surpreendendo o goleiro gaúcho.

Com a necessidade de pelo menos empatar a partida para ficar com a possibilidade de disputar o título, pois tinha melhor campanha na competição, o Inter ficou ainda mais abalado quando o juiz paulista Roberto Nunes Morgado expulsou Mário Sérgio no segundo tempo. Mário morreu no acidente do avião da Chapecoense em 2016. Ele era comentarista da Fox Sports.

Sem perdão, o Atlético-MG aproveitou para imprimir um ritmo ainda maior e teve chances de conseguir uma goleada histórica. Várias foram as chances, inclusive uma bola no travessão com Palhinha. Mas ainda havia tempo para mais um gol. E foi feito com grande categoria. Palhinha rolou a bola, fora da área, para Éder. O ponta bateu com maestria e superou mais uma vez Gasperin. O atleticano correu para festejar em direção às arquibancadas já vazias, pois muita gente havia indo embora para casa.

O Inter, campeão invicto de 1979, era superado dentro de casa e jamais conseguiu retomar o título brasileiro, conquistado três vezes na década de 70.

FICHA TÉCNICA

  • Inter: Gasperin; Carlos Alberto, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista; Toninho (Jones) e Cléo; Jair, Adilson (Chico Spina) e Mário Sérgio. Técnico: Ênio Andrade
  • Atlético-MG: João Leite; Orlando, Silvestre, Luisinho e Jorge Valença; Chicão, Toninho Cerezo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo (Ângelo) e Éder Aleixo. Técnico: Procópio Cardoso

     

  • Gols: Reinaldo, aos 17 minutos, Éder Aleixo aos 45 minutos do primeiro tempo e aos 44 minutos do segundo tempo
  • Público: 59.087 pagantes
  • Cartão vermelho: Mário Sérgio
  • Renda: Cr$ 6.813.030,00
  • Juiz: Roberto Nunes Morgado-SP
  • Local: Beira-Rio, em Porto Alegre

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Inter x Cruzeiro pelo Brasileiro de 1975 Reprodução

Final de 1975 foi um duelo entre as defesas de Manga e os chutes de Nelinho

Naquele ano, o Internacional ganhou seu primeiro título do Campeonato Brasileiro

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

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Inter x Cruzeiro pelo Brasileiro de 1975 Reprodução

O Internacional ganhou seu primeiro título brasileiro em 1975, após decisão equilibrada com o Cruzeiro em um abarrotado Beira-Rio. O gol "iluminado" pelo sol, marcado pelo lendário zagueiro chileno Elias Figueroa, aos 11 minutos do segundo tempo, coroou o grande trabalho do técnico Rubens Minelli e de um elenco que tinha também Falcão, Paulo César Carpegiani, Valdomiro, Flávio Minuano e Lula no elenco. O jogo é mais um do Almanaque Estadão do Brasileirão, criado em 1971 e que ainda está sem data marcada para ser disputado nesta temporada.

O Cruzeiro também era um timaço, com Raul, Piazza, Zé Carlos, Palhinha, Joãozinho... foi um osso duro de roer para os gaúchos. Para muitos, os mineiros só não saíram com o título de Porto Alegre por causa das milagrosas defesas de Manga, apontado como um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro. E do Internacional naquela temporada. O futebol era disputado em finais eletrizantes.

Enquanto Palhinha, pelo Cruzeiro, e Lula, pelo Inter, brigavam contra as zagas adversárias para tentar marcar um gol na decisão, o goleiro dos dedos tortos, pois atuava sem luvas, travou um grande duelo com o lateral-direito Nelinho, dono de um dos chutes mais poderosos de todos os tempos. 

Nelinho tentou de todas as formas colocar o Cruzeiro em vantagem no jogo único da final, disputado na capital gaúcha por causa da melhor campanha do time da casa. No primeiro tempo, o lateral arriscou uma falta de longe, pela ponta-esquerda, obrigando Manga a mandar a bola para escanteio. Até de pé esquerdo, que não era seu forte, o defensor mineiro utilizou na tentativa de surpreender a muralha no gol do Colorado. Essa disputa foi um capítulo especial na final de 75. 

