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ALMANAQUE ESTADÃO: Flamengo campeão mundial mostrou sua força diante do São Paulo no Morumbi em 1982

Dois meses após bater o Liverpool, time de Zico teve atuação brilhante diante de 70 mil torcedores em vitória fora de casa

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

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São Paulo e Flamengo realizaram um dos maiores jogos da história do Campeonato Brasileiro em 16 de fevereiro de 1982, diante de mais de 70 mil torcedores no Morumbi. Os cariocas ostentavam o título mundial conquistado dois meses antes no Japão, enquanto a equipe paulista, bicampeã estadual, tentava levar sua hegemonia para o restante do País. Dentro de campo, estrelas desfilaram seu talento. Seis jogadores, três de cada lado, foi titular na seleção brasileira na Copa do Mundo da Espanha disputada naquele ano. O goleiro Waldyr Peres, o zagueiro Oscar e o centroavante Serginho representaram os são-paulinos, enquanto os flamenguistas eram Leandro, Júnior e Zico.

Muitos garotos hoje nem viram esses craques em ação. A maioria dos demais atletas também poderia ter vestido ou vestiu a camisa da seleção. Foi o caso de Raul, Mozer, Andrade, Adílio, Nunes, Tita, Getúlio, Marinho Chagas, Renato e até um representante internacional, o zagueiro uruguaio Dario Pereyra.

Os 90 minutos foram eletrizantes. O São Paulo abriu logo o placar, com Renato, de cabeça, aos oito minutos, após cobrança de falta de Getúlio pela direita. Empurrado pela torcida, o time do Morumbi seguiu na pressão e poderia ter ampliado com Serginho e Ricardo. Mas diante daquele Flamengo não se podia perder oportunidades de gol. Com isso, a reação foi imediata. Aos 20 minutos, Zico deu ótimo passe para Adílio. Dentro da área pela meia esquerda, o habilidoso meia cruzou para Nunes, livre, empatar a disputa.

Mais dois minutos e a virada rubro-negra calando boa parte do estádio. Após linda tabela com Adílio, contra quatro zagueiros tricolores, Lico surgiu livre na grande área e encobriu Waldyr Peres com enorme categoria para fazer o segundo gol do Flamengo. O Flamengo era um time em estado de graça. O melhor do Brasil.

Mas o rival São Paulo era muito forte também, não se abateu e foi para o ataque diante de sua torcida. Éverton e Serginho forçaram Raul a fazer boas defesas. O centroavante até tentou cavar um pênalti, enquanto Renato só foi parado em um ataque após falta violenta de Leandro. O Flamengo voltou para a etapa final com a intenção de ficar mais tempo com a bola nos pés. A troca de passes era rápida e constante. No ataque, a versatilidade dos jogadores cariocas foi um diferencial e aos quatro minutos saiu o gol. Nunes foi para a ponta-direita e cruzou. A zaga são-paulina falhou feio e a bola sobrou para Tita, que teve tempo até para escolher o canto: 3 a 1.

O São Paulo sentiu o golpe e o Flamengo aproveitou para ampliar a vantagem aos dez minutos. E foi um golaço! Tita, pela meia esquerda, levantou a cabeça e viu a chegada de Zico. O passe saiu perfeito para o Galinho de Quintino cabecear no ângulo superior esquerdo de Waldyr e fazer o quarto gol. A partir daí, o jogo teve como donos Dario Pereyra e Éverton, que, com muita raça e determinação, quase evitaram a derrota do São Paulo. Em cruzamento do meia, o zagueiro fez o segundo gol, de cabeça, aos 13 minutos. Marinho Chagas e Serginho, que acertou o travessão de Raul, quase marcaram também, mas foi Éverton, após passe de Dario, que fez o terceiro gol e incendiou o Morumbi.

O empate só não saiu porque Raul espalmou belo chute de Renato. Desesperado, o São Paulo foi para cima e quase levou o quinto, quando Zico assustou Waldyr com um perigosoo arremate de fora da área. Que jogo!!

FICHA TÉCNICA

São Paulo 3 x 4 Flamengo

Campeonato Brasileiro (1ª fase)

SÃO PAULO: Waldir Peres; Getúlio, Gassem, Darío Pereyra e Marinho Chagas; Almir, Renato e Éverton; Ricardo (Buca), Serginho e Heriberto. Técnico: Formiga.

