JF Diorio/ Estadão
JF Diorio/ Estadão

Carlos Amarilla diz não ter parte em escândalo e pede investigação

'Quem não deve não teme', diz árbitro a rádio paraguaia

Estadão Conteúdo

22 de junho de 2015 | 15h54

Mais novo envolvido no escândalo de corrupção que envolve a Conmebol, o árbitro paraguaio Carlos Amarilla afirmou, nesta segunda-feira, que é defende que sejam investigadas as declarações do ex-presidente da Associação Argentina de Futebol (AFA), Julio Grondona, morto em 2014. Áudios divulgados no domingo à noite indicam que o dirigente defendeu a indicação de Amarilla para trabalhar em Corinthians x Boca Juniors, na semifinal da Copa Libertadores de 2013, em que os corintianos foram claramente prejudicados pela arbitragem.

"Quero que se abra uma investigação, isso é o que eu mais quero. Quem não deve não teme. No mundo dos árbitros não existe corrupção. Só somos os irmãos pobres do futebol. Trabalhamos com o coração e querem nos envolver. Em 27 anos de carreira, ninguém pode me apontar o dedo", disse Amarilla, em entrevista à Rádio AM970, do Paraguai.

Sobre o jogo polêmico do Pacaembu, disse que se surpreendeu ao fim da partida. "Todos os árbitros cometemos erros, mas nunca com má intenção. É a lei do futebol", garantiu. Amarilla deixou de dar um pênalti claro para o Corinthians e anulou um gol legítimo de Romarinho.

O juiz paraguaio disse não querer cruzar com Abel Gnecco, representante da Argentina no Comitê de Árbitros da Conmebol, interlocutor de Grandona na conversa vazada domingo à noite. "Melhor que não tenha que ver esse senhor, senão não sei do que seria capaz", afirmou, irritado.

ENTENDA

A escuta indica que o Grondona teria influenciado para que Amarilla apitasse a segunda partida daquele confronto eliminatório. "Saiu bem no fim, ninguém queria este louco de m... e no fim o maior reforço que o Boca teve no último ano foi o Amarilla", disse Grondona em uma conversa com Gnecco.

No áudio, eles falam sobre um possível acerto da arbitragem para o duelo entre Boca e Newell's Old Boys, pelas quartas de final daquela Libertadores. Ao ser questionado sobre quem seria o juiz, Gnecco relata como teria pressionado "Alarcón", possível referência a Carlos Alarcón, diretor da comissão de árbitros, para que ele escalasse Carlos Amarilla naquele Corinthians x Boca.

"Me perguntou 'gostam do Amarilla aí na Argentina?'. 'Olha, se gostam ou não eu não sei, mas eu quero, então ponha ele e pare de me encher o saco. Alarcón, ponha o Amarilla e pare de me encher'. Então assim foi, eu o coloquei e ficou tudo certo porque foi bem. Tem que ser assim", relatou Gnecco.

A gravação segue e Gnecco avisa Grondona que a Conmebol planeja escalar Patricio Loustau para apitar o duelo entre Boca e Newell's. O então presidente da AFA discorda da indicação porque Loustau "teve problemas no Boca x River", e a dupla chega a três possíveis opções de árbitros: Germán Delfino, Diego Ceballos e Mauro Vigliano. Coincidência ou não, os dois jogos daquele confronto foram arbitrados, respectivamente, por Vigliano e Delfino.

Tudo isso se deu em apenas uma das 11 escutas reveladas pelo canal América TV, todas com teor de corrupção no futebol argentino, em caso que já está sendo chamado no país de "Máfia do Futebol". Entre outros assuntos tratados nas gravações, todos com participação de Grondona, estão esquemas para casos de doping, alteração de horários de partidas e fraude no pagamento de impostos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.