Mas foi na segunda etapa que o camisa 1 do Inter escreveu mais um grande capítulo nos almanaques do futebol nacional ao fazer pelo menos quatro defesas milagrosas. Na primeira, Nelinho chutou da intermediária pelo lado direito. A imagem atrás do gol mostra a curva que a bola apresentou quase em cima do goleiro, que, como um gato, espalmou para escanteio.

No lance seguinte, Nelinho cobrou escanteio pela direita e a bola resvalou dentro da área. Manga foi buscar no canto esquerdo. Mais uma escanteio e Nelinho bateu ainda mais forte, mas Manga saltou e com uma mão só fez a defesa, o que causou uma comemoração no estádio como se fosse um gol do Inter. Mas o melhor estava por vir. Falta frontal. Nelinho coloca um efeito extraordinário na bola, que passa pelo lado direito da barreira e "corre" para o escanteio de Manga. O goleiro salta com incrível agilidade e agarra a bola.

"Eu tentei tudo naquela bola. O efeito pegou direitinho, mas o Manga foi melhor ainda", disse o Nelinho, de 69 anos, que defendeu a seleção brasileira nas Copas de 1974 e 1978, quando fez um dos gols mais sensacionais em Mundiais sobre a Itália na disputa do terceiro lugar. "Foi a maior defesa da minha vida", afirmou o pernambucano Manga, de 83 anos, que jogou no Botafogo ao lado de Garricha e Nilton Santos, no Nacional, do Uruguai, entre outros clubes, além de defender a seleção brasileira na Copa de 1966. "Nunca mais vai existir outro Manga." 

FICHA TÉCNICA DO JOGO

Internacional: Manga; Valdir, Figueroa, Hermínio e Chico Fraga; Caçapava, Falcão e Paulo César Carpeggiani; Valdomiro (Jair), Flávio Minuano e Lula. Técnico: Rubens Minelli

Cruzeiro: Raul; Nelinho, Darci Menezes, Morais e Isidoro; Wilson Piazza, Zé Carlos e Eduardo; Roberto Batata (Eli Mendes), Palhinha e Joãozinho. Técnico: Zezé Moreira

Data: 14/12/1975

Renda: CR$ 1.743.805,00

Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschillia

Público: 82.568

Local: Beira-Rio

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O gol de Éverton na virada sobre o Botafogo quase derrubou o Morumbi em 1981

Sob a orientação do técnico Carlos Alberto Silva, a diretoria tricolor formou uma seleção no início dos anos 80

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 10h00

Sob a orientação do técnico Carlos Alberto Silva, a diretoria do São Paulo formou uma seleção no início dos anos 80. Depois do título paulista, o objetivo era se sagrar campeão brasileiro. A defesa tinha Waldyr Peres, Getúlio, Oscar, Dario Pereira e Marinho Chagas e o ataque era composto por Paulo Cesar, Serginho e Zé Zérgio, além de Renato no meio-de-campo.

Mas em 26 de abril de 1981, com um Morumbi abarrotado de gente, Éverton, um meia raçudo e com grande habilidade para bater na bola saiu do banco de reservas para realizar umas das maiores atuações já registradas na história da competição nacional.

Depois de perder o jogo de ida da semifinal, no Maracanã, por 1 a 0, para o Botafogo do goleiro Paulo Sérgio, do lateral-direito Perivaldo, do volante Rocha, do meia Marcelo (Oliveira, técnico) e do craque Mendonça, o São Paulo tinha de devolver o resultado para alcançar a decisão do Brasileiro.

E o jogo do Morumbi não poderia começar pior para desespero dos quase 100 mil são-paulinos presentes naquele domingo de sol. Logo aos dez minutos, após tabela rápida com Marcelo, Jérson (com J), encobriu Waldyr Peres para abrir o placar.