FLAMENGO: Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico (Vítor). Técnico: Paulo César Carpegiani.

Gols: Renato aos 8’, Nunes aos 20’ e Lico 22’ do 1º tempo; Tita aos 4’, Zico, aos 10’, Darío Pereyra aos 13’ e Éverton aos 26’ do 2º tempo.

Local: Morumbi (São Paulo)

Árbitro: Édson Alcântara do Amorim (MG)

Renda: Cr$ 27.972.500,00

Público: 70.857

Cartões amarelos: Júnior e Nunes (Flamengo); Almir (São Paulo).

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Corinthians e Flamengo pelo Brasileiro de 1984 Reprodução/Youtube

Goleada no Flamengo foi o maior jogo da Democracia Corintiana, segundo Sócrates

Partida era válida pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1984

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

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Corinthians e Flamengo pelo Brasileiro de 1984 Reprodução/Youtube

O período da Democracia Corintiana rendeu o bicampeonato paulista de 1982/1983. Mas o maior jogo deste período, segundo Sócrates, o líder deste movimento, foi a goleada por 4 a 1, sobre o Flamengo, no jogo de volta das quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1984.

O rubro-negro carioca não tinha mais Zico, vendido para a Udinese, mas reunia estrelas como o goleiro argentino Fillol, os laterais Leandro e Junior, além do habilidoso Adílio e do novato Bebeto.Os cariocas, que tentavam o terceiro título consecutivo, haviam vencido por 2 a 0 no primeiro duelo no Maracanã.

Mas em 6 de maio de 1984, em um domingo ensolarado, o Morumbi recebeu 123.435 torcedores para uma das maiores apresentações de um time do Corinthians. Sócrates que estava de malas prontas para ir para a Fiorentina, não balançou as redes, mas teve uma atuação soberba. Zenon, Wladimir, Biro-Biro e Casagrande estavam inspirados. Foi um massacre.

Depois de criar várias oportunidades, o primeiro gol saiu aos 32 minutos de jogo. Zenon fez um lançamento despretensioso em direção à área adversária, onde estava o pequenino Biro-Biro. O versátil meio-campista brigou contra o grandalhão Mozer, teve sorte com a falha de Figueiredo e mostrou agilidade para girar rápido e surpreender Fillol. Explosão no Morumbi!

O Corinthians, que já dominava a partida, passou a imprimir uma pressão muito grande empurrado pela massa presente nas arquibancadas. O segundo gol não demorou. Wladimir roubou a bola na intermediária do Flamengo e tocou para Biro-Biro, que logo acionou Sócrates pela meia-direita. O Magrão viu Eduardo surgir pela ponta e rolou. O camisa 11 chegou antes de Fillol e cruzou para Wladimir completar. Antes do fim do primeiro tempo e a vantagem do Flamengo construída no jogo do Rio já havia sido cancelada.

O Flamengo voltou para a etapa final com forte marcação, tentando empurrar o Corinthians para o seu próprio campo. Foi aí que o contra-ataque se tornou o grande aliado para o time de Parque São Jorge. Logo aos sete minutos, o lateral-direito Edson roubou a bola na entrada da área corintiana e a levou até a intermediária carioca. Sócrates foi acionado pela esquerda e esperou a chegada de Zenon. Com uma habilidade incrível, o meia lançou por cima de Junior e Edson pegou de sem pulo para fazer 3 a 0. 

Um barulho ensurdecedor tomou conta do estádio, mas não foi suficiente para abalar o poderoso Flamengo, que buscou a reação e quase conseguiu dois gols. Bebeto cabeceou e acertou a trave esquerda de Carlos, que fez na sequência boa defesa na finalização do ponta-esquerda João Paulo.

Mas ao ir ao ataque, o Flamengo abriu espaços em seu campo que foram muito bem explorados pela inteligência de Sócrates. Lançado na ponta-direita, nas costas de Junior, o craque correu meio campo, foi até a linha de fundo e cruzou para o folclórico Ataliba completar: 4 a 0. Eram apenas 14 minutos da etapa final. 

A festa da torcida pareceu tirar a concentração do time do técnico Jorge Vieira. O Flamengo precisava de três gols para ir às semifinais, mas só conseguiu um e contra do volante Paulinho.

