Yves Herman/Reuters
Yves Herman/Reuters

América do Sul cresce na reta final para a Copa

Seleções do continente vencem 9 de 11 partidas amistosas contra equipes europeias e abrem boas perspectivas para a Rússia

Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 07h00

América do Sul 9 x 1 Europa. O saldo massacrante dos amistosos das datas Fifa de março acalentam nas equipes sul-americanas a esperança de protagonismo na Copa da Rússia, de encerrar um jejum de títulos do continente que vem desde 2002, quando o Brasil faturou o pentacampeonato mundial. Também mostram ser real a possibilidade de ver as cinco seleções filiadas à Conmebol e que estão garantidas no Mundial avançando na primeira fase.

+ Saiba tudo sobre a Copa do Mundo da Rússia

+ Confira os grupos do Mundial-2018

+ Conheça a história de treinadores da Copa

+ Marrocos oferece segurança à Fifa em pleito para a Copa do Mundo de 2026

Principal expoente do futebol do continente, a seleção brasileira encarou duas equipes europeias em duelos que tiveram grande valia. Mais do que servirem para consolidar opções para Tite escalar a sua seleção, como Thiago Silva e Douglas Costa, os confrontos também mostraram a força da equipe diante de rivais do Velho Continente.

Até então, o Brasil de Tite só havia enfrentado um europeu, a Inglaterra, em jogo que acabou sem gols. Agora, porém, passou pela anfitriã Rússia por 3 a 0 e também pela temida Alemanha por 1 a 0, com atuação que o treinador espera ter ajudado a espantar o “fantasminha’’ do 7 a 1 da Copa do Mundo de 2014.

“A seleção brasileira entra como uma das favoritas, candidatas ao título. Basta ver o trabalho que o Tite vem desenvolvendo e os resultados que vem conquistando’’, cravou Carlos Alberto Parreira, técnico da campanha do tetracampeonato, ainda destacando que a Alemanha abriu mão de usar titulares importantes como Özil e Müller. “O 7 a 1 deixou lições para o futebol brasileiro, todos nós aprendemos com ele’’, resume.

O contraponto a essa supremacia sul-americana veio da Argentina, goleada por 6 a 1 pela Espanha, na última terça-feira, em Madri, quando não contou com Messi. Para Parreira, que lembrou a vitória da equipe dirigida por Jorge Sampaoli por 2 a 0 sobre a Itália dias antes para destacar seu poderio, o resultado diz mais sobre o rival do que da própria Argentina. “A Argentina mostrou que pode ser forte sem o Messi. Mas a seleção espanhola está me impressionando muito, não só pelo que fez contra a Argentina, mas principalmente pela exibição que teve contra a Itália, quando fez 3 a 0, nas Eliminatórias (em setembro do ano passado)”, lembrou.

Para Júnior, lateral-esquerdo do Brasil nas Copas de 1982 e de 1986, e hoje comentarista, porém, a acachapante vitória espanhola separou os gigantes sul-americanos na relação de favoritos na Rússia. “Os amistosos mostraram que há vida para o Brasil sem Neymar (o atacante do PSG ainda se recupera de fratura no quinto metatarso do pé direito). Mas não sei se há vida para a Argentina na Copa sem Lionel Messi’’, avaliou.

Os resultados dos confrontos chamaram a atenção também pelo desempenho de Peru, Uruguai e Colômbia. Foram cinco vitórias em cinco jogos contras seleções da Europa.

Garantida em seu primeiro Mundial desde 1982, a seleção peruana encerrou jejum de 19 anos sem ganhar de um rival europeu ao superar Croácia e Islândia, curiosamente adversários da Argentina no Grupo E da Copa. O time peruano ainda ampliou sua invencibilidade para 12 jogos - não perde desde que caiu para o Brasil em novembro de 2016 nas Eliminatórias. Para se motivar ainda mais, viu a Dinamarca, sua principal rival no Grupo C da Copa por uma vaga nas oitavas de final - a favorita França e a coadjuvante Austrália completam a chave - não ir além de um 0 a 0 em amistoso com o Chile, em casa.

Na visão de Parreira, esse ótimo momento peruano tem um responsável: Ricardo Gareca, argentino e ex-técnico do Palmeiras. “O Peru sempre teve bons jogadores, desde a seleção de 1970. O que estava faltando era um bom técnico que organizasse esses talentos”, afirmou.

Foi da Colômbia, no entanto, o resultado mais surpreendente das recentes partidas de data Fifa. Ela bater a França por 3 a 2, de virada, em Saint-Denis. “Eu ainda os vejo menos concentrados’’, diz Junior, lembrando que os colombianos decepcionaram no duelo seguinte, não indo além de um 0 a 0 com a Austrália, com direito a pênalti perdido pelo palmeirense Borja. Já o Uruguai e o seu poderoso ataque formado por Cavani e Suárez passou por País de Gales e República Checa para faturar o título da Copa da China, torneio realizado no país asiático.

Na Copa da Rússia, que começa dia 14 de junho, estão previstos oito duelos na fase de grupos entre sul-americanos e europeus: Uruguai x Rússia; Peru x França e Dinamarca; Argentina x Islândia e Croácia; Brasil x Suíça e Sérvia; e Colômbia x Polônia. Será o momento de transformar os bons resultados dos amistosos em três pontos.

“A gente leva esses amistosos muito a sério. O europeu usa mais como preparação”, alerta Júnior. “Jogar Copa na Europa é mais difícil para as seleções sul-americanas. Mas já foi pior, porque a maioria dos atletas atua na Europa”, diz Parreira.

AMPLA VANTAGEM

Brasil 3 x 0Rússia

Argentina2 x 0 Itália

Chile 2 x 1 Suécia

Peru 2 x 0 Croácia

Colômbia 3 x 2 França

Uruguai 2 x 0 Rep. Checa

Brasil 1 x 0 Alemanha

Argentina 1 x 6 Espanha

Chile 0 x 0 Dinamarca

Peru 3 x 1 Islândia

Uruguai 1 x 0 País de Gales

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.