O gol desestruturou o São Paulo, que, aos 19, viu Perivaldo lançar de forma sensacional Mendonça. No meio da zaga, o meia bateu com elegância para fazer 2 a 0 e calar momentaneamente o Morumbi.

O São Paulo precisava de pelo menos um gol na primeira etapa para ir para o vestiário com ânimo de buscar a virada no segundo tempo. E ele veio de forma polêmica, após o juiz paranaense Bráulio Zanotto marcou pênalti polêmico do zagueiro Gaúcho em Serginho Chulapa. Gerson, o Canhotinho de Ouro, era o comentarista da Rede Globo: "para mi, aqui da cabine, não foi pênalti." 

O próprio Serginho bateu para diminuir a vantagem carioca. No ímpeto de recomeçar logo a partida, o são-paulino acabou dando um encontrão em Paulo Sérgio, iniciando uma grande confusão em campo, mas ninguém foi expulso.

"Antes de a bola chegar nele, o Serginho já estava caindo e gritando. Não foi nada", disse o goleiro Paulo Sérgio, ao programa "Jogos Inesquecíveis", do SporTV. "Nossa ideia, mesmo se fosse um empurrão não tão forte, tentar levar o juiz a dar um pênalti para a gente conseguir diminuir o placar", afirmou Éverton. "Pelo jeito que eu peguei na bola, eu sabia que o Paulo Sárgio não ia conseguir defender. Foi um gol que marcou minha carreira."

Paulo Sergio reconheceu que não sabia das características de Éverton.  "Ninguém conhecia o Éverton no Botafogo. Eu disse: 'Como esse cara pegou um chute desse'. Depois, eu vi ele fazer muitos gols como aquele", divertiu-se Paulo Sérgio.

Mas o melhor estava por vir nos minutos finais. Aos 21, um dos gols mais sensacionais de todos os tempos em campeonatos brasileiros. Zé Sergio cobrou escanteio pels eswuerda, Dario Pereira tocou de cabeça opara dentro da área, Serginho não conseguiu acertar direito na bola, Rocha afastou parcialmente e Éverton, que havia entrado no lugar de Heriberto ainda no primeiro tempo, acertou uma bomba da marca da meia lua da grande área. Um golaço, que quase derrubou o Morumbi.

Embalado, o São Paulo conseguiu a virada história, aos 33 minutos. Paulo Cesar cruzou da direita, Dario Pereira mais uma vez marcou presença e tocou de cabeça para o miolo da área. Serginho dominou e Éverton bateu de bico para classificar o São Paulo e se consagrar na história do clube.

"Se você não faz aquele gol, eu ia te matar", brincou Serginho com Éverton no vestiário do Morumbi, após o jogo.

Detalhe: muitos conselheiros são-paulinos estavam atrás dop gol botafoguense e festejaram demais o gol da classificação, inclusive invadindo o gramado.

"Se fosse comparar time por time, o São Paulo era muito melhor. O Botafogo era forte no conjunto, enquanto eles tinham muitos jogadores de seleção", reconheceu Paulo Sérgio.

FICHA DO JOGO

Ficha técnica: São Paulo 3 x 2 Botafogo.

Semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981.

Local: Morumbi (São Paulo).

Data: 26/04/1981.

São Paulo: Waldir Peres; Getúlio, Oscar, Darío Pereyra e Marinho Chagas; Almir, Heriberto (Éverton) e Renato (Assis); Paulo César, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Silva.

Botafogo: Paulo Sérgio; Perivaldo, Gaúcho, Zé Eduardo e Gaúcho Lima; Rocha, Ademir Lobo e Mendonça (Gilmar); Ziza (Édson), Marcelo e Jérson. Técnico: Paulinho de Almeida.

Árbitro: Bráulio Zanotto.

Público: 98.650.

Gols: Jérson aos 10'/1T, Mendonça aos 19'/1T, Serginho Chulapa (PK) aos 45'/1T, Éverton aos 21'/2T e aos 33'/2T."