Nos minutos finais, com a classificação assegurada, o placar eletrônico, uma das novidades do Morumbi, aproveitou para fazer uma gozação, ao colocar os horários da ponte aérea: "Ponte aérea para o Rio - Próximas partidas - 18:00, 19:00, 20:00, 21:00. Boa viagem."

"Aquele time começou a ser formado em 1982 e atingiu seu máximo naquela partida. Foi o maior jogo da era da Democracia Corintiana. Eu não fiz gol, mas considero que minha atuação foi a melhor com a camisa do Corinthians", disse Sócrates, durante uma entrevista em 2011, poucos meses antes de morrer. "Naquele dia poderíamos enfrentar qualquer time do mundo."

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS: Carlos; Édson, Mauro, Juninho e Wladimir; Paulinho, Sócrates (Wágner) e Zenon; Biro-Biro, Casagrande e Eduardo (Ataliba). Técnico: Jorge Vieira

FLAMENGO: Fillol; Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Bigu, Élder (João Paulo) e Lico (Nunes); Adílio, Edmar e Bebeto. Técnico: Cláudio Garcia

Local: Estádio do Morumbi - São Paulo (SP)

Data: 06/05/1984

Árbitro: Arnaldo César Coelho

Público: 115.002 pagantes (123.435 total).

Renda: Cr$ 222.466.700,00

Gols: Biro-Biro (32 - 1º), Wladimir (38 - 1º), Édson (7 - 2º), Ataliba (14 - 2º) e Paulinho (contra) (21 - 2º)

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Inter x Atlético-MG pelo Brasileirão de 1980 Reprodução|Youtube

Em pleno Beira-Rio, Reinaldo e Éder acabaram com a hegemonia do Internacional

Dupla atleticana faz bonito em Porto Alegre e leva o time de Minas para a decisão do Brasileirão de 80 contra o Flamengo

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

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Inter x Atlético-MG pelo Brasileirão de 1980 Reprodução|Youtube

Com uma atuação espetacular de Reinaldo, Éder e Toninho Cerezo, em pleno Beira-Rio, em Porto Alegre, o Atlético-MG acabou com a hegemonia do Internacional no Campeonato Brasileiro de 1980. O clássico placar de 3 a 0 levou a equipe mineira à decisão da competição contra o Flamengo. O time do Atlético reunia juventude, técnica e experiência. Tinha Reinaldo e Éder em grande forma, Chicão e Palhinha esbanjando experiência, além de uma zaga segura com Luisinho e João Leite no gol.

A atuação que garantiu a vaga na final foi esplendorosa diante de um Internacional fortíssimo também, com Batista, Jair e Mário Sérgio. No primeiro duelo, no Mineirão, o time havia conseguido arrancar um importante empate por 1 a 1. E dava como certa a classificação em casa.

Mas o segundo jogo, na capital gaúcha, foi todo dos mineiros, que botaram para quebrar. O primeiro gol saiu aos 17 minutos do primeiro tempo ainda, após maravilhoso lançamento de Cerezo, que foi encontrar a cabeça de Reinaldo entre a zaga do Inter. Esses jogadores seriam mais adiante, em 1982, convocados para a Copa de 1982, na Espanha.

Ainda na primeira etapa, o goleiro Gasperin foi vítima da enorme habilidade do ponta-esquerda Éder, em cobrança de faltas. Em uma bola parada pelo lado direito, o atacante bateu com felicidade, por cima da barreira, surpreendendo o goleiro gaúcho.

Com a necessidade de pelo menos empatar a partida para ficar com a possibilidade de disputar o título, pois tinha melhor campanha na competição, o Inter ficou ainda mais abalado quando o juiz paulista Roberto Nunes Morgado expulsou Mário Sérgio no segundo tempo. Mário morreu no acidente do avião da Chapecoense em 2016. Ele era comentarista da Fox Sports.

Sem perdão, o Atlético-MG aproveitou para imprimir um ritmo ainda maior e teve chances de conseguir uma goleada histórica. Várias foram as chances, inclusive uma bola no travessão com Palhinha. Mas ainda havia tempo para mais um gol. E foi feito com grande categoria. Palhinha rolou a bola, fora da área, para Éder. O ponta bateu com maestria e superou mais uma vez Gasperin. O atleticano correu para festejar em direção às arquibancadas já vazias, pois muita gente havia indo embora para casa.

