Site Oficial / A.C. Monza
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Altos e baixos, falência e compra de Berlusconi: conheça o AC Monza, da Segundona

Clube italiano comprou recentemente o lateral Carlos Augusto, do Corinthians, e tenta chegar á elite do 'calcio'

Raul Vitor, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2020 | 10h00

Você provavelmente nunca deveria ter ouvido falar do AC Monza até o lateral-esquerdo Carlos Augusto, de 21 anos, considerado um jovem promissor do elenco do Corinthians, ter sido contratado pelo time italiano no fim de agosto por 4 milhões de euros (R$ 25,7 milhões). O clube acabou de subir para a Segunda Divisão do Campeonato Italiano, após quase duas décadas na Série C. Mas para que o acesso fosse possível, a equipe da Lombardia, que passou por um recente processo de falência, contou com um recurso fundamental: dinheiro.

O investimento veio de uma holding da família de um conhecido empresário e político italiano, que comprou 100% das ações do clube em setembro de 2018. A Fininvest SpA, fundada por Silvio Berlusconi, foi quem adquiriu o Monza por R$ 13,5 milhões. Além da fama empresarial e política, já que foi primeiro-ministro da Itália em quatro ocasiões, o novo proprietário também é conhecido no futebol. Ele foi dono do Milan, entre 1986 e 2017, ano em que vendeu o time para um fundo de investimentos chinês por cerca de R$ 2,5 bilhões.

Sob a direção de Berlusconi, o Milan ganhou 29 títulos em 31 anos. Entre as principais conquistas estão oito Campeonatos Italianos, uma Copa da Itália, cinco Supercopas da Itália, cinco taças da Liga dos Campeões e três títulos mundiais. Uma legião de brasileiros já vestiram a camisa do clube, entre eles Kaká e Alexandre Pato.

É com o aporte financeiro da Fininvest que o Monza traça sua maior ambição dentro dos gramados: chegar à Primeira Divisão da Itália, o que jamais aconteceu ao longo dos 108 anos de sua história. Fundado em 1912, a trajetória do Monza é repleta de altos e baixos. Claro, isso em suas devidas proporções. Para um clube em que a Terceira Divisão é frequente, o acesso à Série B pode ser considerado um alto e, por muitas vezes, um ápice.

Foi isso o que aconteceu em 1951, ano em que pela primeira vez o Monza atingiu a Segunda Divisão italiana. Foram quase 40 anos tentando subir. Entretanto, o time se firmou na Série B pela metade do tempo que demorou para ascender. Em 1966, o Monza caiu novamente. Dessa vez, ficou apenas uma temporada na divisão inferior. No ano seguinte, estava mais uma vez na Segundona. E foi assim que a trajetória do Monza se sucedeu ao longo do século 20: entre quedas e acessos.

A chave virou a partir de 2000, ano em que passou a viver um declínio brutal. A má gestão esportiva fez com que o Monza declarasse falência simultaneamente a um rebaixamento para a Série D. A situação financeira só melhorou em 2005, mas o bom futebol foi deixado de lado e o clube chegou a ficar sem divisão. A ressurreição do Monza viria acontecer em 2015, ano em que foi comprado pelo empresário Nicola Colombo e, enfim, voltou aos gramados.

O investimento inicial trouxe bons resultados. O clube retornou à Série C no ano seguinte. Contudo, apenas o auxílio de Colombo não era suficiente. Os recursos que faltavam para o acesso à Segunda Divisão foram angariados com a compra de Berlusconi, que pôde traçar um novo objetivo ao clube centenário: o acesso inédito à Série A. Para isso, Berlusconi conta com Adriano Galliani, seu braço direito nos tempos de Milan e agora administrador do Monza.

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