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Flamengo 1 x 4 Palmeiras, Brasileirão de 1979 Arquivo|Estadão

O jogo que levou Telê Santana para a seleção brasileira

No Brasileirão de 1979, o Palmeiras goleou o Flamengo por 4 a 1, no Maracanã, em uma atuação de gala

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Flamengo 1 x 4 Palmeiras, Brasileirão de 1979 Arquivo|Estadão

A ida de Telê Santana para a seleção brasileira em 1980 teve início em 9 de dezembro de 1979, após uma atuação de gala do Palmeiras frente ao Flamengo, em pleno Maracanã, diante de 112 mil espectadores. Foi uma vitória espetacular, por 4 a 1, válida pela terceira fase do Campeonato Brasileiro. Uma verdadeira surra no time do Rio de Janeiro.

Empurrado pela multidão rubro-negra, o Flamengo precisava da vitória para alcançar as semifinais da competição, pois o Palmeiras tinha saldo de gols melhor em um grupo com Comercial e São Bento (ambos paulistas). Só o primeiro colocado seguiria na disputa. Para isso, os cariocas, tinham Zico em grande forma, liderado pelo técnico Claudio Coutinho, que acumulava a função também na seleção brasileira. O Fla era favorito. A torcida estava empolgada. O Estadão não circulava na segunda-feira, mas na terça-feiraregistrou assim a partida

Vice-campeão no ano anterior, o Palmeiras era o time da década, com duas taças nacionais conquistadas e mais três Paulistas. Praticava um futebol ofensivo, rápido, bonito de se ver, sob a orientação de Telê. Não seria fãcil para o Flamengo, então. O destaque era o meia-direita Jorge Mendonça. Com pernas compridas, passadas largas e elegantes, o camisa 8 abriu o placar logo aos 11 minutos, após linda jogada do centroavante Cesar, que em grande escapada pela esquerda, deixou o zagueiro Manguito para trás e cruzou com perfeição para o companheiro só ter o trabalho de empurrar para as redes.  

O Flamengo tentou muito o empate no primeiro tempo, mas parou em Gilmar, autor de três ótimas defesas. O Palmeiras também teve chance boas de ampliar, após bela jogada de Jorginho pela direita. Cesar, a um passo da linha de gol, conseguiu chutar no travessão. O jogo era quente. O empate do time carioca só veio no comecinho da etapa final. Junior lançou Cláudio Adão. A bola sobrou para Zico, que invadiu a área em alta velocidade e foi travado pelo volante Pires. Pênalti marcado pelo juiz gaúcho Carlos Sérgio Rosa Martins e convertido por Zico: bola do lado direito e Gilmar do lado esquerdo.

O Flamengo se entusiasmou e teve duas belas oportunidades para virar o placar com Zico, mas ele errou feio na primeira e foi frustrado na segunda pela grande defesa de Gilmar. Aos 24 minutos, Carlos Alberto Seixas entrou no lugar de Jorginho e no primeiro toque na bola fez o segundo gol palmeirense, ao desviar cobrança de falta de Baroninho. Todos esses jogadores marcaram época em seus times. 

Precisando de três gols, o Flamengo se abriu na defesa e se tornou alvo fácil e frágil para os comandados de Telê Santana, que havia montado um time como gostava. Aos 31, saiu o gol mais bonito. O lateral-esquerdo Pedrinho fez lindo lançamento de trivela para Baroninho na ponta-esquerda. O camisa 11 invadiu a área e tocou para trás. Pedrinho, em alta velocidade, apesar de ter corrido cerca de 70 metros, bateu firme  e venceu o goleiro Cantarelli: 3 a 1.