O Inter, campeão invicto de 1979, era superado dentro de casa e jamais conseguiu retomar o título brasileiro, conquistado três vezes na década de 70.

FICHA TÉCNICA

  • Inter: Gasperin; Carlos Alberto, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista; Toninho (Jones) e Cléo; Jair, Adilson (Chico Spina) e Mário Sérgio. Técnico: Ênio Andrade
  • Atlético-MG: João Leite; Orlando, Silvestre, Luisinho e Jorge Valença; Chicão, Toninho Cerezo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo (Ângelo) e Éder Aleixo. Técnico: Procópio Cardoso

     

  • Gols: Reinaldo, aos 17 minutos, Éder Aleixo aos 45 minutos do primeiro tempo e aos 44 minutos do segundo tempo
  • Público: 59.087 pagantes
  • Cartão vermelho: Mário Sérgio
  • Renda: Cr$ 6.813.030,00
  • Juiz: Roberto Nunes Morgado-SP
  • Local: Beira-Rio, em Porto Alegre

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Inter x Cruzeiro pelo Brasileiro de 1975 Reprodução

Final de 1975 foi um duelo entre as defesas de Manga e os chutes de Nelinho

Naquele ano, o Internacional ganhou seu primeiro título do Campeonato Brasileiro

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

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Inter x Cruzeiro pelo Brasileiro de 1975 Reprodução

O Internacional ganhou seu primeiro título brasileiro em 1975, após decisão equilibrada com o Cruzeiro em um abarrotado Beira-Rio. O gol "iluminado" pelo sol, marcado pelo lendário zagueiro chileno Elias Figueroa, aos 11 minutos do segundo tempo, coroou o grande trabalho do técnico Rubens Minelli e de um elenco que tinha também Falcão, Paulo César Carpegiani, Valdomiro, Flávio Minuano e Lula no elenco. O jogo é mais um do Almanaque Estadão do Brasileirão, criado em 1971 e que ainda está sem data marcada para ser disputado nesta temporada.

O Cruzeiro também era um timaço, com Raul, Piazza, Zé Carlos, Palhinha, Joãozinho... foi um osso duro de roer para os gaúchos. Para muitos, os mineiros só não saíram com o título de Porto Alegre por causa das milagrosas defesas de Manga, apontado como um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro. E do Internacional naquela temporada. O futebol era disputado em finais eletrizantes.

Enquanto Palhinha, pelo Cruzeiro, e Lula, pelo Inter, brigavam contra as zagas adversárias para tentar marcar um gol na decisão, o goleiro dos dedos tortos, pois atuava sem luvas, travou um grande duelo com o lateral-direito Nelinho, dono de um dos chutes mais poderosos de todos os tempos. 

Nelinho tentou de todas as formas colocar o Cruzeiro em vantagem no jogo único da final, disputado na capital gaúcha por causa da melhor campanha do time da casa. No primeiro tempo, o lateral arriscou uma falta de longe, pela ponta-esquerda, obrigando Manga a mandar a bola para escanteio. Até de pé esquerdo, que não era seu forte, o defensor mineiro utilizou na tentativa de surpreender a muralha no gol do Colorado. Essa disputa foi um capítulo especial na final de 75. 

Mas foi na segunda etapa que o camisa 1 do Inter escreveu mais um grande capítulo nos almanaques do futebol nacional ao fazer pelo menos quatro defesas milagrosas. Na primeira, Nelinho chutou da intermediária pelo lado direito. A imagem atrás do gol mostra a curva que a bola apresentou quase em cima do goleiro, que, como um gato, espalmou para escanteio.

No lance seguinte, Nelinho cobrou escanteio pela direita e a bola resvalou dentro da área. Manga foi buscar no canto esquerdo. Mais uma escanteio e Nelinho bateu ainda mais forte, mas Manga saltou e com uma mão só fez a defesa, o que causou uma comemoração no estádio como se fosse um gol do Inter. Mas o melhor estava por vir. Falta frontal. Nelinho coloca um efeito extraordinário na bola, que passa pelo lado direito da barreira e "corre" para o escanteio de Manga. O goleiro salta com incrível agilidade e agarra a bola.

