Francois Mori/AP
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América do Sul brilha, grandes da Europa são surpreendidos e países África agonizam na Copa

Ex-jogadores apontam habilidade sul-americana como o fator de desequilíbrio nas primeiras rodadas do Mundial da África do Sul

ANDRÉ RIGUE, estadão.com.br

19 de junho de 2010 | 17h28

Enquanto os representantes da América do Sul permanecem invictos, o futebol europeu tem decepcionado até o momento na disputa da Copa do Mundo da África do Sul. Com exceção da Holanda, equipes de tradição como França, Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália não conseguiram apresentar um bom futebol e sucumbiram diante de rivais de menor expressão.

 

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Com aproveitamento de cerca de 80% até o momento, a América do Sul conta com cinco países na Copa: Argentina (6 pontos e líder do Grupo B), Uruguai (4 pontos e líder do Grupo A), Brasil (3 pontos e líder do Grupo G), Chile (3 pontos e líder do Grupo H) e Paraguai (1 ponto, e divide a liderança do Grupo F).

 

Apesar de possuir o maior número de participantes (13), a Europa aparece com aproveitamento de pouco mais de 48%. A França é a grande decepção, com um empate diante do Uruguai e uma derrota para o México. A equipe ainda não marcou gol e dificilmente irá às oitavas. Com dois empates, a Inglaterra também corre sério risco de ficar de fora.

 

Para o ex-jogador Ademir da Guia, a diferença de aproveitamento entre os dois continentes se deve à maior habilidade dos sul-americanos. "A nossa técnica é infinitamente melhor. O que sempre favoreceu eles foi a tática, ou uma defesa mais forte. Mas a bola aérea não está funcionando. A escola do Brasil e da Argentina não tem comparação com a dos europeus."

 

A Alemanha chegou a apresentar um bom futebol no primeiro jogo (4 a 0 na Austrália), mas caiu diante da Sérvia e agora precisará vencer Gana na última rodada. A Espanha, tida como a grande favorita, não soube superar o paredão suíço e levou 1 a 0 na estreia. Já a atual campeã Itália não passou de um empate com o Paraguai.

 

"Acho que a grande zebra será a Itália", afirma o ex-jogador Edu, que disputou as Copa de 1966, 1970 e 1974. "A França e a Espanha não são tão fortes assim. Na verdade o futebol está por baixo. Jamais você poderia imaginar que a Inglaterra empataria com a Argélia desta maneira, e que a Alemanha perderia da Sérvia", completou.

 

Da Europa, a única seleção que conseguiu confirmar o favoritismo e ganhou os seus dois jogos foi a Holanda. Passou pela Dinamarca num clássico do norte e venceu o Japão neste sábado. Até mesmo Portugal, que está no grupo do Brasil, não conseguiu sair do 0 a 0 diante da Costa do Marfim, rival dos brasileiros neste domingo.

 

Edu seguiu a linha de Ademir da Guia para explicar a diferença. "A gente sempre foi mais habilidoso, o que fez a diferença para ganhar jogos complicados. Os europeus não são assim. Basta ver quando surge um talento no Brasil ou na Argentina, ele logo é levado para a Europa. Eles não conseguem formar ninguém com a nossa técnica."

 

Concacaf se destaca. Não é só a América do Sul que brilha na Copa. Com aproveitamento de cerca 53%, os países da zona da Concacaf também fazem boa campanha. O México é o melhor deles, com quatro pontos em dois jogos. Os EUA empataram as duas partidas disputadas até o momento. Só Honduras ainda não pontuou - perdeu o duelo latino-americano diante do Chile.

 

África na pior. Apesar da Copa ser realizada na África do Sul, os países do continente registram o pior aproveitamento, com média de 21% dos pontos conquistados. Gana é a única seleção invicta. A Nigéria sofreu duas derrotas e Camarões já está eliminado. Costa do Marfim, África do Sul e Argélia conquistaram um empate como melhor desempenho.

 

A Ásia (incluída a Austrália) tem aproveitamento de 33,33% com quatro participantes. Coreia do Sul e Japão apresentam o melhor rendimento, com uma vitória e uma derrota. Já a Oceania conta com a Nova Zelândia, que ficou no 1 a 1 com a Eslováquia, na única partida disputada até o momento.

 

 

 

 

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