DESESPERO

O desespero tomou conta dos cariocas. Boa parte da multidão presente ao Maracanã começou a voltar para casa, de bandeira enrolada. O truculento centroavante Beijoca entrou no lugar de Adílio e não demorou para causar confusão. Em uma bola boba pelo lado esquerdo, o atacante desferiu uma cotovelada no rosto do volante Mococa. Na sequência, ainda deu tapa na cara de Baroninho antes de receber o cartão vermelho. "Elemento como esse deve ser banido do futebol. Ele entrou para dar pontapé nos outros", disse Telê, logo após a agressão, em um tempo em que os repórteres podiam fazer perguntas para os personagens durante a partida.

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Cadê o Flamengo?
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Jorge Mendonça, meia do Palmeiras

Mas ainda havia tempo para mais um belo gol palmeirense. Em nova jogada de Baroninho, pela esquerda, o ponta cruzou na cabeça do meia Zé Mário: 4 a 1. Jorge Mendonça e Mococa devolveram as gozações da imprensa carioca antes do jogo e perguntavam antes de se dirigirem ao vestiário: "Cadê o Mengo?". A superioridade do time de Palestra Itália foi tão grande que Claudio Coutinho admitiu após o apito final: "Foi um desastre, mas eles mereceram."

Show do Palmeiras, que se garantiu na disputa das semifinais contra o Internacional, que seria o campeão invicto daquele ano. E show de Telê Santana, que assumiu a seleção em 1980 para formar uma das maiores equipes da história do futebol na Copa da Espanha, em 1982.

FICHA DO JOGO

Flamengo 1 x 4 Palmeiras

Flamengo: Cantarelli, Toninho, Manguito, Dequinha, Júnior; Paulo César Carpegiani, Adílio (Beijoca), Zico, Reinaldo (Carlos Henrique), Cláudio Adão e Tita. Técnico: Cláudio Coutinho

Palmeiras: Gilmar, Rosemiro, Beto Fuscão, Polozzi, Pedrinho; Pires; Mococa, Jorge Mendonça, Jorginho (Carlos Alberto Seixas), César (Zé Mário), Baroninho. Técnico: Telê Santana

Local: Maracanã: 09/12/1979

Público: 112.047

Gols: Jorge Mendonça 11/1; Zico 9/2; Carlos Alberto Seixas 24/2; Pedrinho 31/2 e Zé Mário 45/2.

Juiz: Carlos Sérgio Rosa Martins (RS)

 

 

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Em sua volta ao Vasco da Gama em 1980, Roberto Dinamite marcou cinco gols contra o Corinthians Acervo Estadão

O dia em que Roberto Dinamite ganhou do Corinthians por 5 a 2

Partida que marcou o retorno do atacante ao clube carioca, após seis meses no Barcelona, entrou para a história dele e do time

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Em sua volta ao Vasco da Gama em 1980, Roberto Dinamite marcou cinco gols contra o Corinthians Acervo Estadão

No dia 4 de maio de 1980, Roberto Dinamite teve sua maior atuação com a camisa do Vasco. Para muitos, aquele jogo o consagrou como o maior ídolo da história do clube de São Januário. Dinamite marcou cinco gols contra o Corinthians, de Sócrates e companhia, pela segunda fase do Campeonato Brasileiro. O atacante, depois de anos, se tornaria presidente do time carioca, mas sua gestão foi bastante questionada, mas essa é outra história.

O velho Maracanã estava em um de seus dias de glória. Os quase 108 mil torcedores, que proporcionaram renda de CR$ 8.648.474,00 (uma fortuna para a época), quase não deixavam espaço entre as numeradas e a saudosa geral, onde ficavam os "geraldinos", criando o ambiente propício para uma grande partida de futebol. Todo mundo foi ver o retorno de Roberto, após seis meses sem sucesso pelo Barcelona. Até mesmo os flamenguistas, que assistiram na preliminar a vitória do rubro-negro sobre o Bangu por 3 a 0. 