"Eu tentei tudo naquela bola. O efeito pegou direitinho, mas o Manga foi melhor ainda", disse o Nelinho, de 69 anos, que defendeu a seleção brasileira nas Copas de 1974 e 1978, quando fez um dos gols mais sensacionais em Mundiais sobre a Itália na disputa do terceiro lugar. "Foi a maior defesa da minha vida", afirmou o pernambucano Manga, de 83 anos, que jogou no Botafogo ao lado de Garricha e Nilton Santos, no Nacional, do Uruguai, entre outros clubes, além de defender a seleção brasileira na Copa de 1966. "Nunca mais vai existir outro Manga." 

FICHA TÉCNICA DO JOGO

Internacional: Manga; Valdir, Figueroa, Hermínio e Chico Fraga; Caçapava, Falcão e Paulo César Carpeggiani; Valdomiro (Jair), Flávio Minuano e Lula. Técnico: Rubens Minelli

Cruzeiro: Raul; Nelinho, Darci Menezes, Morais e Isidoro; Wilson Piazza, Zé Carlos e Eduardo; Roberto Batata (Eli Mendes), Palhinha e Joãozinho. Técnico: Zezé Moreira

Data: 14/12/1975

Renda: CR$ 1.743.805,00

Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschillia

Público: 82.568

Local: Beira-Rio

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O gol de Éverton na virada sobre o Botafogo quase derrubou o Morumbi em 1981

Sob a orientação do técnico Carlos Alberto Silva, a diretoria tricolor formou uma seleção no início dos anos 80

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 10h00

Sob a orientação do técnico Carlos Alberto Silva, a diretoria do São Paulo formou uma seleção no início dos anos 80. Depois do título paulista, o objetivo era se sagrar campeão brasileiro. A defesa tinha Waldyr Peres, Getúlio, Oscar, Dario Pereira e Marinho Chagas e o ataque era composto por Paulo Cesar, Serginho e Zé Zérgio, além de Renato no meio-de-campo.

Mas em 26 de abril de 1981, com um Morumbi abarrotado de gente, Éverton, um meia raçudo e com grande habilidade para bater na bola saiu do banco de reservas para realizar umas das maiores atuações já registradas na história da competição nacional.

Depois de perder o jogo de ida da semifinal, no Maracanã, por 1 a 0, para o Botafogo do goleiro Paulo Sérgio, do lateral-direito Perivaldo, do volante Rocha, do meia Marcelo (Oliveira, técnico) e do craque Mendonça, o São Paulo tinha de devolver o resultado para alcançar a decisão do Brasileiro.

E o jogo do Morumbi não poderia começar pior para desespero dos quase 100 mil são-paulinos presentes naquele domingo de sol. Logo aos dez minutos, após tabela rápida com Marcelo, Jérson (com J), encobriu Waldyr Peres para abrir o placar.

O gol desestruturou o São Paulo, que, aos 19, viu Perivaldo lançar de forma sensacional Mendonça. No meio da zaga, o meia bateu com elegância para fazer 2 a 0 e calar momentaneamente o Morumbi.

O São Paulo precisava de pelo menos um gol na primeira etapa para ir para o vestiário com ânimo de buscar a virada no segundo tempo. E ele veio de forma polêmica, após o juiz paranaense Bráulio Zanotto marcou pênalti polêmico do zagueiro Gaúcho em Serginho Chulapa. Gerson, o Canhotinho de Ouro, era o comentarista da Rede Globo: "para mi, aqui da cabine, não foi pênalti." 

O próprio Serginho bateu para diminuir a vantagem carioca. No ímpeto de recomeçar logo a partida, o são-paulino acabou dando um encontrão em Paulo Sérgio, iniciando uma grande confusão em campo, mas ninguém foi expulso.

"Antes de a bola chegar nele, o Serginho já estava caindo e gritando. Não foi nada", disse o goleiro Paulo Sérgio, ao programa "Jogos Inesquecíveis", do SporTV. "Nossa ideia, mesmo se fosse um empurrão não tão forte, tentar levar o juiz a dar um pênalti para a gente conseguir diminuir o placar", afirmou Éverton. "Pelo jeito que eu peguei na bola, eu sabia que o Paulo Sárgio não ia conseguir defender. Foi um gol que marcou minha carreira."

