Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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Amadorismo

Santos e Conmebol agem de forma inaceitável para organizações profissionais

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2018 | 04h00

O caso do uruguaio Sánchez revela quanto há, ainda, de amadorismo em clubes e em confederações. O jogador inadvertidamente foi pivô de situação embaraçosa, na qual se envolveram Santos e Conmebol. O Independiente, terceira parte interessada, ficou apenas ali, de beleza, vendo o embate e entrou em campo ontem à noite praticamente classificado para as quartas de final da Libertadores, com a vantagem de 3 a 0 no tapetão.

O festival de erros começa na hora em que os santistas confiaram em dos mecanismos de consulta da Conmebol. Com base numa espécie de sinal verde, confiaram que Sánchez estava liberado e o colocaram no jogo de ida contra os argentinos, na semana passada, e que ficou no 0 a 0. 

Só depois de a turma do Independiente estrilar é que se percebeu que o rapaz tinha de cumprir uma partida de suspensão por punição recebida nos tempos em que jogava pelo River Plate, três anos atrás. Então, foi um corre-corre para armar a defesa, afinal inútil, pois foi decretada derrota protocolar.

O vacilo incontornável do Santos foi o de confiar na Conmebol de maneira singela. Com o histórico de informações contraditórias, seja na entidade sul-americana como nas domésticas, deveria cercar-se de garantias, como documentos, declarações por escrito, xerox autenticados, firma reconhecida, bênção do papa, etc. Não deixar mínima brecha para represálias.

A barbeiragem da Conmebol vai além. Ao receber denúncia do Independiente, precisava dar resposta ágil para não alterar a programação das equipes. Em vez disso, o que faz: deixou para a manhã de ontem, poucas horas antes do confronto, o anúncio do veredicto. Isso é absurdo, intragável!

Não se deu conta do estrago que provocou, sobretudo para o Santos? A rapaziada de Cuca foi dormir, na segunda-feira, sem saber do que necessitaria para seguir adiante na competição. A incerteza emperra a estratégia e corrói o equilíbrio psicológico. Uma coisa é pisar no gramado com a consciência de que vitória simples equivale a vaga; outra é estar com 3 a 0 na cacunda.

Se a Conmebol considerava escasso o tempo para manifestar-se, então que adiasse o jogo. Ah, mas os ingressos estavam vendidos, o calendário é apertado, há o compromisso com a publicidade e a televisão. Negocie-se tudo! O que não pode é sentença em cima da hora. Isso não acontece nem na várzea, nem em torneios de firmas e colégios. 

E a Conmebol pretende transformar a Libertadores em cópia da Champions League? Com essa bagunça?!

Igualmente lamentável a passividade de CBF e dos times brasileiros. Tivesse voz ativa, a instituição comandada pelo intrépido coronel Nunes esmurrava a mesa, na Conmebol, e mandava às favas Libertadores, Sul-Americana e o diabo a quatro. A questão, porém, é mais complexa: a CBF anda sem cacife com seus pares e os clubes daqui só se interessam pelos próprios umbigos. Na base do cada um por si. não é comigo, então que se dane.

Aliás, são retrato do Brasil de hoje, fechado e egoísta. Bom, mas esse é tema para outra seara...

DESAFIOS

Outros quatro brasileiros tiram a sorte na Libertadores neste meio de semana. Um certamente passará, no tira-teima entre Cruzeiro e Flamengo. Os mineiros abriram vantagem de 2 a 0, no Rio, e estão serenos para o clássico desta quarta-feira. O Fla, no entanto, tem elenco para tentar a reviravolta histórica. 

Ainda nesta quarta, o Corinthians põe à prova nervos e limites ao receber o Colo-Colo, em Itaquera. A diferença de 1 a 0 para os chilenos na teoria não é grande; o problema está na instabilidade alvinegra. 

O Palmeiras fecha a etapa, na quinta-feira, ao hospedar o Cerro Porteño, ao qual bateu por 2 a 0 na ida. Só se desclassifica com uma hecatombe.

 

 

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