Favorito mesmo no Rio, o Corinthians começou bastante ofensivo e logo abriu o marcador com um golaço de sem-pulo do fortíssimo volante Caçapava, aos 11 minutos. O lendário goleiro Mazzaropi nem viu a bola passar. Mas o dia era de Roberto Dinamite, e isso não demorou a se ver. Em uma falha geral da zaga corintiana, aos 13 minutos o centroavante acertou um chute indefensável para o goleiro grandalhão Jairo, empatando a partida em 1 a 1. A sorte estava ao lado do craque vascaíno. Aos 27, Dinamite arriscou da intermediária, o 'morrinho artilheiro' ajudou e os cariocas conseguiram a virada, com dois gols do atacante.

Roberto estava impossível, superando até as expectativas do técnico Orlando Fantoni, que antes do jogo pedira para que a torcida "não esperasse tanto" dele em seu retorno ao Brasil. Aos 37 de jogo, em um contra-golpe espetacular, Guina deu passe "açucarado" para o atacante. Roberto bateu com rara habilidade: 3 a 1. Já era o nome do jogo, aplaudido pelos vascaínos e por quem estivesse no Maracanã naquele dia.

Era o primeiro tempo e o massacre de Roberto ainda estava em andamento. Aos 39, como tudo dava certo para o Vasco, o volante Dudu emendou um chute de bem longe. Jairo foi mal na bola e rebateu na pequena área. Ela ficou esperando a chegada de Roberto, que chegou sem apelação: 4 a 1, com quatro de Dinamite. O Corinthians continuava valente e tentava diminuir o vexame. Além de Sócrates, Caçapava e Jairo, o time de Parque São Jorge tinha Zé Maria, Vladimir, Basílio e Geraldão, que sofreu um pênalti, aos 43 da primeira etapa. Sócrates cobrou com categoria e diminuiu a desvantagem para 4 a 2. 

CONFIRA OS GOLS DE DINAMITE CONTRA O CORINTHIANS

Depois de um primeiro tempo eletrizante, ainda havia espaço reservado para mais um golaço de Roberto. Em jogada individual, o artilheiro mandou uma "bomba" de fora da área, no ângulo superior esquerdo de Jairo, que pulou só para sair na foto. Não era preciso mais nada para o torcedor vascaíno, que foi à loucura com o retorno triunfal de seu maior símbolo dentro de campo. "Fiz mais de mil partidas pelo Vasco (1.110, com 708 gols) em toda a minha carreira, mas essa contra o Corinthians foi especial. Joguei 20 anos como profissional e não me lembro de outro jogador que tenha tido a honra de marcar cinco gols no Corinthians", disse Roberto, ao site do clube carioca.

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Eu tive seis chances e marquei cinco vezes. O Vasco jogou muito bem e isso me ajudou. Reencontrei o Maracanã com cem mil pessoas. Voltei para minha casa, para minhas origens, para a família vascaína
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Roberto Dinamite, ex-jogador do Vasco

"Começou a sair um gol atrás do outro. Eu tive seis chances e marquei cinco vezes. O Vasco jogou muito bem e isso me ajudou. Reencontrei o Maracanã com cem mil pessoas. Voltei para minha casa, para minhas origens, para a família vascaína. Tudo isso tinha um significado muito especial."  

Em um campeonato repleto de grandes jogos, como o Flamengo 6 x 2 Palmeiras, Internacional 0 x 3 Atlético-MG e a vitória do Corinthians por 5 a 0 sobre o Grêmio, este jogo merece um lugar no coração de todos que gostam de futebol e do Brasileirão. Seja vascaíno, ou até mesmo corintiano, vale a pena rever. É uma página magnífica da história do futebol nacional.