Paulo Sergio reconheceu que não sabia das características de Éverton.  "Ninguém conhecia o Éverton no Botafogo. Eu disse: 'Como esse cara pegou um chute desse'. Depois, eu vi ele fazer muitos gols como aquele", divertiu-se Paulo Sérgio.

Mas o melhor estava por vir nos minutos finais. Aos 21, um dos gols mais sensacionais de todos os tempos em campeonatos brasileiros. Zé Sergio cobrou escanteio pels eswuerda, Dario Pereira tocou de cabeça opara dentro da área, Serginho não conseguiu acertar direito na bola, Rocha afastou parcialmente e Éverton, que havia entrado no lugar de Heriberto ainda no primeiro tempo, acertou uma bomba da marca da meia lua da grande área. Um golaço, que quase derrubou o Morumbi.

Embalado, o São Paulo conseguiu a virada história, aos 33 minutos. Paulo Cesar cruzou da direita, Dario Pereira mais uma vez marcou presença e tocou de cabeça para o miolo da área. Serginho dominou e Éverton bateu de bico para classificar o São Paulo e se consagrar na história do clube.

"Se você não faz aquele gol, eu ia te matar", brincou Serginho com Éverton no vestiário do Morumbi, após o jogo.

Detalhe: muitos conselheiros são-paulinos estavam atrás dop gol botafoguense e festejaram demais o gol da classificação, inclusive invadindo o gramado.

"Se fosse comparar time por time, o São Paulo era muito melhor. O Botafogo era forte no conjunto, enquanto eles tinham muitos jogadores de seleção", reconheceu Paulo Sérgio.

FICHA DO JOGO

Ficha técnica: São Paulo 3 x 2 Botafogo.

Semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981.

Local: Morumbi (São Paulo).

Data: 26/04/1981.

São Paulo: Waldir Peres; Getúlio, Oscar, Darío Pereyra e Marinho Chagas; Almir, Heriberto (Éverton) e Renato (Assis); Paulo César, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Silva.

Botafogo: Paulo Sérgio; Perivaldo, Gaúcho, Zé Eduardo e Gaúcho Lima; Rocha, Ademir Lobo e Mendonça (Gilmar); Ziza (Édson), Marcelo e Jérson. Técnico: Paulinho de Almeida.

Árbitro: Bráulio Zanotto.

Público: 98.650.

Gols: Jérson aos 10'/1T, Mendonça aos 19'/1T, Serginho Chulapa (PK) aos 45'/1T, Éverton aos 21'/2T e aos 33'/2T."

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Flamengo 1 x 4 Palmeiras, Brasileirão de 1979 Arquivo|Estadão

O jogo que levou Telê Santana para a seleção brasileira

No Brasileirão de 1979, o Palmeiras goleou o Flamengo por 4 a 1, no Maracanã, em uma atuação de gala

Imagem Wilson Baldini Jr.

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Flamengo 1 x 4 Palmeiras, Brasileirão de 1979 Arquivo|Estadão

A ida de Telê Santana para a seleção brasileira em 1980 teve início em 9 de dezembro de 1979, após uma atuação de gala do Palmeiras frente ao Flamengo, em pleno Maracanã, diante de 112 mil espectadores. Foi uma vitória espetacular, por 4 a 1, válida pela terceira fase do Campeonato Brasileiro. Uma verdadeira surra no time do Rio de Janeiro.

Empurrado pela multidão rubro-negra, o Flamengo precisava da vitória para alcançar as semifinais da competição, pois o Palmeiras tinha saldo de gols melhor em um grupo com Comercial e São Bento (ambos paulistas). Só o primeiro colocado seguiria na disputa. Para isso, os cariocas, tinham Zico em grande forma, liderado pelo técnico Claudio Coutinho, que acumulava a função também na seleção brasileira. O Fla era favorito. A torcida estava empolgada. O Estadão não circulava na segunda-feira, mas na terça-feiraregistrou assim a partida

Vice-campeão no ano anterior, o Palmeiras era o time da década, com duas taças nacionais conquistadas e mais três Paulistas. Praticava um futebol ofensivo, rápido, bonito de se ver, sob a orientação de Telê. Não seria fãcil para o Flamengo, então. O destaque era o meia-direita Jorge Mendonça. Com pernas compridas, passadas largas e elegantes, o camisa 8 abriu o placar logo aos 11 minutos, após linda jogada do centroavante Cesar, que em grande escapada pela esquerda, deixou o zagueiro Manguito para trás e cruzou com perfeição para o companheiro só ter o trabalho de empurrar para as redes.  

