Gustavo Simão/ @FortalecaEC
Gustavo Simão/ @FortalecaEC

Alta média de público faz Fortaleza recusar venda de mando de campo

Dono da 5ª melhor marca do País, clube recebeu oferta para jogar fora do Ceará diante do Palmeiras. E negou

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 15h00

O Fortaleza se baseou na boa média de público no Campeonato Brasileiro para recusar R$ 800 mil pela venda do mando de campo diante do Palmeiras, no dia 22 de setembro. A recusa foi anunciada por Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, nas redes sociais do clube, nesta quarta-feira. Após 18 rodadas, o time cearense tem a quinta melhor média da competição, atrás do Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, quatro das maiores torcidas do país. O número médio no Castelão é 30.696 pagantes.

"Recebemos uma proposta para que o jogo Fortaleza x Palmeiras fosse feito fora do nosso Estado. Isso nos garantiria entre R$ 700 mil e R$ 800 mil líquidos na mão. E nós recusamos porque confiamos na torcida, temos um compromisso com o sócio-torcedor e em nenhum momento iremos vender mando de campo porque o Fortaleza tem que estar perto da sua torcida", afirmou Paz.

Os cinco maiores públicos do torneio foram verificados em jogos do Flamengo. O recorde aconteceu no clássico com o Vasco, no estádio Mané Garrincha, com 65418 pagantes. O Fortaleza conseguiu levar mais de 40 mil pessoas ao estádio quando recebeu São Paulo (41975) e Corinthians (40452).

Um dos segredos da boa média do clube cearense na Série A está no programa de sócios. O Fortaleza levou pouco mais de 270 mil pagantes ao Castelão durante o Brasileirão. Do total, aproximadamente 60% são sócios-torcedores. O valor gerado pelo torcedor equivale a um patrocínio da ordem de R$ 20 milhões. O faturamento mensal, que antes era de R$ 400 mil com o programa, saltou para R$ 1,3 milhão arrecadado atualmente. Esse valor varia entre 22% e 27% de todas as receitas do clube.

O clube leva, em média, 16 mil sócios ao estádio por jogo na Série A. Isso é maior que a média de público de oito equipes na competição: Botafogo, Athletico Paranaense, Grêmio, CSA, Goiás, Santos, Avaí e Chapecoense.

O programa se tornou prioridade da atual gestão. Quando Marcelo Paz assumiu o clube, em novembro de 2017, o programa contava com 12.500 sócios. Neste ano, são cerca de 30 mil sócios, todos eles ativos. “O sócio-torcedor é uma receita recorrente excelente para nós. Temos investido muito na fidelização e em serviços para conseguir novos sócios. A nossa expectativa é melhorar ainda mais estes número. Acredito que ainda temos espaço para crescer”, afirma o dirigente.

 

André Monnerat, diretor de Negócios da Feng Brasil, empresa especializada em projetos de engajamento de fãs, afirma a estratégia do Fortaleza é a mesma dos grandes clubes do eixo Rio-São Paulo. "Assim como no Fortaleza, outros clubes que estão entre as maiores médias também têm os sócios como maioria em seu público pagante. É uma ótima estratégia investir nesta relação, não só pelo aumento da ocupação das arquibancadas como pela geração de uma receita recorrente, que entra na conta mesmo em períodos em que não há partidas" afirma o especialista, que atua na gestão de alguns dos principais programas de sócio torcedor do País.

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