FICHA TÉCNICA VASCO 5 X 2 CORINTHIANS

  • VASCO: Mazzaropi, Orlando, Juan, Léo, Paulo César, Dudu, Guina, Jorge Mendonça, Catinha (Paulo Roberto), Roberto Dinamite e Paulinho (Aílton). Técnico: Orlando Fantoni
  • CORINTHIANS: Jairo, Zé Maria, Mauro, Amaral, Wladimir, Caçapava (Djalma), Basílio, Sócrates, Piter, Geraldão (Toninho) e Wilsinho. Técnico: Jorge Vieira

     

  • Gols: Caçapava (11/1ºT), Roberto Dinamite (13/1ºT), Roberto Dinamite (27/1ºT), Roberto Dinamite (37/1ºT), Roberto Dinamite (39/1ºT), Sócrates (43/1ºT) e Roberto Dinamite (27/2ºT).
  • Data: 04/05/1980
  • Competição: Campeonato Brasileiro, segunda fase
  • Local: Maracanã, Rio De Janeiro - RJ
  • Juiz: Carlos Sérgio Rosa Martins
  • Público: 107.474 pagantes

 

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No Brasileiro de 2015, Corinthians festeja hexa com goleada sobre o São Paulo

Equipe dirigida por Tite chegou ao ápice da temporada ao massacrar rival com a força do time reserva

Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

20 de maio de 2020 | 14h00

Em 22 de novembro de 2015, 45 mil corintianos lotaram a Arena, em Itaquera, para festejar de forma antecipada a sexta conquista do Campeonato Brasileiro diante do rival São Paulo, pois três dias antes havia garantido a taça após empate com o Vasco, em São Januário. Mas nem o torcedor mais fanático poderia esperar que aquele domingo ensolarado entraria para a história da competição por registrar uma vitória alvinegra por 6 a 1, a maior goleada deste tradicional duelo. O torcedor vibrou, festejou, parecia não acreditar. 

O técnico Tite surpreendeu a todos ao colocar um time com apenas três titulares em campo para a disputa da 36.ª e antepenúltima rodada da competição nacional: o goleiro Cássio, o zagueiro Felipe e o volante Ralf. Os reservas não decepcionaram e tiveram uma das maiores atuações de todos os tempos. Ao fim da primeira etapa, o placar já era de 3 a 0. No segundo tempo, mais três gols em apenas 30 minutos. Detalhe: todos os gols marcados por jogadores que vieram do banco: Bruno Henrique, Romero, Edu Dracena, Lucca e Cristian. O são-paulino Hudson fez um contra para "ajudar". O São Paulo, desnorteado, só conseguiu fazer seu gol com Carlinhos e ainda viu Cássio defender pênalti cobrado por Alan Kardec.

Em êxtase, Tite elogiou o poder de concentração da equipe corintiana. "Se o time não fosse campeão este ano, eu ficaria muito chateado." Cristian destacou a chance proporcionada pelo treinador. "Foi uma oportunidade muito grande que tivemos para mostrarmos o nosso valor. E mostramos." Renato Augusto, um dos titulares poupados pelo treinador corintiano, chamou a atenção para a força dos reservas do elenco. "É difícil de ganhar deles até em treino coletivo. É uma equipe muito boa", reconheceu.

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Se o time não fosse campeão este ano, eu ficaria muito chateado
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Tite, Técnico do Corinthians em 2015

Do lado do São Paulo, o diretor Ataíde Gil Guerreiro tratou de mexer com o brio dos jogadores derrotados na casa do rival. "Importante neste momento é o time não perder moral para não ficar fora da Libertadores." O alerta do dirigente deu resultado e o time do Morumbi conseguiu nas duas últimas rodadas do Brasileiro garantir o quarto lugar e uma vaga na competição sul-americana.

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É difícil de ganhar deles (reservas) até em treino coletivo
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Renato Augusto, Meia do Corinthians em 2015

Corinthians humilha São Paulo na festa pelo título e goleia por 6 a 1

LEIA O TEXTO DO ESTADÃO APÓS O JOGO

O torcedor corintiano foi neste domingo ao estádio Itaquerão, em São Paulo, sem grandes pretensões. Queria só fazer festa e levantar a taça de campeão brasileiro. A festa, no entanto, acabou virando baile em cima do São Paulo. Mesmo com um time cheio de reservas, o Corinthians humilhou o rival e goleou por 6 a 1, pela 36.ª rodada. Foi a maior vitória da equipe na história do clássico - nunca havia feito seis gols em cima da equipe tricolor.