O Flamengo tentou muito o empate no primeiro tempo, mas parou em Gilmar, autor de três ótimas defesas. O Palmeiras também teve chance boas de ampliar, após bela jogada de Jorginho pela direita. Cesar, a um passo da linha de gol, conseguiu chutar no travessão. O jogo era quente. O empate do time carioca só veio no comecinho da etapa final. Junior lançou Cláudio Adão. A bola sobrou para Zico, que invadiu a área em alta velocidade e foi travado pelo volante Pires. Pênalti marcado pelo juiz gaúcho Carlos Sérgio Rosa Martins e convertido por Zico: bola do lado direito e Gilmar do lado esquerdo.

O Flamengo se entusiasmou e teve duas belas oportunidades para virar o placar com Zico, mas ele errou feio na primeira e foi frustrado na segunda pela grande defesa de Gilmar. Aos 24 minutos, Carlos Alberto Seixas entrou no lugar de Jorginho e no primeiro toque na bola fez o segundo gol palmeirense, ao desviar cobrança de falta de Baroninho. Todos esses jogadores marcaram época em seus times. 

Precisando de três gols, o Flamengo se abriu na defesa e se tornou alvo fácil e frágil para os comandados de Telê Santana, que havia montado um time como gostava. Aos 31, saiu o gol mais bonito. O lateral-esquerdo Pedrinho fez lindo lançamento de trivela para Baroninho na ponta-esquerda. O camisa 11 invadiu a área e tocou para trás. Pedrinho, em alta velocidade, apesar de ter corrido cerca de 70 metros, bateu firme  e venceu o goleiro Cantarelli: 3 a 1.

DESESPERO

O desespero tomou conta dos cariocas. Boa parte da multidão presente ao Maracanã começou a voltar para casa, de bandeira enrolada. O truculento centroavante Beijoca entrou no lugar de Adílio e não demorou para causar confusão. Em uma bola boba pelo lado esquerdo, o atacante desferiu uma cotovelada no rosto do volante Mococa. Na sequência, ainda deu tapa na cara de Baroninho antes de receber o cartão vermelho. "Elemento como esse deve ser banido do futebol. Ele entrou para dar pontapé nos outros", disse Telê, logo após a agressão, em um tempo em que os repórteres podiam fazer perguntas para os personagens durante a partida.

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Cadê o Flamengo?
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Jorge Mendonça, meia do Palmeiras

Mas ainda havia tempo para mais um belo gol palmeirense. Em nova jogada de Baroninho, pela esquerda, o ponta cruzou na cabeça do meia Zé Mário: 4 a 1. Jorge Mendonça e Mococa devolveram as gozações da imprensa carioca antes do jogo e perguntavam antes de se dirigirem ao vestiário: "Cadê o Mengo?". A superioridade do time de Palestra Itália foi tão grande que Claudio Coutinho admitiu após o apito final: "Foi um desastre, mas eles mereceram."

Show do Palmeiras, que se garantiu na disputa das semifinais contra o Internacional, que seria o campeão invicto daquele ano. E show de Telê Santana, que assumiu a seleção em 1980 para formar uma das maiores equipes da história do futebol na Copa da Espanha, em 1982.

FICHA DO JOGO

Flamengo 1 x 4 Palmeiras

Flamengo: Cantarelli, Toninho, Manguito, Dequinha, Júnior; Paulo César Carpegiani, Adílio (Beijoca), Zico, Reinaldo (Carlos Henrique), Cláudio Adão e Tita. Técnico: Cláudio Coutinho

Palmeiras: Gilmar, Rosemiro, Beto Fuscão, Polozzi, Pedrinho; Pires; Mococa, Jorge Mendonça, Jorginho (Carlos Alberto Seixas), César (Zé Mário), Baroninho. Técnico: Telê Santana

Local: Maracanã: 09/12/1979

Público: 112.047

Gols: Jorge Mendonça 11/1; Zico 9/2; Carlos Alberto Seixas 24/2; Pedrinho 31/2 e Zé Mário 45/2.

Juiz: Carlos Sérgio Rosa Martins (RS)

 

 

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