Foi um show alvinegro. A equipe liquidou a partida antes do intervalo. Com apenas 30 minutos, a torcida já gritava "olé" a cada toque na bola. No segundo tempo, os gritos foram de "nosso freguês voltou". Envergonhados, os torcedores do São Paulo pediram para a Polícia Militar liberar a saída do estádio no início do segundo tempo. Como a autorização da PM só saiu aos 35 minutos, foram obrigados a assistir ao massacre da equipe. Com 56 pontos, o time tricolor segue na briga pelo G4 - grupo de classificação à Copa Libertadores.

A vitória deste domingo confirmou a força do elenco corintiano. Hoje, a equipe do Parque São Jorge não tem rivais à altura no País. O time é muito superior em relação aos seus adversários. Não por acaso garantiu o título com três rodadas de antecedência e até quando joga em clima de festa, descontraído, ganha com facilidade.

Neste domingo, por exemplo, o técnico Tite resolveu dar descanso para oito titulares. Apenas Cássio, Felipe e Ralf começaram jogando. Mesmo assim, os reservas conseguiram manter o padrão que levou o time ao título. A defesa mostrou-se sólida e o ataque eficiente para aproveitar os erros do adversário, sobretudo nas jogadas de bola parada.

Com o triunfo deste domingo, o Corinthians chegou aos 80 pontos e igualou a marca do Cruzeiro de 2014, dono da melhor campanha dos pontos corridos desde 2006, quando o campeonato passou a ser disputado por 20 equipes. Restando duas rodadas para o fim do Brasileirão, o time pode chegar a 86 e aumentar o recorde.

O show corintiano começou aos 26 minutos. Felipe cabeceou no canto direito e, no rebote de Denis, Bruno Henrique completou para o gol. Dois minutos depois, Romero aproveitou cobrança de escanteio e cabeceou sem chance para o goleiro são-paulino. Antes do intervalo, aos 44, Edu Dracena fez o terceiro após cruzamento de Danilo. O baile continuou no segundo tempo. Aos 15 minutos, Romero fez linda jogada, passou para Bruno Henrique, que rolou para Danilo. O meia deu belo toque letra para Lucca bater na saída o goleiro. Desnorteado, o São Paulo levou o quinto gol três minutos depois. Hudson desviou o toque de Romero e fez contra.

A equipe tricolor ainda diminuiu com Carlinhos, a reação não passou de um lance isolado. Aos 30 minutos, Cristian fez o sexto de pênalti. Para a festa ficar completa, faltava Cássio brilhar. E o goleiro defendeu pênalti de Alan Kardec aos 34. A torcida comemorou como se fosse um gol e gritou "é campeão" mais forte.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 6 x 1 SÃO PAULO

CORINTHIANS - Cássio; Fagner, Felipe, Edu Dracena e Uendel (Yago); Ralf, Bruno Henrique, Rodriguinho (Cristian) e Danilo (Lincom); Lucca e Romero. Técnico: Tite.

SÃO PAULO - Denis; Bruno (Reinaldo), Rodrigo Caio, Lucão e Carlinhos; Hudson, Thiago Mendes, Wesley (Edson Silva) e Michel Bastos; Rogério (Luis Fabiano) e Alan Kardec. Técnico: Milton Cruz (interino).

GOLS - Bruno Henrique, aos 26, Romero, aos 28, e Edu Dracena, aos 44 minutos do primeiro tempo; Lucca, aos 15, Hudson (contra), aos 18, Carlinhos, aos 24, e Cristian (pênalti), aos 30 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Edílson (no banco de reservas) e Fagner (Corinthians); Bruno e Thiago Mendes (São Paulo).

ÁRBITRO - Péricles Bassols Pegado Cortez (Fifa/RJ).

RENDA - R$ 2.939.497,50.

PÚBLICO - 44.976 pagantes.

LOCAL - Estádio Itaquerão, em São Paulo (SP).

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